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Na Genética: Quais as possíveis origens da Homossexualidade Humana?

27 Jun

Há diferentes estudos propondo bases genéticas para a homossexualidade e razões evolutivas para seu surgimento (consulte o Evolucionismo.org). O que os geneticistas sabem é que a homossexualidade é uma característica complexa, ou seja, recebe a influência de múltiplos genes e só se manifesta em condições ambientais específicas.

Para essas características, que são a maioria das características que temos – como altura, cor da pele, e orientação sexual – os geneticistas já sabem que é inadequado dizer que existem genes “PARA” estas características. O que é possível dizer é que há um componente de herança genética nestas características, que é quantificável. E também é possível fazer os estudos de associação ao longo de todo o genoma, para ver se as pessoas com determinada forma da característica em questão diferem geneticamente do resto da população.

Ou seja, não há aqui o determinismo genético da implicação um gene -> uma característica, como acontece em doenças causadas por alelos de herança dominante mendeliana.

Cena da novela "Amor e Revolução" do SBT - Luciana Vendamini (Loira) e Giselle Tigre (Morena)

Khytam Dawood, J. Michael Bailey e Nicholas G. Martin escreveram um capítulo sobre a genética da orientação sexual no livro “Handbook of Behavior Genetics” (Springer, 2009 – ISBN 978-0-387-76726-0; Cap. 19). Os parágrafos a seguir são baseados neste capítulo. Os autores são do Departamento de Psicologia e Centro de Genética do Desenvolvimento e da Saúde, Universidade Estadual da Pensilvânia, EUA.

Qual é a frequência da homossexualidade? Em três estudos no Reino Unido, França e EUA, definida a homossexualidade como ao menos uma experiência homossexual em toda a vida, os números são, para homossexuais masculinos:

Reino Unido – 4,1%
França – 6,1%
EUA – 7,1%

Para homossexuais femininas, para as quais há menos estudos, a frequência costuma ser metade da frequência de homossexuais masculinos, sendo 1,3% nos EUA segundo um estudo.

Estes números baixam quando a homossexualidade é definida por uma experiência homossexual no ano anterior ou definida pela identificação da própria pessoa como gay.

A maioria dos estudos sobre a frequência da homossexualidade na população usa definições de comportamento como as mencionadas acima. Definições psicológicas, menos influenciadas pela pressão social, são as preferenciais para estudos de genética, porque presumivelmente as fantasias e manifestações psicológicas da libido são menos moldáveis culturalmente do que o comportamento – ou seja, do que o indivíduo efetivamente faz sexualmente.

Há três tipos de estudos preferenciais de genética do comportamento sexual. Cito dois deles:

1) Estudos familiais, em que se busca descobrir se o comportamento é agregado em famílias que o manifestam em comparação a outras.

Um estudo deste tipo, de 1986, mostrou que gays masculinos tinham um excesso de irmãos homossexuais – 22% de todos os gays da pesquisa, que não eram filhos únicos, tinham ao menos um irmão também gay, em comparação a 4% dos heterossexuais estudados. Logo, há um indicativo de que a homossexualidade é um “caso de família”, logo, tem algo a ver com herança, logo, possivelmente tem algo a ver com os genes.

Há estudos indicando uma tendência de homens gays a terem mais irmãos gays que irmãs lésbicas, e outros estudos indicando a tendência contrária em lésbicas – se confirmado, isso indica que ao menos parte dos fatores familiares determinantes para a homossexualidade masculina e a feminina são diferentes. Porém, o maior estudo familial até hoje, de 1993, não encontrou esta tendência.

Os estudos familiais indicam participação da herança genética, mas são inconclusivos sobre as diferenças entre a homossexualidade feminina e a masculina.

2) Estudos de gêmeos, que comparam se o comportamento em questão é manifestado mais em gêmeos monozigóticos (antes chamados univitelinos) que em gêmeos dizigóticos (antes chamados bivitelinos). Manifestação maior em gêmeos monozigóticos indicaria base genética porque eles são geneticamente idênticos.

É importante notar que estes estudos precisam assumir que os gêmeos foram criados num mesmo ambiente, para que a diferença entre eles não possa ser atribuída aos ambientes em vez de à herança genética.

Os geneticistas calculam um valor chamado concordância, que nada mais é que a proporção de pares de gêmeos em que a característica se manifesta nos dois em relação a todos os gêmeos estudados em que a característica se manifesta ao menos em um. Em dez estudos de homossexualidade, a média das concordâncias em gêmeos monozigóticos é 50% e nos dizigóticos é 14%, aproximadamente. A diferença é clara e estatisticamente significativa.

Outros estudos mais recentes dão valores diferentes, mas a tendência é: sempre que um gay tem um irmão gêmeo, é mais provável que o irmão gêmeo também seja gay se ele for gêmeo idêntico (monozigótico). Isso também corrobora participação de uma base genética na manifestação da orientação sexual, já que os gêmeos idênticos partilham praticamente 100% de seus genes, enquanto os gêmeos fraternos (dizigóticos) partilham 50% de seus genes como quaisquer outros irmãos.

Encurtando a história para não me estender demais, o que sugere a frequência de homossexuais e bissexuais nas populações humanas, bem como os estudos epidemiológicos de genética, é que há sim uma base genética para a propensão ao comportamento homossexual.

Sendo assim, pode-se dizer que este comportamento surgiu na evolução. Como? Há duas hipóteses principais.

1 – Homossexualidade como fruto de seleção sexualmente antagônica de genes ligados à orientação sexual, tendo como consequência aumento de fertilidade de mães:
http://evolucionismo.org/forum/topics/evolucao-e-homossexualidade

2 – Homossexualidade como produto de seleção de parentesco, tendo como consequência o aumento da aptidão pelo incremento no cuidado parental dado pelos tios e tias:
http://evolucionismo.org/profiles/blogs/casais-gays-e-formigas-a

Há muito para ser pesquisado, mas os indícios são suficientes para dizer que é no mínimo uma simplificação grosseira dizer que alguém escolhe ser gay, bissexual ou heterossexual.

Fonte: http://tiv.elivieira.com/post/5951422177/quais-sao-as-origens-da-homossexualidade

 

 

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Publicado por em 27 de Junho de 2011 em Homo/Bissexualidade

 

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