RSS

“…e eu gosto de meninos e meninas..” – A Bissexualidade na sociedade

05 Jun

Texto de: * Giselle Jacques, jornalista, cineasta, escritora e autora do livro de temática gay A Casa da Montanha (contato: thendara@gmail.com)
Fonte: Blog Subvertendo Convenções

Estava eu conversando dia desses sobre bissexualidade e o assunto me chamou a atenção, dadas as conjunturas sociais comumente aceitas. É, aceitas! Parece incrível, mas a bissexualidade é menos rejeitada socialmente do que a homossexualidade propriamente dita.

Segundo a Wikipédia, bissexual é aquele indivíduo que sente “atração física e emocional por pessoas tanto do mesmo sexo quanto do oposto, com níveis variantes de interesse por cada um, e à identidade correspondente a esta orientação sexual”. Ou seja, meninos e meninas que gosta de meninas e meninos. Confere?

Todavia, em termos “morais”, mesmo tendo atração pelo mesmo sexo em boa porcentagem das vezes, uma pessoa bissexual não é vista como uma aberração tão assustadora, ou tão diabólica, quanto o homossexual. E isso é histórico. Explico: Era comum aos senhores de terras manterem suas esposas e suas amantes, mas também seus “escravos de alcova” para diversão. Ninguém reclamava. Era comum gregos e romanos, casados e pais, terem efebos sob sua proteção, ou seja, meninos a quem educavam e com quem mantinham relações homoafetivas. No oriente médio, grandes marajás (ou algo do tipo) mantinham mulheres e homens em seus haréns. Ninguém os chamava de veados. Essa “vista grossa” ainda perdura, de certa maneira. Uma espécie de concessão velada a práticas ditas amorais.

No que diz respeito a mulheres, a hipocrisia social vai bem mais longe. Alguns autointitulados especialistas até afirmam que todas as mulheres tem um quê homoerótico e que, assim, a bissexualidade feminina é latente. Menina beijar menina pode, em festas e ambientes socialmente favoráveis. Os meninos até gostam, não é verdade? Numa transa a três, é permitido e incentivado que as meninas se toquem. Afinal, é um joguinho inofensivo, e elas acabam mesmo transando com o menino.

Até pra sair do armário as pessoas ainda usam a tática de “Mãe, pai, eu sou bi”. A tendência pelos dois gêneros é um atenuante ao “Mãe, pai, eu sou gay”. Cansamos de ver garotos que tentam e tentam se relacionar com garotas, ou garotas que se esforçam por gostar de garotos. Não seria isso uma autorrepressão? Não seria quase “homofobizar-se”? É mesmo necessário se passar por bissexual? Qual o limite verdadeiro entre o bi e o homo? Como explicar a um/uma adolescente que ele/ela pode, sim, gostar de ambos os sexos?

O próprio Relatório Kinsey classificou o total da população americana entre 60 e 70% de bissexuais, pelos parâmetros da pesquisa da época. Na minha opinião, é um tema muito pouco falado nos meios de comunicação de que dispomos. Eu chamaria de tabu o assunto bissexualidade. Esse comportamento, esses quereres, com certeza dão um nó na mente de qualquer um. Não é um desvio comportamental, não é ser hétero, não é ser gay.

Então, o que seria? Alguém responde essa?

Anúncios
 
11 Comentários

Publicado por em 5 de Junho de 2011 em Homo/Bissexualidade, Reflexões

 

Etiquetas: ,

11 responses to ““…e eu gosto de meninos e meninas..” – A Bissexualidade na sociedade

  1. Sil

    28 de Junho de 2011 at 01:58

    Considerando o componente “atração sexual” da definição de orientação sexual, ainda não se foi comprovado um padrão diferente do homo, hetero ou assexualismo no sexo masculino. Embora, o mesmo padrão de atração seja diferente nas mulheres.

    Muito inteligênte sua colocação, na minha opinição, pois grande parte do bissexualismo, ao contrário do que muitos pensam, caminha muito mais no sentido do preconceito do que da liberdade.

    Como sabemos, há uma forte imposição social a favor do heterossexualismo, e ainda há diversos países, como alguns da ásia, onde o homossexualismo é considerado um crime, tendo até mesmo, inclusive, como punição, a pena de morte.

    Como foi citado, o bissexualismo existiu ao longo da história como prática aceitável.Porém, na questão de gregos e romanos, com uma ressalva à do texto acima. Naquela época, não tão diferente da atual, em alguns aspectos, a mulher era vista como um ser inferior, servindo apenas para a reprodução. Já o homem, “superior”, podia ser fonte de prazer para outro homem.

    No tocante ainda a oritentação sexual, segundo a teoria da formação da personalidade, de Sigmont Freud, a sexualidade, era definida ainda nos primeiros anos de vida, e fundamentalmente ligada a toda a personalidade do individo, sendo portando, considerada uma orientação; não uma condição, tampouco uma opção.

    Ainda sim, em aspectos biológicos, há estudos que sugerem que a sexualidade pode estar relacionada a responsividade diferente de certos receptores cerebrais à testosterona.

    Permitome-me, fazer a conclusão de que a sexualidade ainda não é algo totalmente esclarecido nos dias atuais.

    Diante dessas considerações, estudos, cotidiano, ponho em dúvida a existencia da bissexualidade como sendo um ORIENTAÇÃO sexual, pois como condição ou comportamento, sabemos muito bem que essa realmente existes por diversos motivos.

    Alfred Kinsey tem seu mérito inquestionável por seus trabalhos, porém ele falhou em alguns aspectos, como a prevalência superestimada do homossexualismo – que sabemos que tange em torno de 10%. Além do mais, muito do bissexualismo masculino foi por água a baixo, por vários trabalhos, que provou sua completa inexistência como padrão de excitação sexual bissexual masculina.

    O que está ocorrendo hoje em dia, é que muitos gays, como forma de se sentirem mais confortável, seguros e aceitos sexualmente, preferem se rotular bissexuais. Embora muitos consigam esconder sua homossexualidade por relativo grande período de tempo, não conseguem mantér, geralmente, completa fidelidade à sua família constituída. Muitas vezes, acabam tendo certos comportamentos considerados “promíscuos”, propagando diversas formas de DSTs.

    Ainda sim, muitos gays masculinos, têm dificuldade para se aceitarem (o que chamamos de homossexualismo ego-distônco) e acaba sendo uma maneira mais leve e aceitávei, designarem-se bissexuais ( o que poderia ser caracterizado, de certa forma, como um mecanismo de defesa do ego chamado de sublimação).

    Por outro lado há ainda muitos héteros que se aventuram, sentem vontade de ter uma experiência sexual homossexual, e muitos classificam, equivocadamente como bissexualismo. Há outros grupos de héterossexuais, como adolescentes, que têm relações homossexual como forma de transgressão a social. O que também não se enquadra na deifição bissexual.

    Em uma pequena porcentagem de “bissexuais” masculinos, há ainda o que chamamos de fetiche. Por exemplo o de dominar outra pessoa – considerada como “inferior”. Há alguns heteros, ainda que casados, que gostam de se sentirem mais versátil em relação homossexual – eles podem sair com mulheres, não se apaixonam, mas causam sofrimento ao gay envolvido na relação, e auto estima e satisfação para o seu próprio ego.

    Dentre essas frações citadas, temos os verdadeiros bissexuais masculinos, cuja a existência é dúbia, na minha opinião.

    No caso do bissexualismo feminino, de que possuo muito pocuo conhecimento, aparentemente, a situação é distinta do “bissexualismo” masculino. É possível constatar, por meio de “experimentos” um padrão de excitação verdadeiramente bissexual.

    As homossexuais femininas, comumente chamadas de lésbicas, são em menor número que os homossexuias masculinos – designados de gays. De certa formas, estas tendem a ser mais prejudicadas, pois o machismo impõe relações sexuais entre mulheres, como forma de satisfazer fantasias da grande maioria de homens héteros. Isso é visto por meio de clips musicais, filmes pornográficos, dentre outros. E relativamente, acaba prejudicando, de certa forma o homossexualismo feminino, tornando-o “vulgar” injustamente, por vezes.

    Em muitos lugares desenvolvidos, como São Francisco – EUA, há uma forte tentância anti-bissexual, sendo essa designação apagada da siglas dos movimentos GLSBTs. O que nos revela que nem sempre esse comportamento é mais bem aceito do que o homossexual.

    Em pesquisa recente de site de relacionamentos americano, nota-se que 80% das pessoas que se designam bissexuais, procuram exclusivamente apenas um gênero. Em outro trabalho rescente feito por pesquisadores de Toronto – Canadá e Chicago EUA, não se detectou nem um padrão de excitação sexual diferente do homo ou heterossexual – ainda que 30% das pessoas foram consideradas como tendo uma resposta “assexual”.

    A liberdade de relacionamento é uma importante conquista humana ao longo do tempo e é tão inerente a cada indivíduo como a liberdade de expressão. Dentro desse contexto, ressalto que sou apenas cético em relação ao bissexualismo masculino e expresso minha opinião à esse assunto. Cada pessoa tem seu “livre arbítrio” desde que este não se esbarre na liberdade do próximo. Espero que com o tempo e desenvolvimento humano podemos chegar a Verdadeira verdade sobre este assunto.

     
    • Lee

      12 de Abril de 2012 at 10:48

      Travestida de opinião científica e, pior, citando modelos de aparelho psíquico a muito questionados tanto pelo positivismo neurocientífico quanto pelos estudos em psicologia social, a opinião de Sil apenas circunscreve o preconceito dentro do discurso mais difícil de ser combatido na atualidade. É evidente para a grande maioria das pessoas que convivem no movimento GLBT a existência dos bissexuais, muitos deles masculinos. Acreditar que um ou outro estudo de cunho analítico pode substituir ou até mesmo calar as milhares de vozes que se dizem bissexuais por experiência própria, beira o ridículo. Me lembrou muito a última cena de Kaspar Hauser, em que se discute o “problema anatômico” do cérebro do recém-assassinado. Os bissexuais não estão “escondidos” entre homos e héteros. Eles são o que são e o primeiro passo para se fazer justiça nesse sentido é crer no que dizem a respeito de si mesmos, em vez de crer na teoria A ou B. Vejo aí nada menos do que a colonização sistêmica da vida, a racionalização desesperada daqueles que tem dificuldade de considerar o “outro” como parte integrante do mundo. Para quem gosta de ciência, há também dezenas de estudos sobre a movimentação da direção do desejo durante toda a vida. Se usamos a ciência para justificar nossos interesses, que tal posicionarmos as pessoas em primeiro plano? Que tal nos interessarmos por elas?

       
  2. Bruna

    6 de Julho de 2011 at 15:49

    Sou uma menina que gosto de meninos e sinto prazer por eles, mas eu tenho uma amiga que tenho muita vontade de transar com ela eu já dei um beijo nela, e ela tambem tem vontade de fazer sexo comigo o que eu faço estou muito excitada de fazer fazer sexo com ela mas eu nunca quero que niguem saiba

     
    • Felippe Reis

      9 de Julho de 2011 at 13:26

      Então não contem para ninguem.

       
    • Luana

      8 de Abril de 2012 at 16:27

      Cara Bruna, se você está com vontade então transe com ela, ninguem tem nada a ver com sua vida, mas tenha certeza de que está pronta pra arcar com as consequencias!

       
  3. Ishaan Odara

    3 de Setembro de 2011 at 22:07

    Apesar de não gostar desses rótulos; Homo, Bi, hetero, bla, bla, bla… Não tenho dúvida nenhuma de que eu gosto de homens e mulheres. E acredito sim na existência de pessoas iguais a mim. É claro que existem pessoas que usam do termo “bissexual” para se esconder. Não é o meu caso. O problema é que sofremos preconceito dos dois lados. Os “homossexuais” que mais sofrem preconceito, falam que somos indecisos, que estamos na porta do armário. Os “héteros” dizem que isso não existe, que é coisa de viado. Ambos os grupos são preconceituosos, não aceitam que gostar de homens e mulheres é completamente normal.
    Resumindo: acredito que as coisas vão ficar mais fáceis, quando o mundo deixar de rotular sentimentos.
    Valeu. Legal seu blog

     
  4. vera

    26 de Janeiro de 2012 at 15:27

    desde muito nova avia algo em mim que nao sabia esplicar o que se passava , quando comecei a compreender o que se passava tive vergonha de mim mesma achava que nao era normal nao cunhecia ninguem como eu , depois de me divorciar achei que era tempo de descubrir o desejo que eu tinha por as mulheres , e hoje continuo a faze-lo e nao tanho vergonha de dizer sou biiiiii e tanho orgulho no que sou .

     
  5. Zukaria Yume

    25 de Junho de 2012 at 18:19

    oi, eu não concordo com “ser mais aceito”, mas preciso realmente de ajuda:
    eu sou bisexual não assumida (por PRECONCEITO dos que me cercam, incluindo amigos), e queria saber COMO contar aos meus familiares (que por sinal são homofóbicos)… até conversei com eles sobre o assunto e até cheguei a contar, mas levaram na palhaçada. e quando afirmei que sou bi, falaram pra parar de falar besteiras… Desculpem-me por isso mas: É FODA! fala sério… e eu queria alguma orientação sobre isso… eu, com 16 anos, me aceito como sou (inclusive tendo me apaixonado e namorado com garotos, e atualmente, gostando de uma garota), mas e eles? como vão reagir? preciso de ajuda imediata…

    P/S: tem como ver qual é o meu e-mail daí? se sim, envie sua resposta pra lá… se não, posta online no site (é que a situação é tão encrenca, oa ponto de eu estar pedindo ajuda por um CELULAR!)

    Agradeço desde já…

     
  6. Claiton

    9 de Agosto de 2012 at 10:29

    Rótulos são “capas” utilizadas para identificar determinada coisa.
    Nem sempre o conteúdo é bem identificado por rótulos. Principalmente no que se refere a sexo ou à sexualidade.
    Acredito que o ideal do sexo é aquele que confere prazer a ambos, sem rótulos, regras e tabus.
    Tenho prazer com mulheres e homens. Fiz questão de viver a sexualidade em sua plenitude, ter prazer total com homens, ativo e passivo em suas diversas variações e com mulheres, também nas mais variações possíveis.
    Sexo, prazer, não deve se ater a grupos, guetos, ou “ismos”. Deve-se viver a sexualidade. Sentir e dar prazer.
    Sou hétero, sou gay, sou bi-sexual, dependendo do parceiro e do momento. Sou feliz assim.

     
    • Lucas Gábor

      13 de Agosto de 2012 at 11:54

      Concordo plenamente. Sem rótulos.

       
  7. Nathi bi

    27 de Abril de 2014 at 03:39

    Oii!Bom,sou bissexual,sempre tive experiencias com garotas e garotos desde pequena…o problema é q quero me assumir mas tenho medo do preconceito…pf me ajudem mandem dicas pra mim pf meu e-mail é nathioliveira595@gmail.com
    bjsss

     

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

 
%d bloggers like this: