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Arquivos mensais: Maio 2011

A Marcha da Liberdade ocorreu e não doeu a ninguém

Texto: Leonardo Sakamoto

A Marcha pela Liberdade reuniu de 4 a 5 mil pessoas (dependendo da fonte) na tarde deste sábado em São Paulo. Após concentração no vão livre do Masp, ela avançou pela avenida Paulista, descendo a rua da Consolação até o Teatro Municipal e de lá até a Praça da República. Não houve o registro de violência policial como a que ocorreu no sábado passado, na Marcha pela Liberdade de Expressão.

Várias bandeiras foram erguidas na manifestação, pouquíssimas de partidos políticos: a defesa da liberdade de expressão, o combate à homofobia, o respeito aos ciclistas, a demanda por um transporte público decente e acessível, os direitos das mulheres, a crítica às mudanças no Código Florestal, entre outras. De forma irônica, cínica ou cômica, mas sem menções diretas, a questão da legalização da maconha apareceu em cartazes e em palavras de ordem.

Palavras como “Kassab sem vergonha, o busão é mais caro que a pamonha” ou “Aldo Rebelo [relator do projeto de mudança do Código Florestal] você não presta, nós queremos nossa floresta” foram ouvidas repetidas vezes, cantadas pelos manifestantes.

Um minuto de silêncio foi feito em frente ao cemitério da Consolação em nome de José Cláudio Ribeiro da Silva e Maria do Espírito Santo da Silva, lideranças do projeto agroextrativista em Nova Ipixuna (PA), executados na última terça (PA). Adelino Ramos, sobrevivente do Massacre de Corumbiara (RO) e assassinado nesta sexta (27), também foi lembrado.

A Marcha pela Liberdade ocorreu mesmo com a proibição da Justiça de São Paulo após um acordo entre a organização e a Polícia Militar de que não haveria referência às drogas. Na prática, pode ser considerado um ato de desobediência coletiva, com o apoio do governo do Estado.

Peço desculpas pela resolução das fotos. Vou começar uma campanha “Sakamoto Esperança” por um celular com melhor câmera. Enquanto lá, agradeço a paciência.

Em tempo: tenho certeza que haverá uma avalanche de comentários estranhos de gente que ficou decepcionada pela polícia, desta vez, não ter descido a borracha e o gás naqueles “maconheiros sem vergonha”. Para vocês, posso recomendar um bom analista para entender porque tanto ódio e intolerância.

Na concentração no vão livre do Masp, a polícia militar fez um cordão de isolamento, que depois acompanhou os manifestantes até o Centro. Flores foram distribuídas às pessoas e aos policiais.

 

PL 122 - Projeto de lei que visa combater a Homofobia

Cartazes e faixas foram produzidos na concentração no vão livre do Masp.

 

A marcha transcorreu sem incidentes graves como os do último sábado. Duas pessoas, que seria skinheads, foram detidos por atacar um carro da TV Globo.

Manifestantes fazem um minuto de silêncio aos trabalhadores mortos por conflitos no campo em frente ao Cemitério da Consolação.

 

O cordão de isolamento da polícia militar acompanhou a marcha até o final. Não houve confronto entre participantes e manifestantes.

 

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Publicado por em 30 de Maio de 2011 em Discriminação, Política

 

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A visão dos brasileiros sobre a Homossexualidade

A polêmica sobre a futura distribuição do chamado “kit gay” nas escolas ganhou novos capítulos nos últimos dias. A presidente Dilma Rousseff decidiu vetar a distribuição do material de combate ao preconceito contra homossexuais, elaborado por organizações não-governamentais em parceria com o Ministério da Educação (MEC). Mas o ministro da Educação, Fernando Haddad, já avisou que pretende refazer o kit do projeto e distribuí-lo ainda neste ano. Em 1993, reportagem de VEJA trazia em levantamento inédito sobre a visão dos brasileiros a respeito dos homossexuais. O que se retrata, ali, é um quadro de mal-estar. Mais de uma década depois, percebe-se que a orientação sexual ainda é e vai ser por muito tempo uma questão complexa e tensa no seio das famílias. Isso muda muito lentamente. O que mudou muito rapidamente, porém, foi a maneira como a homossexualidade é encarada por adolescentes e jovens no Brasil.

 

Em VEJA de 12/5/1993: O que é ser gay no Brasil
A pesquisa, publicada por VEJA com exclusividade, ouviu 2.000 pessoas no país inteiro. Informa que 36% dos brasileiros não dariam emprego a uma pessoa – mesmo sabendo que é a mais qualificada profissionalmente para o cargo – se soubessem que se trata de um homossexual. Também diz que 56% seriam capazes de se afastar de um colega na mesma condição. Segundo o Ibope, 45% seriam capazes de mudar de médico por esse motivo. Conforme as estatísticas do Grupo Gay da Bahia, o mais ativo do país, podem ser contabilizadas 1.200 mortes violentas de homossexuais nos últimos doze anos. Não é de admirar, portanto, que a maioria absoluta dos homossexuais prefira manter sua condição em segredo. Nesse meio onde não existem estatísticas seguras, e cujo volume é calculado, pela maioria dos estudiosos, em 5% da população, ou 7,5 milhões de pessoas, todos sabem o benefício das sombras. A vida dos homossexuais brasileiros, hoje, é melhor do que no passado mas está longe de lhes garantir um cotidiano de conforto. Por isso, eles vivem em guetos, onde namoram de mãos dadas e paqueram. Uma novidade no mundo gay brasileiro é um esforço cada vez maior pelo estabelecimento de relações estáveis e duradouras, com patrimônio construído a quatro mãos.

O que aconteceu depois
Dez anos depois, VEJA publicou uma nova reportagem de capa sobre a vida dos homossexuais brasileiros, revelando que, em 2003, a discriminação sexual resistia, mas já havia sinais de que a luta contra o preconceito atravessava uma fase de transformação significativa. Em vez de manter o confinamento como técnica de defesa, os gays começaram a se expor, a se exibir, a emergir. Existem algumas indicações concretas dessa nova fase de exposição. Em 1995 havia quarenta endereços GLS em São Paulo, boa parte deles nas regiões decadentes da cidade. Em 2003 havia 180 locais, vários deles situados em bairros valorizadíssimos. São Paulo vem sendo classificada por muita gente como a São Francisco da América do Sul, referência à cidade americana conhecida como a meca dos homossexuais. Uma forte indicação de mudança de atitude dos gays foi conferida na VII Parada do Orgulho Gay. Em 1997, a primeira passeata reuniu apenas 2.000 gatos-pingados. Na edição de 2002, mais de 500.000 pessoas desfilaram. Já a mais recende edição do evento, realizada em 2010, reuniu mais de 3 milhões de pessoas.

Tamanha é a força das paradas que elas passaram a atrair políticos e artistas, todos de olho no poder eleitoral e de consumo da comunidade gay, estimada em cerca de 10% da população mundial segundo a maior parte dos estudos demográficos.

Declarar-se gay em uma turma ou no colégio de uma grande cidade brasileira deixou de ser uma condenação ao banimento ou às gozações eternas. A rapaziada está imprimindo um alto grau de tolerância a suas relações, a um ponto em que nada é mais feio do que demonstrar preconceito contra pessoas de raças, religiões ou orientações sexuais diferentes das da maioria. Uma pesquisa feita pelas universidades estaduais do Rio de Janeiro (Uerj) e de Campinas (Unicamp) tem os números: aos 18 anos, 95% dos jovens já se declararam gays. A maior parte, aos 16. Na geração exatamente anterior, a revelação pública da homossexualidade ocorria em torno dos 21 anos, de acordo com a maior compilação de estudos já feita sobre o assunto.

Na última parada gay de São Paulo, a maior do mundo, a esmagadora maioria dos participantes até 18 anos diz estar ali apenas para “se divertir e paquerar” (na faixa dos 30 o objetivo número 1 é “militar”). A questão central é que eles simplesmente deixaram de se entender como um grupo. São, sim, gays, mas essa é apenas uma de suas inúmeras singularidades – e não aquela que os define no mundo, como antes.

É fácil perceber que alguma coisa diferente está acontecendo no universo homossexual e ela não se materializa apenas nas paradas. No shopping center, na academia de ginástica, no bar, no restaurante, na fila do cinema, na galeria de arte, na livraria, na danceteria, os gays parecem estar em toda parte. Entre os gays, dá-se como certo que aumentou o número de homossexuais que revelaram sua verdadeira orientação sexual, bem como o total de casamentos gays. Apesar do preconceito ainda existente, o panorama se tornou menos hostil aos gays em função de uma série de vitórias computadas aqui e ali. Uma grande conquista foi de ordem legal. Em graus variados, a maioria dos países adotou leis de proteção às diferenças. Dezenas de nações ainda tratam a homossexualidade como crime. Mas, analisados apenas os países mais civilizados, há avanços notáveis. Mesmo no Brasil, onde a legislação não é das mais adiantadas, os gays registram diversas conquistas – a mais recente delas, o direito a registrar uma união civil estável.

Além dos avanços de natureza legal, há outra conquista igualmente importante de caráter econômico. Como a maior parte dos gays não tem família para criar nem escola de criança para pagar, suas despesas mensais fixas são mais baixas que as dos heterossexuais. Isso aumenta significativamente seu poder de compra, o que os torna bem-vindos nas lojas, agências de viagens, corretoras de imóveis. Mais endinheirados que a média da sociedade heterossexual e amparados pela Justiça, os gays foram à luta quando um número crescente deles passou a sentir a necessidade de se casar, de constituir família. E é impossível fazer isso sem se expor, sem se “misturar”.

Fonte: Veja

 

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Pesquisa revela que metade dos homens tem HPV

Cerca de 50% dos homens que participaram de um estudo populacional estavam infectados com o papilomavírus humano (HPV, na sigla em inglês). O trabalho, publicado na revista científica The Lancet, analisou voluntários saudáveis de três países: Brasil, México e Estados Unidos..
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O resultado surpreendeu os especialistas, pois revelou uma prevalência muito maior que a encontrada em estudos semelhantes com mulheres, quando o porcentual de infecção pelo vírus não ultrapassa 20%.
Nos homens e nas mulheres, o HPV pode causar câncer, embora, nas mulheres, a evolução para displasias -quadro prévio ao tumor – seja mais comum (leia nesta página). O contágio ocorre principalmente por via sexual, mas, ao contrário do HIV, o uso de PRESERVATIVO não é tão eficaz.

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O estudo analisou 1.159 homens com idades entre 18 e 70 anos. Todos estavam saudáveis ao ingressar no estudo, diz Luisa Villa, coautora do artigo e pesquisadora do Instituto Ludwig de Pesquisa sobre o Câncer e coordenadora do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia do HPV (INCT-HPV), na Santa Casa de Misericórdia de São Paulo.
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Os voluntários não podiam relatar histórico de câncer no ânus ou no pênis, bem como a presença de verrugas genitais. Também não podiam apresentar infecção pelo HIV. Todos residiam na cidade de São Paulo, no sul da Flórida ou em Cuernavaca, no México. “A maioria das pessoas pensa que HPV é um vírus associado predominantemente às mulheres: esse estudo revela que os homens são os principais infectados”, afirma José Eduardo Levi, do Instituto de Medicina Tropical de São Paulo, na USP. Levi não participou do estudo, mas há vários anos pesquisa testes moleculares para HPV.
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Variedade. Há vários tipos de HPV. Nem todos estão associados ao câncer. A pesquisa mostrou também que 30% dos homens estudados estavam infectados com tipos do vírus ligados ao surgimento de câncer.
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“Descobrimos uma forte correlação entre a incidência da doença e o número de parceiros”, recorda Luisa. Homens que tiveram mais de 50 parceiras apresentaram uma chance 2,4 vezes maior de contrair a doença quando comparados a homens com uma ou nenhuma parceira sexual. Homens que realizaram sexo anal com outros homens mais de três vezes também apresentaram uma incidência da doença 2,6 vezes maior quando comparados a homens sem parceiros recentes.
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Fonte: “O Estado de São Paulo” 01/03/2011
 
 

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O infeliz ‘kit gay’ e a reeducação da sociedade‎

Este texto foi escrito por um leitor do Globo. Fonte: O Globo – Infoglobo
Divulgação: Rede Lésbica

Há muito tempo, tenho defendido que o direito de igualdade consagrado pelo ordenamento jurídico, pela Constituição Federal, deve sobrepor-se à qualquer preconceito cultural ou religioso. Tais elementos, apesar de integrantes da vida em sociedade, devem ser relativizados quando o assunto é assegurar isonomia entre as pessoas. Nessa seara, acertada a recente decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que estendeu a homossexuais os mesmos direitos que têm os casais heterossexuais que vivem em união estável.

Quando a questão disser respeito a assegurar tratamento isonômico, igualitário, em face de direitos assegurados, não há o que se titubear: o sistema jurídico deve consagrar a paridade de tratamento para os cidadãos, consideradas as diferenças e as particularidades de cada um, ainda que para isso precise causar inicial choque cultural ou religioso. Para assegurar direitos cuja necessidade é para já, a resposta também deve ser, igualmente, imediata. Não há que se esperar a evolução do pensamento social. Nesses casos excepcionais, o direito é que deve moldar a sociedade.

Porém, no âmbito meramente social, a coisa caminha a passo diferente. A distribuição pelo Ministério da Educação do material didático (vídeos, CDs, cartilhas) apelidado de “kit gay”, com a intenção de iniciar a educação das crianças sobre as questões envolvendo a homoafetividade, a meu sentir, constitui-se medida precoce e, em vez de surtir o efeito desejado, militaria contra a idéia de tolerância, esteio principal da harmonia social.

” Em nenhum dos vídeos a questão importante, a meu sentir, foi abordada. A grande repulsa da maioria das pessoas que não aceitam a homoafetividade é pensar que ela é uma escolha, uma opção. Entendo que um programa de conscientização da sociedade quanto a esse tema precisa, primeiramente, demonstrar que as pessoas nascem, ou não, homo ou bissexuais. Não se trata de escolha, nem de opção. É mais uma característica do ser “

Assisti aos vídeos que integrariam o material didático e fiquei imensamente preocupado. Os vídeos são incisivos até mesmo para quem, há muito, discute essa temática. Num deles, intitulado “Probabilidade”, um garoto, do nada, descobre-se bissexual e chega à conclusão que, sendo assim, terá maior “probabilidade” de conhecer alguém legal, que o ame. Longe de educar para o que realmente importa, o vídeo tratou a bissexualidade como um jogo em que se pode ganhar mais. Esse, infelizmente, é o fundamento do vídeo.

Num outro, de título “Encontrando Bianca”, um garoto, que desde pequeno se vê pertencente ao gênero feminino, inserindo-se no mundo e identificando-se como mulher, cobra que todos o aceitem dessa forma, requerendo ser chamado por pseudônimo e desejando frequentar banheiro de menina, simplesmente, porque se acha no direito. Não há qualquer tentativa de demonstrar as razões do comportamento do jovem.

Por fim, no vídeo chamado “Torpedo”, duas meninas, flagradas por fotos em gestos de carinho, decidem assumir na escola, perante todos, seu namoro, sem maiores explicações.

Em nenhum dos vídeos a questão importante, a meu sentir, foi abordada. A grande repulsa da maioria das pessoas que não aceitam a homoafetividade é pensar que ela é uma escolha, uma opção. Entendo que um programa de conscientização da sociedade quanto a esse tema precisa, primeiramente, demonstrar que as pessoas nascem, ou não, homo ou bissexuais. Não se trata de escolha, nem de opção. É mais uma característica do ser, como o é ser negro, ser alto ou ter temperamento tal. Gostar de pessoa do mesmo sexo é uma reação instintiva, somática, de atração física, de desejo sexual, que, de modo algum, pode ser ensinado ou aprendido.

A partir daí, vem o questionamento que, no meu entender, deveria ser a temática central abordada no projeto que vise incitar a sociedade a um debate sério sobre a questão: diante da natureza homoafetiva da pessoa, qual deve ser a nossa atitude? Aprender a conviver com a diferença ou continuar cultivando a cultura da repulsa, da indiferença ou, o que é pior, da violência? A evolução do pensamento social, sobre esse tema, no meu entender, passa por esse ponto.

Voltando ao “kit gay”: estou certo, também, que a questão da homoafetividade não deve ser confundida com precocidade de relacionamento. A meu ver, crianças de sete a dez anos não estão prontas para serem instruídas tão incisivamente quanto à sexualidade, seja ela homo ou heterossexual. Se tais questões são complexas para adultos, que dirá para pequenos? É verdade que, desde muito pequenas, as crianças já sentem as primeiras inclinações sexuais… Mas o assunto não pode ser posto a eles de supetão, como pretendia o MEC. Como numa aula de matemática, há primeiro que se ensinar os números, para depois se ensinar as operações matemáticas.

Muitas das ações que se tem visto na mídia, como a elaboração desse péssimo “kit gay” e sua quase prematura distribuição – que foi suspensa pela presidente Dilma Rousseff por motivos políticos, em vez de estar contribuindo para o processo de educação social, está tornando-o cada vez mais distante.


POLÊMICA: Veja abaixo os vídeos que poderiam ser incluídos no kit.

 O kit de material educativo “Escola sem homofobia”, que seria divulgado pelo Ministério da Educação, é composto por um caderno de dinâmica para trabalhar o tema da homofobia, seis boletins, três audiovisuais, um cartaz e cartas de apresentação do material para educadores. Os vídeos, principal alvo das críticas dos religiosos, já circulam pela internet e foram exibidos em vários espaços, como na reunião da bancada evangélica nesta última terça-feira.

Vídeo 1:

Vídeo 2:

Vídeo 3:


 
 

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Uganda sofre com o fundamentalismo Cristão

 

Campanha moralista, alimentada também por pastores norte-americanos, pede pena de morte para homossexuais. Gays resistem, com apoio internacional

Um projeto apresentado em 2009 pelo deputado David Bahati (do partido Movimento de Resistência Nacional, no poder), ele tem como pretexto proteger crianças e jovens da ameaça à tradicional família heterossexual. Em sua exposição de motivos, o parlamentar define o homossexualismo como um transtorno mental que foge as características inatas e imutáveis do ser humano e que apresentaria consequências negativas, como aumento da violência, disseminação das doenças sexualmente transmissíveis e uso de drogas. Seria preciso combater a sodomia.

David Bahati – Autor do projeto que visava instalar o ódio com a lei homofóbica em Uganda

Para fazê-lo, o projeto estabelece diferentes níveis de punição. Começam com prisão por determinado tempo, passando pela pena perpétua (no caso de sexo com menores de 18 anos) e avançam até morte (em casos de relações com menores de 14 anos, transmissão de AIDS, incesto ou “ofensas em série”. O projeto resguarda-se em detalhes. Declara nula a adesão de Uganda a qualquer tratado internacional contrário ao espírito da lei e obriga até os ministros religiosos a denunciar suspeitos de homossexualismo. Se falharem, poderão pegar até três anos de prisão.

Que estaria por trás da opção por ir à guerra contra a homossexualidade, e de fazê-lo de forma tão radical? Engana-se quem apostar no extremismo islâmico, que de fato cresce em alguns países africanos. De acordo com o Censo de 2002, 84% dos ugandeses são cristãs – divididos mais ou menos meio a meio entre católicos (41,9%) e anglicanos (35,9%). Apenas 12% são islâmicos. Apenas 1% segue as religiões tradicionais.

Grupos pentecostais e neopentescotais, que têm influência majoritária nas zonas rurais, explicam parte do conservadorismo. Há um extenso histórico de moralidade e combate à homossexualidade em Uganda. A primeira dama Janet Museveni Kataha, que é evangélica, sugeriu um censo acerca da virgindade, como suposta forma de combate a AIDS. Há concessões de bolsas de estudo a alunos que declaram não ter vivido experiência sexual. O ministro da Ética e Integridade ameaçou proibir o uso de minissaia e recomendou aos homossexuais que esqueçam os direitos humanos.

Um dos membros mais atuantes da cruzada moralista é o pastor Martin Ssempa, membro da Igreja da Comunidade Makerere e consultor do governo. Ele já protagonizou a queima de camisinhas, organizou manifestações em 2007 contra a homossexualidade, chegou a projetar uma marcha de um milhão de pessoas em Kampala (a capital) – ao fim frustrada, devido a medidas de segurança da polícia. Líder carismático, Sempre a justificando sua prática dizendo que a mídia ocidental não deve fazer juízo de valor do que chama de “visão tradicional africana”. Critica bispos homossexuais presentes nas igrejas ocidentais e diz que a homossexualidade atenta contra as leis da natureza, constituição e culturas tribais africanas.

A onda tem se espalhado. No ano passado, um tablóide intitulado The Rolling Stone publicou nomes e fotos de cem pessoas apontadas como gays. Ao lado do título, propôs: “Enforque-os”. Após a publicação da manchete, uma mulher teve que ser deslocada para um local seguro. De acordo com Stosh Mugisha, que auxilia gays portadores de AIDS, ela estava num café quando as pessoas começaram a apontar para ela. Foi até sua casa e garotos, que antes eram seus amigos, começaram a atirar pedras no portão. A princípio, pensou se tratar de uma brincadeira, mas ao perceber a gravidade da situação resolveu mudar-se, hostilizada pela própria família. Outras pessoas também sofreram agressão verbal.


A negação da diversidade e a onda de perseguições são influenciadas pela presença frequente, em Uganda, de pastores norte-americanos ligados ao cristianismo fundamentalista.
Em 2008 o reverendo Rick Warren esteve no país e comparou a homossexualidade com pedofilia. Seu colega Lee Caleb Brundidge presta serviço por telefone e oferece treinamento on-line e palestras a todos que querem abandonar a homossexualidade. Em 2009, – ano da apresentação do projeto que prevê pena de morte, os evangélicos estadunidenses Scott Lively, Lee Caleb Brundidge e Don Schmierer realizaram uma série de conferências durante três dias no país com o tema “A ameaça que homens e mulheres homossexuais representa contra os valores da família africana tradicional”. Questionados recentemente, nos Estados Unidos, sobre sua responsabilidade no episódio, estes pregadores criticaram a proposta do deputado Bahati e afirmam não ter vínculos com ela.

Este ambiente hostil não tem impedido que se desenvolva, em Uganda, um forte e corajoso movimento gay. Mais de 500 mil pessoas aderiram a abaixo-assinado em que condenam a proposta de lei. A ativista Kasha Jacqueline Nabagesera, diretora da OnG Freedon and Roam Uganda, destacou-se por desafiar as hostilidades e percorrer inúmeras emissoras de rádio e TV difundindo a liberdade de orientação sexual. Frank Mugisha, diretor das minorias sexuais de Uganda — um grupo em favor dos direitos gays – lamenta que as perseguições contra homossexuais tenham se ampliado, após a proposição da pena de morte. No último ano, vinte pessoas foram agredidas e mais dezessete presas, por sua orientação sexual. O ativista David Cato foi assassinado em frente a sua casa, depois da publicação da matéria no Rolling Stone. Anteriormente, já havia sido espancado quatro vezes, preso duas e demitido do emprego de professor pela sua opção sexual.

A mobilização dos ugandeses que defendem a liberdade de orientação sexual começou entre as sociedades civis e governos no exterior. A Fundação Lésbica Astrea pela Justiça, baseada em Nova York, doou 75 mil dólares para os grupos gays no país africano. Mai Kiang, diretora da Astrea, ressaltou que, entre os motivos para o apoio estava o fato de se tratar de “uma luta pela própria vida”. O governo alemão ameaçou cancelar projetos de cooperação internacional executados em Uganda e o governo dos Estados Unidos pronunciou-se contra a lei proposta.

Vale ressaltar que, embora mais branda, já há legislação condenando a homossexualidade em Uganda (a pena estabelecida é prisão por até sete anos). Além disso, a pena de morte contra gays ainda é prevista em cinco países (Arábia Saudita, Iêmen, Irã, Mauritânia e Sudão) e em partes da Nigéria e Somália.

 

Fonte: Outras Palavras

 

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Cristãos e Mulçumanos são derrotados: Projeto de lei Anti-Gay de Uganda foi arquivado por pressão Internacional

A lei que prevê a pena de morte para gays foi barrada após petição de mais de 1,6 milhão de assinaturas pela Internet.

A lei homofóbica da Uganda caiu! Parecia que seria aprovada na semana passada, mas depois da petição com 1,6 milhão de assinaturas entregues ao parlamento, das dezenas de milhares de chamadas telefônicas para os governos, das centenas de reportagens na mídia sobre a campanha e de uma manifestação global massiva, os políticos ugandenses desistiram da lei.

Estava prestes a ser aprovada — extremistas religiosos tentaram aprovar a lei na quarta-feira (11), e então concordaram com uma sessão de emergência sem precedentes na sexta-feira (13). Mas a cada vez, no espaço de algumas horas, milhares de pessoas reagiram. Com esta manifestação, milhares de pessoas inocentes na comunidade gay da Uganda não acordam nessa manhã enfrentando a execução apenas por causa de quem escolheram amar.

Frank Mugisha (Foto acima), um corajoso líder da comunidade gay da Uganda, enviou ao site da Aavaz , que realiza as petições online, a seguinte mensagem:

“Corajosos ativistas LGBT ugandenses e milhões de pessoas ao redor do mundo ficaram juntos e enfrentaram essa horrenda lei homofóbica. O apoio da comunidade global Avaaz pesou na balança para evitar que essa lei fosse adiante. A solidariedade global fez uma enorme diferença.”

O Alto Representante da Secretaria de Negócios Estrangeiros da União Europeia também se manifestou:

Muito obrigado. Como vocês sabem, em grande parte graças ao lobby intensivo e esforço combinado de vocês, de outros representantes da sociedade civil, da União Europeia e outros governos, mais nossa delegação e embaixadas no local, a lei não foi apresentada ao parlamento esta manhã. (referindo-se à manhã de sexta-feira)


David Bahati – Autor do projeto que visava instalar o ódio com a lei homofóbica em Uganda

Essa luta não acabou. Os extremistas por trás dessa lei podem tentar novamente dentro de apenas 18 meses. Mas essa é a segunda vez que a manifestação global através de assinaturas online ajuda a derrubar essa lei. A Aavaz compromete-se a dar continuidade até que os ‘propagadores do ódio’ desistam.

Se você já votou, na página da Aavaz, avise seus amigos para que se manifestem. Para votar,

CLIQUE AQUI

Transformar as causas mais profundas da ignorância e do ódio por trás da homofobia é uma batalha histórica e de longo prazo, uma das grandes causas da nossa geração. Mas Uganda tornou-se uma linha de frente nessa batalha, e um símbolo poderoso. A vitória lá ecoa através de muitos outros lugares em que a esperança é extremamente necessária, mostrando que bondade, amor, tolerância e respeito podem derrotar ódio e ignorância.

De acordo com o Censo de 2002, 84% dos ugandeses são cristãs – divididos mais ou menos meio a meio entre católicos (41,9%) e anglicanos (35,9%). Apenas 12% são islâmicos. Apenas 1% segue as religiões tradicionais.

Grupos pentecostais e neopentescotais, que têm influência majoritária nas zonas rurais, explicam parte do conservadorismo.

Fonte: Mundo Mais e dados de Outras Palavras


 
 

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Ator Brad Pitt fala sobre sua criação em uma família Evangélica: “Foi muito sufocante”

Brad Pitt se abriu sobre sua infância em uma família cristã em Oklahoma – e o seu testemunho não é exatamente brilhante.

Ele cresceu como o filho de conservadores Batistas do Sul e seu irmão, Doug, ainda é um paroquiano ativo, falando a jornalistas no Festival de Cannes esta semana, Pitt admitiu que tem “problemas” com a religião.

“Eu tenho tido que trazer coisas ditas serem caminho de Deus, e quando as coisas não davam certo isso era chamado o plano de Deus,” disse ele.

“Eu tenho meus problemas com isso. Não me faça começar. Achei muito sufocante.”

O pai de seis, de 47 anos de idade, esteve em Cannes para a primeira exibição de seu novo filme, com Sean Penn, “árvore da Vida,” no qual ele interpreta um pai autoritário.

Ele expressou a esperança de que as crianças de sua vida real, com Angelina Jolie cresçam pensando nele como um bom pai e ator.

“Eu penso em tudo que eu faço agora que meus filhos vão ver quando eles crescerem e como eles vão se sentir,” disse ele.

“Mas eles me conhecem como um pai e eu espero que eles só pensem em mim como um ator muito bom.”

Pitt não é a única celebridade com “questões” sobre a sua educação religiosa, a cantora Katy Perry tem falado frequentemente sobre a crescer com pais evangélicos estritos. Ela disse recentemente que o único livro que sua mãe já leu para ela foi a Bíblia e que a compra de música não-cristã era um não-não.

Ela chegou a ir tão longe a ponto de dizer: “Eu não tive uma infância.”

 

Fonte: Gospel Mais

 
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Publicado por em 21 de Maio de 2011 em Religião

 

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