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Viver como se fosse o último dia foi a filosofia de Jobs e de Loyola

08 Out

por Antonio Spadaro para o blog Cyberteologia

“Lembrar que eu estarei morto em breve é a ferramenta mais importante que já encontrei para me ajudar a fazer grandes escolhas na vida”: essas são as palavras que Steve Jobs pronunciou no dia 12 de junho de 2005 em um famoso discurso aos formandos de Stanford. Esse commencement address[discurso de formatura] foi, para ele, uma oportunidade única para falar sobre si mesmo. Reler esse discurso no dia em que Steve Jobs morreu é, talvez, uma boa forma para honrá-lo.

Steve tem razão. As suas palavras ecoam as de Inácio de Loyola, o fundador dos jesuítas, que considera que

Steve Jobs e Inácio de Loyola: a vida sempre diante da dimensão da morte

uma forma de fazer uma boa escolha na vida consiste em fazer “como se eu estivesse à beira da morte; e assim, regulando-me por ela, tomarei com determinação a minha decisão” (Exercícios Espirituais, 186).

A morte não é, no caso de Inácio e de Steve, um espantalho, mas sim a constatação de que os temores, os embaraços e as futilidades desaparecem perante o pensamento da morte, e só resta o que realmente conta, aquilo que para nós é realmente importante.
Não sei se Jobs era um crente. Desse discurso, não se deduz muita coisa. Aqui, eu falo simplesmente da disposição interior a fazer escolhas significativas na vida, apontando para aquilo que importa. Nenhum ser humano, crente ou não crente, pode fazer escolhas na vida pensando em si mesmo como imortal.

Steve diz isso de uma maneira fantástica, com uma pequena frase do nada: “Você já está nu”. Exato. Lemos no Livro de Jó: “Nu saí do ventre de minha mãe e nu voltarei para o seio da terra” (1, 21). Considerar a nossa nudez é o caminho de uma sabedoria de vida, o único que é capaz de nos fazer dizer, como Steve fez no intraduzível encerramento do seu discurso: “Stay hungry. Stay foolish”, isto é, permaneçam com fome, permaneçam tolos.

Sobretudo, o pensamento de estarmos nu e sermos mortais nos leva a viver intensamente. Steve diz: “Você tem que encontrar o que você ama”. E parece ecoar Inácio de Loyola que, em seus Exercícios Espirituais, insiste constantemente em entender e perguntar “o que eu quero e desejo” verdadeiramente (por exemplo, Exercícios, 48).

Só quem sabe que a própria vida é nua e sempre será não perderá tempo para fingir de se cobrir, de ser jovem eternamente, de pensar que se é o dono do mundo, mas saberá que a vida tem em si uma fome profunda. É essa fome, reconhecida expressamente na sua fé profunda, que leva Inácio de Loyola a escrever: “Prefiro ser considerado vão e louco por Cristo, que por primeiro foi tudo por tal, a ser sábio e prudente segundo este mundo” (Exercícios espiritual, 167).

O que importa é ter uma visão neste mundo e perceber que ela se torna uma missão para fazer deste mundo um lugar melhor.

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Publicado por em 8 de Outubro de 2011 em Reflexões

 

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