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Jovens Cristãos: Extrema direita universitária se alia a skinheads

27 Set

Jovens estudantes neoconservadores fogem ao estereotipo de arruaceiros mas defendem ação violenta das gangues

Nara Alves e Ricardo Galhardo, iG São Paulo

Eles não são fortões, não lutam artes marciais, não usam tatuagens com suásticas e preferem os livros e computadores às facas e socos ingleses. Em vez de estações de metrô e shows de punk rock, seu habitat natural são as quitinetes apertadas do Crusp ou os vastos gramados da USP (Universidade de São Paulo). Eles são os neoconservadores, jovens universitários que defendem valores como o direito à propriedade e a fidelidade matrimonial.

À primeira vista, parecem mais universitários comuns, magricelas, com suas calças largas, camisetas amarrotadas e a barba por fazer. Mas apesar de estarem longe do estereotipo do jovem arruaceiro, cerraram fileiras ao lado de skinheads musculosos nas marchas em defesa do deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) e na anti-Marcha da Maconha.

“Estamos aqui para batalhar tanto intelectualmente quanto fisicamente”, apregoa Celso Zanaro, 22 anos, estudante de Geografia da USP. “O que precisamos é de homens dispostos a morrer por seus valores”, completou.

Zanaro é um dos quatro integrantes do núcleo duro da União Conservadora Cristã (UCC), organização criada

Folheto faz propaganda da UCC na USP

em julho do ano passado nos corredores da USP com os objetivos declarados de defender valores como o casamento, a fidelidade conjugal, direito à propriedade e combater o predomínio do pensamento marxista no meio acadêmico e político.

Pouco mais de um ano depois da criação, a UCC conta com 16 membros, 14 da USP e dois da Unicamp. Parece pouco mas nas eleições para o diretório central da USP, os neoconservadores ficaram em 5º lugar entre as dez chapas concorrentes.

“Na época da campanha fomos procurados pela juventude do PSDB mas não dá para fazer aliança aqui dentro”, disse Zanaro.

Em mais de duas horas de conversa, entre um cigarro e outro, o estudante citou pelo menos 15 autores conservadores, muitos deles nunca traduzidos para o português. Mas as principais referências do grupo são o jornalista Olavo de Carvalho (que defende a pena de morte para os comunistas), o integralismo (versão nacional do nazismo) de Plínio Salgado e o ultra-conservadorismo de Plínio Correia de Oliveira, fundador da extinta TFP (Sociedade Brasileira de Defesa da Tradição, Família e Propriedade).

Sobre a ditadura militar, Zanaro diz: “Se negarmos com veemência a ditadura não estaremos fazendo nada a mais do que reforçar o discurso comunista. A ditadura foi necessária num contexto”.

Na verdade, ele lamenta a falta de pulso do comando atual das Forças Armadas por não intervir no governo Luiz Inácio Lula da Silva durante o escândalo do mensalão.

“A função das Forças Armadas é respaldar as instituições democráticas. O Legislativo é uma delas. A partir do momento em que existiu um esquema para comprar o Legislativo e as Forças Armadas não depuseram o presidente, elas não cumpriram seu papel”.

Para os jovens da UCC, a USP é um antro comunista, nenhum partido político é suficientemente conservador, a pedofilia na Igreja é fruto da infiltração de agentes da KGB, o sexo é uma forma de idiotização da juventude, Geraldo Alckmin colocou uma mordaça gay na sociedade paulista, Fernando Henrique Cardoso foi o criador de Lula e Lula é o próprio anticristo.

Embora tenha resistido à abordagem da juventude tucana, a UCC votou em massa em José Serra nas eleições presidenciais do ano passado, mas com ressalvas. “Serra é um sujeito que, embora tenha se aliado a setores conservadores e renegado uma postura mais virulenta de esquerda, não abandonou totalmente estes ideais”, justificou.

Os integrantes da UCC dizem ser contra qualquer tipo de violência mas não escondem a admiração pelos skinheads, aliados de ocasião. “Essa postura de combate me inspira muito. Uma inteligência que não está disposta ao combate é uma inteligência vazia”, disse Zanaro que, no entanto, faz questão de demarcar o território. “Eles se dizem de extrema-direita mas o líder deles é vegetariano”.

A aproximação tem base na argumentação ideológica dos neoconservadores, segundo a qual é necessária uma elite intelectual que sirva de referência para a massa. “Uma massa conservadora sem uma elite é uma massa de manobra. Não existe educação para as massas. Precisamos de uma alta cultura que sirva de referência para estas massas”, disse Zanaro.

Apesar da aproximação com grupos que, no limite, praticam a intolerância contra minorias, o líder da UCC esclarece que o movimento não tem ligações como nazismo. “Não somos neonazistas. Ao contrário. Defendemos o estado de Israel”.

 

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4 Comentários

Publicado por em 27 de Setembro de 2011 em Homo/Bissexualidade, Política, Religião

 

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4 responses to “Jovens Cristãos: Extrema direita universitária se alia a skinheads

  1. DGK

    28 de Setembro de 2011 at 21:46

    Gostaria saber que tipo de familia ele foi criado para receber esses “VALORES FAMILIARES”?
    É deprimente ter estudantes como Zanaro, cursando (e dificilmente aprendendo) sobre problemas humanos e socias, possuindo ideais RIDICULOS!
    Ele simpatiza com grupos anarco-punks e acredita na obtenção de poder através da violência, estando em uma união que se “CRISTÔ.AFF!
    É nessas horas que tenho orgulho de ser Ateu…

     
  2. Ivaldo Santos

    4 de Outubro de 2011 at 22:03

    “os “jovens de extrema direita” referidos na segunda sentença não são os skinheads mencionados na primeira. Só parecem que o são porque o parágrafo foi redigido de maneira propositadamente nebulosa para dar essa impressão. Quando você lê o restante da matéria, verifica que os jovens cujas declarações o IG reproduz não são os skinheads, e sim apenas os militantes estudantis da União Conservadora Cristã e da Resistência Nacionalista, que eu não conhecia até agora e que a própria reportagem do IG, mais adiante, confessa não serem skinheads de maneira alguma. Do começo ao fim da matéria, nenhum, absolutamente nenhum skinhead aparece dizendo que recebeu orientação teórica nem mesmo remotamente vinda da minha pessoa. Mas, quando o leitor chega lá, a má impressão já ficou: o Olavo é o inspirador dos skinheads, e ponto final.

    Isso não é jornalismo. É crime de calúnia e difamação. Crime ardiloso, premeditado, construído mediante uma trucagem gramatical que maliciosamente confunde os sujeitos de duas frases para ludibriar o leitor e sujar a reputação de um inocente.

    O pior de tudo é que a coisa vem inserida no curso de uma reportagem sobre o assassinato de um punk por skinheads, de modo a me fazer parecer não só inspirador de arruaceiros, mas de assassinos.

    É o truque difamatório mais tosco e mais sujo que já vi em quatro décadas de jornalismo. A artimanha é pueril, mas funciona para toda uma classe de leitores sem experiência jornalística ou senso lógico apurado, que não conferem o fim da matéria com o seu começo.

    Gente como Alves e Galhardo deveria ser expelida da profissão jornalística a pontapés.”

    Olavo de Carvalho no jornal Diário do Comércio, 29/09/11.

     
    • Felippe Reis

      6 de Outubro de 2011 at 23:51

      De fato Olavo, Julio severo entre outros são inspiradores de skinheads , tais são assíduos propagadores de suas idéias e sempre acessando seus sites.

       
  3. Gessé Antônio de Souza

    15 de Novembro de 2011 at 17:27

    Quanto a UCC e outros movimentos, em especial da juventude, entendo que são movimentos legítimos próprios do ser humano, prenhe do fazer histórico, à guisa de um lugar no espaço da cultura humana. Como toda existência material demarca um lugar no espaço físico, também a existência, como pessoa, exige um espaço ou capital: ecossistêmico; político; dialógico; afetivo-sexual; econômico; religioso; intelectual e educacional. A história é feita de contestações e sucessivas metamorfoses em contraponto a conservação. Portanto, os anarquistas são pedreiros da história. Contudo, entende-se que todo pedreiro deva construir com base no prumo da justiça, guiado pela linha do respeito e orintando-se na planta da Ética. Para ser não é preciso destruir o outro, ao contrário, os seres se constroem na diversidade.

     

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