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Deputado Federal Jean Wyllys sofre ameaças de morte por lutar pela causa Gay

24 Mar

Meu comentário: Enquanto isso, fanáticos religiosos e fundamentalistas de direita tentam fazer as pessoas acreditarem que homofobia é algo quase que irreal e um projeto de lei especifico para casos assim desnecessária.

Jean Wyllys: “A injúria nunca desaparece na vida de um homossexual”

Deputado federal fala a QUEM sobre as ameaças de morte que recebeu pela internet

onofre veras/agnews

O deputado federal Jean Wyllys (PSOL-RJ) relatou à Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados ter sofrido ameaças de morte por meio de sua página no Twitter e de seu blog na internet. A denúncia foi feita na reunião da comissão na quarta-feira (23).

Em entrevista a QUEM, nesta quinta-feira (24), de seu gabinete em Brasília, Jean afirmou que as agressões, feitas entre sexta-feira (18) e sábado (19), tinham conteúdo homofóbico e são de autoria de grupos de extremistas religiosos. Nos próximos dias ele apresentará um dossiê à polícia.

“Quanto mais público torno isso, mais protegido estarei. As pessoas de bem da sociedade têm que tomar partido. Não vou deixar de caminhar em Copacabana, ir à padaria comprar meu pão”, disse ele.

A principal plataforma do jornalista, gay assumido, que participou da quinta edição do “Big Brother Brasil”, é uma proposta de emenda à Constituição (PEC) que autoriza o casamento civil entre homossexuais.

O deputado anunciou, em primeira mão, que essa causa será reforçada por uma campanha com artistas, que deverá começar em meados de abril. Jean também é parte da Frente Parlamentar Mista pela Cidadania GLBT (Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgênero), que será lançada na Câmara na terça-feira (29).

QUEM: Qual era o conteúdo dessas injúrias?
JW: Uma dizia: ‘Aviso que não saia de casa, porque você pode não voltar’. No sábado (19), recebi outra ameaça, pelo meu site: ‘Não vou lhe matar, não preciso, porque todo viado nojento morre de AIDS’. Outras usavam o nome de Deus. Eram injúrias muito violentas, odiosas e constrangedoras, calcadas na homofobia.

QUEM: Como reagiu?
JW: Levei um baque e respondi de imediato no Twitter: ‘Fanáticos religiosos estão me ameaçando de morte. Qualquer coisa que aconteça comigo, direta ou diretamente, as pessoas serão responsabilizadas e principalmente os mentores dessas pessoas’. Daí, me bloquearam e não pude mais responder àqueles perfis. Um quarto perfil escreveu: ‘Se esse país se respeitasse, sua cabeça e de seus iguais estariam penduradas no poste’. Intensificaram-se os ataques violentos a mim em blogs de líderes religiosos fanáticos. Começou uma campanha para me transformar em inimigo da comunidade cristã e não em inimigo da intolerância, como sempre fui.

QUEM: Tomou algum cuidado no seu dia a dia, passou a andar com seguranças particulares?
JW: Não pedi seguranças e nem pedirei. Isso mostraria que estou intimidado. Decidi trazer isso a público porque quero deixar claro que há um movimento para me silenciar, me neutralizar aqui dentro (na Câmara). Há uma ação orquestrada de líderes religiosos para me silenciar.

QUEM: Está com medo?
JW: Ler essas agressões dá uma dor profunda. Dói pensar que alguém nutre ódio por você. E ainda mais em nome de um Deus que deveria ser um Deus de amor. Essas agressões têm efeito amedrontador, mas me fortalecem. Não vou dar uma de durão. Isso me dói e num primeiro momento me desestabiliza, mas reacende a chama dentro de mim de que estou no caminho certo.

QUEM: Como sua família reagiu?
JW:
Minha mãe e meu irmão ficaram muito assustados, pois leram sobre as ameaças na internet. Eles me ligaram imediatamente. Eu pedi para que não se preocupassem, pois nada vai acontecer.

QUEM: O que te dá essa certeza, Jean?
JW:
Nada. Mas tenho certeza de que quanto mais público torno isso, mais protegido estarei. As pessoas de bem da sociedade têm que tomar partido. Não vou deixar de caminhar em Copacabana, ir à padaria comprar meu pão.

QUEM: Já procurou a polícia?
JW:
Estamos preparando um dossiê, imprimindo todos os ataques. Vou encaminhar uma cópia a Manuela D’Ávila (PCdoB-RS) (presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara) para que ela leve ao Presidente da Câmara (Marco Maia PT-RS). Nos próximos dias, vou encaminhar à delegacia de crimes virtuais.

QUEM: Antes de virar deputado, você já havia sofrido tamanha demonstração de homofobia?
JW:
A homofobia é algo que acompanha o gay desde muito cedo. A primeira vez que sofri uma injúria foi aos 6 anos. Morava na periferia de Alagoinhas, na Bahia. Minha mãe me deu dinheiro para que eu comprasse pão na venda. Estendi a mão sobre o balcão e pedi seis pães. Falei com a concordância correta e o homem me perguntou: ‘Você é viado ou estudado?’. Todos riram e fiquei muito constrangido, voltei para casa tremendo. Foi a primeira vez que ouvi palavra ‘viado’ e percebi pelas risadas que ‘viado’ era algo que eu não deveria ser, que não era certo. Aos 12 anos, ainda em Alagoinhas, estava indo vender algodão doce e um cara me deu um murro. Eu sempre tive esse jeito, era um menino delicado. Fui conquistando meu espaço à custa de muita informação. A injúria é um horizonte que nunca desaparece na vida de um homossexual. Fico feliz de a novela das 8 (“Insensato Coração”) colocar a homofobia como marketing social.

QUEM: Como está articulando a aprovação do casamento civil entre homossexuais?
JW:
Convidei as duas deputadas que conseguiram a aprovação do projeto de lei na Argentina que garantiu o casamento civil e também o vereador Pedro Zerolo, da Espanha, para uma grande campanha que meu gabinete está articulando. Está rolando em paralelo ao meu PEC um movimento da sociedade civil para uma campanha de artistas favoráveis ao casamento civil homossexual. Convidamos grandes artistas – homo e heterossexuais – para se juntar à causa, pois isso funcionou muito bem na Argentina. Wagner Moura já se colocou à disposição. Quero convidar Adriana Calcanhotto e Susana Moraes, pois as admiro, embora respeite a discrição delas. Chamarei também os casais André Piva e Carlos Tufvesson e Bruno Chateaubriand e André Ramos. Tem gente do primeiro time da Globo. Quando levantarmos fundos, vamos gravar uma campanha de TV, internet e fazer camisetas. Vamos soltar isso em meados de abril.

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4 Comentários

Publicado por em 24 de Março de 2011 em Homo/Bissexualidade

 

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4 responses to “Deputado Federal Jean Wyllys sofre ameaças de morte por lutar pela causa Gay

  1. sergio/MG

    25 de Maio de 2011 at 22:12

    Os brasileiros, digo os cariocas têm que ao invês de ameaçar este deputado mascarado, simplesmente não votar neste cidadão nas próximas eleições, e pronto! Colocar a mão em porco sempre vem junto o chiqueiro. Pois eu estou com a presidente Dilma, ela fez certissimo em não deixar o tal “kit gay” ir para frente, pelo bem de nossas crianças. O povo brasileiro não pode aceitar, e engolir que os grupos “gls” que na verdade não representam nem 3% da população brasileira fiquem querendo que a população engula seus conceitos diabolicos,e insitando o que devemos fazer, 3% da população mandar em 97% é brincadeira né!!!

     
    • Felippe Reis

      26 de Maio de 2011 at 00:09

      Qualquer estudo Serio e até os mais renomados Sexólogos e Psicologos mostram que LGBT´S representam no minímo de 8% a 10% da população de um país, tal porcentagem pode ser apenas a ponta de um iceberg se levarmos em consideração que o único de Homo/Bissexuais Irrustidos que são casados e daqueles que fazem sexo com homens e se consideram 100% heterossexuais é altissímo. O bullying é uma realidade, e o Estado deve investir sim no combate a Homofobia dentro e foras das escolas e universidades.

      Pais/Responsáveis doutrinam crianças que mal sabem ler a terem aversão a diversidade, seja ela sexual, religiosa, étnica, comportamental… Esse tipo de ensinamentos se refletem nas salas de aula onde centenas de crianças são alvos de perseguição/Agressão fisica ou verbal, levando muitas vezes até ao suicidio ou assassinato por motivações de ódio.

      Diabolico é o Histórico das Religiões Cristãs ou não, repleta de Perseguições, intolerância, torturas, assassinato e até abuso sexual. Tal Histórico se confunde com o da Própria Sociedade que defende uma falsa “Moral e falsos “Bons costumes’ que tal nunca praticou.

      Escravização dos Negros, Perseguição/Toutura e Assassinato de Homossexuais/Bissexuais, Céticos, Judeus, Agnosticos, Espiritas, Umbandistas , e até de pobres gatos pretos estão no excelente curriculum das Religiões e desta incrivel sociedade.

      Democracia não é ditadura da maioria.

       
  2. Elizete

    1 de Junho de 2011 at 22:21

    Caro Deputado Jean antes de mais nada quero que fique claro que apoio a tese de respeito a todo ser humano e se for necessário que existam leis para que isso seja cumprido inclusive com punição para quem desrespeitar, também terá o meu apoio; Mais esse ultimo projeto seu de que sejam enquadrados nessa lei os pastores, padres etc, por pregarem o que está escrito na Bíblia Sagrada aí é demais para mim você sabe que está escrito em 1 Corintios 6:9 – 10 o seguinte texto: “Não te [deitar]ás com varão, como se fosse mulher; é abominação.”Lev.18:32 “Se um homem se [deitar] com outro homem, como se fosse com mulher, ambos terão praticado abominação; certamente serão mortos; o seu sangue será sobre eles.”
    “…Não vos enganeis: nem os devassos, nem os idólatras, nem os efeminados, nem os sodomitas;…herdarão o reino de Deus. E tais fostes alguns de vós; mas fostes lavados, mas fostes santificados, mas fostes justificados em nome do Senhor Jesus Cristo e no Espírito do nosso Deus.” 1Corintios 6:9-10; então caro Jean se a Bíblia é sagrada e as igrejas seguem e acreditam e portanto pregam o que está escrito nela, você acha que até a bíblia sagrada deverá ser modificada e adaptada para agradar a causa homossexual mesmo a custa de uma Lei que faça cumprir isso.. bom me desculpe embora lhe tenha muito estima como pessoa humana acho que agora você foi longe demais reflita melhor no que você esta propondo para um povo que acredita em Deus e na Bíblia.

     

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