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Capa da Revista Época: “Carnaval – Amor e ódio aos Gays”

09 Mar

COMENTÁRIO: Assim que o site da revista disponibilizar a reportagem, publicarei aqui no blog.

A Revista Época desta semana traz uma matéria muito interessante (cuja chamada na capa, diga-se, é genial bem parecida com a da Fórum de janeiro). Ela tenta encontrar uma resposta ao que seria um paradoxo: por que um país que celebra os gays durante o Carnaval é tão homofóbico no resto do ano? Mas esse paradoxo é apenas aparente. O que se vê no Carnaval é, na verdade, a afirmação de um padrão de comportamento heterossexual.

Em primeiro lugar, é preciso indagar, como fez um jornalista no Twitter, por que há mais homens se vestindo de mulher durante o Carnaval do que mulheres se vestindo de homem? A resposta para essa pergunta está justamente em se buscar aquilo que se quer negar. Se pensarmos no sentido da palavra “fantasia” – imaginar algo impossível ou improvável – é isso que os foliões estão nos dizendo: “somos homens, não vê nossas fantasias?”

Uma sociedade machista e homofóbica para valer não permite que homens se reúnam sem despertar a suspeita da homossexualidade. Para resolver esse “problema”, nós homens aprendemos desde cedo a chamar os amigos mais íntimos de forma insuspeita. “E aí, seu veado?” é uma saudação comum (e soa amigável, por mais estranho que possa parecer) no nosso dia-a-dia. Justamente por sermos apenas amigos e não termos nenhum tipo de relação homossexual, nos permitimos tratar-nos dessa forma sem que isso soe ofensivo.

De modo semelhante ocorre nos blocos do Carnaval em que desfilam apenas homens fantasiados de mulher. Qual a forma mais aceitável para que tantos homens participem juntos de um momento como esse? De que modo é possível afastar as suspeitas e dissociar-se do estigma homossexual? Não se trata de uma paródia dos papéis de gênero, como a drag queen de Judith Butler. Ou ainda o caso do Laerte, que subverte os papéis de homem e mulher no seu cotidiano. É algo que ocorre no momento específico do Carnaval, tem sentido apenas dentro do grupo e, principalmente, serve para reforçar a heterossexualidade.

Interessante pensar porque isso não ocorre com as mulheres. É recorrente vermos capas de revistas masculinas em que duas mulheres insinuam uma relação homossexual. Nem por isso, entretanto, essas revistas são consideradas publicações voltadas ao público gay feminino. Isso ocorre por duas razões. A relação entre as mulheres está implicitamente aberta a um terceiro, um homem, que pode fazer disso um relacionamento hétero. Em segundo lugar, sobre as mulheres a suspeita que se coloca é bem menor. Quem nunca viu duas mulheres andando de mãos ou braços dados sem que isso fosse um “problema”? As mulheres não precisam de fantasia masculina porque ainda que levantem suspeitas, quer-se acreditar que elas serão sempre passíveis de uma “conversão” sexual pelos homens. Já o homossexualismo masculino é sempre uma via de mã0 única (“não existe ex-veado”).

No fim das contas, o paradoxo se desfaz e o Carnaval só confirma os estereótipos.

Fonte: PolitikaEtc

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