RSS

Sempre foi comum na Uganda matar, cortar órgãos e queimar pessoas

06 Set

Título original: A África de Naipaul

por Luiz Felipe Pondé para Folha

Quer conhecer um pouco sobre a África? Leia V. S. Naipaul. Recomendo. Aliás, o Nobel recomenda. Mas Nobel não basta. Saramago foi Nobel e sempre o achei um chato. Seu livro sobre Caim é um desfile de bobagens e desinformações sobre a Bíblia. Qualquer um que conheça um pouco desse clássico da literatura hebraica antiga perceberá que Saramago não entendia nada sobre o assunto.

Leia “A Máscara da África – Vislumbres das Crenças Africanas”, publicado no Brasil pela Companhia das  Letras. O livro traz a narrativa da recente visita de Naipaul a alguns países da África. O resultado é um jornalismo sofisticado em detalhes e reflexivo tanto na forma quanto no conteúdo.

O intrigante, hoje em dia, é que muito “inteligentinho” acha que combater o preconceito é inventar mitos de bondade e pureza sobre o “outro”. Naipaul é um antídoto contra essa doença infantil.

Aliás, algo que surpreende Naipaul com relação à África é o fato de que muitos povos de lá não tinham alcançado a escrita antes de entrar em contato com muçulmanos e cristãos (ou seja, “ontem”), quase todo seu passado é mito e quase nada é história. É mais ou menos como viver em delírio constante quanto ao seu passado, sem saber o que de fato foi real e o que foi apenas devaneio.

É comum tratar Naipaul como “eurocêntrico”, o que, por si só, já é uma boa recomendação, pois significa que a moçada politicamente correta, que exerce essa censura sem caráter, não gosta dele.

Não há nada no livro que nos remeta a “preconceitos”, mas há, sim, muita coisa que revela a tristeza que ainda assola a África e que sempre existiu, mesmo antes dos absurdos que os brancos fizeram por lá. A grande mentira sobre a África é que os brancos tornaram-na violenta, pobre e infeliz. Não, ela é assim há muito tempo. Mas os europeus tampouco ajudaram.

Hoje em dia, é comum obrigar alunos a estudar a história da África. Pergunto-me como isso é feito. Temo que a África seja compreendida como um doce de coco que só não é melhor por culpa dos malvados brancos.

Não, todos os homens são maus, pouco importam cor, sexo, raça ou crença. Alguns poucos se destacam pelo bem. É verdade que esgotos, estradas e a recusa embutida nos sacrifícios humanos ajudem um pouco a você deixar de ser um bárbaro.

O livro de Naipaul dá atenção especial às crenças africanas. A catequese cristã e a islâmica destruíram o tecido das crenças ancestrais de muitos africanos, os deixando nem lá nem cá.

Por exemplo, queimar pessoas vivas foi um hábito dos povos africanos até “ontem”. Ou melhor dizendo, até “hoje”.

Matar, despedaçar, cortar órgãos e queimar pessoas por razões religiosas (e outras) sempre foi uma prática comum entre povos de Uganda, por exemplo. Em grandes quantidades.

Sim, eu sei que europeus também fizeram isso. Lembra o que eu disse acima sobre os homens serem maus? Mas a questão aqui não é essa, mas, sim, combater o “preconceito” de que a miséria material e moral africanas tenham sido criadas pelos europeus.

O encontro de culturas que não conheciam a roda até “ontem” (é isso aí…) com os colonizadores europeus (que nunca tiveram nada de bonzinhos) criou países à deriva.

Exemplos de tragédias cotidianas entre populações pobres numa mesma edição de um jornal ugandense:

1 – “Homem queima dez pessoas numa cabana”. Um homem briga com sua mulher, joga gasolina e toca fogo. Entre as dez pessoas, sete eram crianças.

2 – “Meu marido foi cortado em pedaços com um machado na minha frente”. Além de matar o marido, o assassino cortou uma mão da mulher; enquanto despedaçava a vítima, acusava-a de poligamia, daí a suspeita de que algo de cristianismo x “paganismo” estava em jogo na “disputa”.

3 – “Acusada de queimar filho vivo”. Esse parece ser um gosto da “cultura ugandense” mais “primitiva”: queimar gente viva; o filho de 18 meses estava num saco com as pernas atadas.

Fora as manchetes, a bruxaria é comum até hoje. Diretores de escolas podem ser mortos por serem acusados de bruxaria e irmãos podem matar sua tia de 42 anos, além de arrancar sua mandíbula e sua língua com o intuito de fazer mágica. Até hoje, a bruxaria é “oficial” em muitos lugares da África.

Puro neolítico?

Fonte: Paulo Lopes

.
LEIA TAMBÉM:

Advertisements
 
3 Comentários

Publicado por em 6 de Setembro de 2011 em Discriminação, Religião

 

Etiquetas: , , ,

3 responses to “Sempre foi comum na Uganda matar, cortar órgãos e queimar pessoas

  1. ANTONIO CARLOS

    9 de Novembro de 2011 at 08:06

    Ou seja, a história da humanidade é cheia de exemplos de barbárie. Ou seja, somos bárbaros mesmo. Sempre fomos. Somos animais.. irracionais. às vezes, num surto de racionalidade, chegamos a essa simples conclusão.
    PS. Ninguém até hoje provou a existência de um deus.

     
  2. Renê

    22 de Novembro de 2011 at 20:39

    “…mais um pouco e o iníquo não mais existirá;”, “O próprio Jeová se rirá dele, Porque certamente vê que virá o seu dia. – Salmos 37:10-13.

     
  3. Benaia

    6 de Dezembro de 2011 at 10:59

    mas parece q só europeus e americanos podem ser condenados pelas suas desumaninades. esse simples conceito entranhado na cabeça dos que intitulam partes como bem (colonizado) e mal (colonizador) demonstra total subjulgação desses povos, como se eles de fato não fossem humanos, e sim animais aos quais tudo é permitido em nome do instinto, e nenhuma lei humana é aplicada a eles. aqui no Brasil, por exemplo, ao meu ver, indios só possuem direitos civis, mas nenhum dever. como direito dos animais, só há direitos, ou vc já viu algum cachorro tendo algum dever? é um atentado a logica disseminado como o correto. e eu fico c essa minha fama de mal.

     

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

 
%d bloggers like this: