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REFLEXÃO: Achar a Europa o máximo é coisa de gente caipira e brega

08 Dez

Título original: Vira-latas
por Luiz Felipe Pondé para Folha

O brasileiro tem complexo de vira-lata. Adora bancar o chique falando mal de si mesmo.

Principalmente quando alguém chique (leia-se, europeu) fala mal do Brasil. Um modo específico de nosso complexo de vira-lata é achar a Europa o máximo.

Quem conhece bem a Europa e ultrapassou a caipirice de achar tudo lindo por lá sabe que os europeus são (também) arrogantes, metidos, preconceituosos e exploradores e pensam, ainda hoje, que somos uns “índios” mal alimentados, ignorantes e mal-educados.

Claro que há exceções, portanto, não se faz necessário que europeus me escrevam jurando que são legais, ou que seus avós são legais, ou que seus cachorros são criados com todos os direitos humanos, mesmo porque, apesar de que isso não é sabido, ninguém pode ajuizar sobre sua própria virtude.

Lamento pela gente que se julga “crítica e consciente”, mas todo mundo que se acha legal por definição é um mentiroso.

Se você for uma leitora que um dia mochilando pela Europa transou com um europeu (europeus costumam adorar brasileiras, porque acham nossas mulheres fáceis e doces, coisa rara nas mulheres europeias de hoje em dia, que a cada dia se tornam mais chatas, competitivas e estéreis), não confunda o papo que teve com ele antes do coito com o fato de que os europeus nos acham subdesenvolvidos. Inclusive porque para eles você é fácil porque é subdesenvolvida.

Sim, achar a Europa o máximo é coisa de gente caipira e brega. Se você pensa assim, tome um remédio. Ou minta.

Recentemente, um intelectual europeu em visita ao Brasil fez críticas ao país. Nada que não saibamos sobre nós mesmos. Mas, logo, alguns intelectuais e artistas vira-latas tiveram um orgasmo porque o “sinhozinho” falou mal das “zelites”.

Sim, a elite brasileira pode ser bem brega na sua condição de elite de colônia. E horrorosa na sua ignorância “luxuosa”. Aqui, ostentação é destino. Pessoas educadas sabem que a felicidade (seja lá no que for) deve ser guardada a sete chaves. Só gente brega “mostra” que é feliz. Neste caso, um toque de melancolia é elegância.

Por exemplo, o hábito de cultuar restaurantes pretensiosos como “de Primeiro Mundo” porque são caros é comum entre nós.

Dizer que você esteve em tal restaurante “caríssimo” (sempre pretensioso) é atestado de breguice. Mas julgar alguém “superinteligente” porque vem da Europa também é brega.

É fácil posar de “culto e crítico” e ficar horrorizado com nossas injustiças sociais quando se teve a chance de ganhar muito dinheiro ao longo da história à custa das injustiças sociais dos outros. Europeu que se faz de rogado pela injustiça no mundo só cola em vira-lata.

Por outro lado, se a riqueza cultural europeia é óbvia, e não se trata de negar este fato, ela se deve em grande parte às injustiças sociais europeias do passado e não ao seu “estado de bem-estar social” atual. Este tipo de “estado” produz apenas banalidades e monotonias de classe média.

Uma grande falácia é supor que injustiça social e riqueza cultural sejam excludentes, pelo contrário. Ou que justiça social produza necessariamente originalidade intelectual.

Não sou um “patriota”, patriotismo é para canalhas. Calabar -que optou pelos holandeses em detrimento dos portugueses no Pernambuco colonial- pode ter razão. Falo aqui apenas de nosso complexo de vira-lata.

É muito comum que grandes intelectuais estrangeiros venham a nossa terra inculta e falem um “feijão com arroz” básico supondo que somos ignorantes mesmo e por isso não precisam suar a camisa diante de nossas plateias que sacodem seus ouros, exibem seus decotes e orelhas de livros.

Já vi isso acontecer várias vezes. Também no mundo acadêmico isso acontece, não só no mundo da filosofia de luxo.

Um grande professor que tive e que vive na Europa há anos me disse certa feita que até hoje os europeus não acreditam que “na volta das caravelas que colonizaram as Américas” pode haver algum “índio” que seja igual ou melhor do que eles.

A afetação moral em europeus não é muito diferente da afetação intelectual de nossos decotes de marca.

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3 Comentários

Publicado por em 8 de Dezembro de 2011 in Reflexões

 

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3 responses to “REFLEXÃO: Achar a Europa o máximo é coisa de gente caipira e brega

  1. Leticia

    8 de Dezembro de 2011 at 12:56

    achei vc original em alguns posts q li, nesse, até a parte q li, eu concordo c algumas coisas e discordo c outras…. mas eu esperava mais do seu poder de argumentação do q usar sexo como elemento repressor das ideias de suas leitoras. sexo continua sendo o elemento mais utilizado para desqualificar mulheres (imagino se isso seja uma questão psicologica coletiva q só freud explica…) 1o, esse conceito machista de facil, como se mulher nao devesse gostar de sexo e só devesse pratica-lo p gratificar homens- achei q vcs já tinham superado isso… homem q faz sexo casual é facil?…. enfim…Qual foi exatamente o objetivo da sua colocação sobre as leitoras q transaram c europeus? no meu entender vc está dizendo: “ah, vc conheceu um gringo super legal q te tratou direito e conversou c vc de igual p igual, mas isso, querida, é porque ele sabe q vc é facil e só queria te comer”. E c essa afirmação vc tenta fazer oq? oq se fez e se faz desde sempre: usar sexo, ou o fato da mulher fazer sexo casual, como elemento de subversão de suas ideias e seus valor como pessoa. Nunca estive na europa, nem nunca conheci nenhum europeu, qto mais transei c um, mas depois que li essa parte do comentário nem me dei ao trabalho de ler o resto. eu realmente esperava outra coisa de vc felippe. vc poderia usar milhões de argumentos, c os quais eu poderia concordar ou nao, mas esse eu simplesmente, como mulher, não respeito. vejo q o seu pensamento continua delhinhado exatamente, pelo menos nos aspectos de genero, pelos limites da sociedade e do pensamento dominante q vc insiste tanto em criticar. espero q pelo menos vc tenha senso critico p observar sua posição em relação a isso. decepcionada.

     
    • Felippe Reis

      9 de Dezembro de 2011 at 00:12

      Na verdade o texto não é meu, o link do responsável está logo no inicio.
      E pelo o que entendi, ele falou uma das ilusões do povo Brasileiro com relação ao Europeu tam haver com a mulher, que muitas vezes tem envolvimento rapido e se deslumbra pensando que os homens de lá são simpaticos, romanticos e carinhosos naturalmente, quandoa verdade os Europeus adoram Brasileiras porque as vêem, digamos,como mulheres fáceis de conseguir sexo sem nenhum compromisso. O Sexo está intricicamente ligado á cultura brasileira, e as mulheres europeias são frias, dificeis e só pensam em trabalho.

       
  2. Guilherme

    5 de Junho de 2012 at 10:18

    O autor desse texto escreve pra FOLHA? Só se for FOLHA de papel higiênico. Que visao complexa e distorcida da realidade. Santa ignorancia. Perdi meu tempo. Nao cabe nem argumentar em cima do que li.

    pseudo-intelectóide.

     

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