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Arquivos mensais: Dezembro 2011

HOMOSSEXUALIDADE: Silas Malafaia e Dep. Jean Wyllys trocam farpas

Fonte: Terra

O pastor Silas Malafaia afirmou nesta segunda-feira (26) que a homossexualidade é uma questão comportamental e não pode ser comparada ao racismo. A declaração foi dada pelo Twitter para comentar uma entrevista do deputado federal Jean Wyllys (Psol-RJ), a quem o pastor chamou de “mentiroso de marca maior”.

Em entrevista para o site do jornal Folha de S. Paulo, divulgada nesta segunda, o deputado federal disse que as igrejas que prometem cura de homossexuais deveriam ser punidas. O pastor negou a prática. “Os pastores pregam a libertação de qualquer tipo de pecado. São os próprios homossexuais que pedem ajuda para serem libertos”, afirmou no microblog.

Malafaia disse que Wyllys “finge” não saber “que ninguém nasce homossexual”. “É uma questão comportamental, portanto não se pode comparar a racismo. Vamos ter que fazer leis para todos os comportamentos do ser humano. Crime de injuria já está previsto em lei, seja para homossexuais, seja para heterossexuais”, escreveu Malafaia.

O deputado federal reagiu aos ataques no Twitter e disse que sua bíblia são as “cláusulas pétreas da Constituição Cidadã”. Sem citar o nome do pastor, Wyllys afirmou que é a Constituição que “garante a pluralidade dos homens e mulheres e a lacaidade do Estado, fundamental para a diversidade religiosa”.

O pastor chegou a dizer que os homossexuais são o “grupo social mais intolerante da pós-modernidade”. “Como tenho dito, eles querem calar e criminalizar a opinião. É só ler o famigerado PLC 122 que ele defende, para confirmar todas minhas palavras”.

O projeto de Lei que criminaliza a homofobia foi alvo de críticas de Wyllys durante a entrevista. Segundo o deputado, o texto com as mudanças feitas pela senadora Marta Suplicy está “defasado”. “O próprio texto cria um novo tipo penal e reduz a homofobia a uma mera questão de agressão e assassinatos, né. Como se a homofobia se expressasse apenas e tão só nessa forma letal”, afirmou.

Malafaia sugeriu que, em uma consulta pública, os brasileiros rejeitariam a união afetiva entre homossexuais. “O medo de Jean Wyllys: Uma consulta popular nas próximas eleições para o povo decidir se apoia ou não a união homoafetiva. Ele já sabe qual ė o pensamento da sociedade Brasileira: NÃO!”.

Repercussão
Após a divulgação da entrevista, o nome do deputado federal Jean Wyllys foi parar nos Trending Topics do Twitter. Mensagens contrárias e a favor varreram o microblog e até o novelista Aguinaldo Silva comentou a entrevista.

“Concordo com Jean Wyllis: instituições que dizem curar gays devem ser processadas por estelionato. Eu, por exemplo, conheço vários gays que disseram estar ‘curados’. O problema é que todos eles tiverem recaídas. Também conheci vários heteros que disseram: ‘dessa água não beberei!’. Mas beberam”, afirmou no Twitter.

 

#Comentário do PavaBlog:

Interessante o malafaia ser pautado pela entrevista do jean wyllys e requentar assuntos que já são passado. o conselho federal de psicologia já se manifestou sobre os profissionais que propagam a cura dos gays, bem como o supremo tribunal federal já aprovou a união homoafetiva. após essas definições, resta apenas beicinho e impropérios.

Se a vox populi é soberana (quem condenou cristo mesmo?), entre outros itens, que tal o povo referendar a isenção de impostos concedidos às igrejas?

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ESPECIAL DE NATAL: Pesquisas questionam a suposta generosidade cristã dos brasileiros

Fonte: Paulo Lopes

Se a generosidade é um dos atributos dos cristãos, por que os brasileiros não se destacam nesse quesito? Duas recentes pesquisas levam essa questão à reflexão.

Pesquisa da americana Pew Research Center confirmou ser o Brasil o segundo maior país cristão do mundo, com 90% de sua população.

Outra pesquisa, feita pela britânica CAF (Charities Aid Fondation), colocou os brasileiros em 85º lugar em um ranking de generosidade. O índice de generosidade dos brasileiros em 2011 foi de 29%, contra os 30% de 2010, na 76ª posição. Houve, portanto, uma queda de nove posições.

Do total de entrevistados, 48% afirmaram que ajudaram um estranho, 26% informaram ter doado dinheiro a instituições de caridade e 14% disseram que participaram de um trabalho voluntário.

Em termos de generosidade, o Brasil está no mesmo nível da África do Sul, Bangladesh, Camarões, Itália, Mali, Marrocos, Moçambique e República Democrática do Congo.

Os norte-americanos são o povo mais generoso do mundo e também o mais cristão, com mais de 90% do total das pessoas. Nesse caso, vale, portanto, a tese de que a cristandade e a generosidade andam juntas.

Mas uma pesquisa feita no Reino Unido entre abril de 2010 a março de 2011 mostrou que cristãos não são mais desprendidos em relação aos não crentes, pelo menos quanto aos trabalhos voluntários. Do total de pessoas consultadas, 56% das sem religião participaram como voluntárias ao menos uma vez em atividades sociais – percentual apenas um pouco abaixo do apurado entre os cristãos (58%).

No caso dos brasileiros, talvez a pesquisa de generosidade da CAF deva ser colocada em dúvida porque somos tidos como um povo naturalmente solidário, independentemente das religiões, se isso não for mais um mito.

Quanto aos cristãos mais devotos, talvez a sua generosidade esteja beneficiando não quem precisa de ajuda, mas pastores cada vez mais milionários.

 
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Publicado por em 25 de Dezembro de 2011 em Religião

 

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A USP e o problema da Homofobia em suas dependências

Fonte: Jornal do Campus – USP

Reitor afirma que mesmo campanhas contra discriminação a homossexuais podem ferir autonomia das unidades

Na última semana de abril, o jornal online “O Parasita”, que era enviado por email a estudantes da Faculdade de Ciências Farmacêuticas (FCF), tornou-se público. A última edição trazia o desafio de jogar fezes em homossexuais, em troca de ingressos para uma festa organizada pela Associação Atlética Acadêmica de Farmácia e Bioquímica. Após o fato ter sido abordado pela mídia, a Atlética, Centro Acadêmico e diretoria da FCF condenaram a publicação e declararam desconhecer os seus responsáveis.

Nos últimos cinco anos, esse foi um dos casos de homofobia que extrapolou os limites da Universidade e virou notícia e alvo de discussão na sociedade. A publicação do jornal “O Parasita”, suscitou denúncia da Defensoria Pública, abertura de investigação policial, acompanhamento da investigação pela Promotoria Pública e ainda uma sindicância na FCF.

Alunos da Faculdade temem que a instituição passe a ser vista como homofóbica. É quase consenso entre os alunos, que a publicação reflete uma opinião isolada e uma “brincadeira de mau gosto”. Jorge Mancini Filho, diretor da FCF, diz que a Faculdade pagou um preço muito alto devido à exposição da instituição e de seus alunos.

Mancini ainda acredita que a apuração do caso deve ficar a cargo da unidade em que ocorreu, conforme organização da Universidade. “Eu acho que tem que ser avaliado primeiro na Unidade. À medida que aparecer o nome da faculdade, eu vejo que é nossa responsabilidade evitar uma situação dessa”, afirma o diretor.

Em 2005, um jornal impresso de uma chapa do Centro Acadêmico da Faculdade de Direito (FD) trazia a frase “Bons tempos em que (…) a Aids restringia-se à Africa e a certos ânus homossexuais”. O jornal ainda sugeria provocações a serem escritas em camisetas, como: “Homossexualismo é doença, Aids é a cura”. Na época, após a abertura do inquérito policial, a FD entendeu que as devidas medidas seriam tomadas, uma vez que a polícia havia assumido as investigações, e não abriu nenhum inquérito administrativo interno.

Em 2008, durante uma festa no Centro Acadêmico da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ), um casal gay foi retirado de cima do palco onde se beijavam. O caso gerou um processo, que ainda tramita na Secretaria de Justiça, contra o DJ da festa, então aluno da FMVZ. Procurado para declarar quais as atitudes tomadas na apuração, o vice-diretor da FMVZ, Enrico Ortolani, disse que não comentaria o fato, por entender que ele “já passou”.

Segundo Dario Neto, um dos fundadores do grupo Prisma, que luta pelo respeito à diversidade sexual na USP, são constantes as provocações e violências pelas quais homossexuais passam na USP. “Grande parte dos gays na USP não se assume e, por isso, não podem evidenciar casos de agressões ou provocações. Não é nem por covardia, mas pela sociedade em que vivemos, às vezes, é mais oneroso assumir a sexualidade”, explica ele. Ainda segundo Dario, muitos gays não denunciam casos de agressões, por terem de conviver durante anos com os agressores. É o caso de Pedro (nome fictício), estudante da Escola de Comunicações e Artes (ECA) que relatou ter sido vítima de homofobia numa festa realizada na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU). Ao abraçar e beijar seu namorado, percebeu que alunos do seu próprio departamento atiravam pedras em sua direção. “Fiquei acuado, em choque por ter sido alvo de um ataque tão gratuito e tão violento”.

Dario Neto observa que o limite de tolerância às demonstrações de afeto entre casais homossexuais e casais heterossexuais é diferente, o que proporciona atos de violência. “Há um cenário social em que a violência está tão banalizada, que parece dar respaldo para que agressões graves aconteçam (…) As pessoas preferem discutir a moralidade que envolve o fato (se é ou não obsceno) para justificar a violência”.

Pedro acredita que “existe discriminação em qualquer lugar, mas acho que a Universidade é um grande espaço de convivência e de tolerância que te obriga a dialogar com os mais diversos tipos de pessoas. Acho que é aí que reside a riqueza da Universidade: em colocar para conviver a diferença”. Dario Neto completa dizendo que a Universidade deveria ser responsável pelos diferentes alunos que chegam à USP. “Ela deveria fazer alguma coisa e não faz. Deveria fazer campanhas de combate à intolerância e à violência e não faz”.

Ato contra a homofobia realizado na frente da Faculdade de Farmácia, no dia 4 (foto: Victor Caputo)

 

Posicionamento da Reitoria

Procurado pelo JC, o reitor João Grandino Rodas acredita que o caso “Parasita” não tenha sido fruto de má-fé e sim uma brincadeira de “extremíssimo mau gosto, que aos olhos de ninguém será visto como uma brincadeira”. O reitor afirmou que o episódio ajudou a demonstrar que o anonimato não assegura a impunidade.

Rodas ainda afirma que o modelo de apuração de ocorrências graves na USP não está livre de ser repensado, caso se prove ineficiente. No entanto, posicionamentos mais severos da reitoria podem ser vistos como autoritários. “Eu posso até não gostar da maneira como alguma coisa está acontecendo, mas não posso chegar e falar ‘faça assim’. Essa discussão pode ser aberta pela própria comunidade. Tudo o que a reitoria faz como decisão, muito facilmente pode ser tida como autoritária”.

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Publicado por em 21 de Dezembro de 2011 em Discriminação, Homo/Bissexualidade

 

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Sargento, e pastor evangélico, apontou arma para cabeça de soldado praticante do candomblé

Fonte: PavaBlog

Publicado originalmente no Extra

O Superior Tribunal Militar (STM) apreciou recentemente um caso inédito de intolerância religiosa dentro de um quartel do Exército, no Rio. Em decisão unânime, a corte manteve, em 3 de novembro deste ano, a condenação do terceiro-sargento José Ricardo Mitidieri (foto) a dois meses de prisão pelo crime de constrangimento ilegal.

O sargento, porém, conseguiu o direito da suspensão condicional da execução da pena por dois anos, caso não volte a ser denunciado por outro crime durante este período. Além disso, Mitidieri poderá recorrer da condenação em liberdade.

De acordo com a denúncia do Ministério Público Militar (MPM), o sargento — que é pastor da igreja evangélica Comunidade Cristã Ministério da Salvação — teria apontado uma pistola na cabeça do soldado Dhiego Cardoso Fernandes dos Santos, praticante do candomblé, com o objetivo de “testar” a convicção religiosa do subordinado.

O caso ocorreu em 8 de abril de 2010, no interior da reserva de armamento do 1º Depósito de Suprimento do Exército, em Triagem, Zona Norte do Rio.

Após ouvir de outros militares que o soldado Cardoso dizia que tinha o “corpo fechado” (isto é, protegido de qualquer mal), o sargento Mitidieri se dirigiu ao local onde o subordinado estava fazendo a manutenção em fuzis com uma pistola 9 milímetros em punho.

Em seguida, segundo o MPM, Mitidieri carregou a arma e a apontou na direção da cabeça do soldado e disse:

— Vamos fazer como nos filmes. Você tem o corpo fechado mesmo?

— Sim — disse Cardoso.

Mitidieri refez a pergunta outras duas vezes, e obteve a mesma resposta.

— Então conte até três — ordenou o sargento.

Ainda de acordo com o MPM, antes de Cardoso terminar a contagem, Mitidieri abaixou a arma, dizendo:

— Não é para você brincar com coisa séria. Você tem que aceitar Jesus!

Dias depois, Mitidieri pediu desculpas ao soldado, dizendo que a munição que havia colocado na pistola era de manejo (não-letal).

Em seu interrogatório, o sargento disse que “não teve o objetivo de constranger o soldado, mas defendê-lo de brincadeiras posteriores, pois ele tirava serviço na guarda e as brincadeiras sobre o assunto (de que ele tinha o corpo fechado) já estavam ocorrendo”.

Para o MPM, o soldado apostou a vida

O sargento afirmou ainda que “nunca teve qualquer preconceito com as demais religiões, dando-se muito bem com pessoas de outras crenças” e “que baixou a arma porque percebeu que não procedera corretamente”.

Para o MPM, porém, o soldado Cardoso foi submetido “a um verdadeiro teste de fé religiosa” e “apostou sua vida ao responder afirmativamente à pergunta que lhe foi feita pelo réu, sendo certo que não há previsão legal no sentido de que alguém seja obrigado a testar ou provar sua fé religiosa, independentemente da crença que possui ou da doutrina que segue. Ao contrário, a Carta Magna assegura a inviolabilidade da liberdade de consciência e crença”.

Advogado de Mitidieri, Rafael Correia disse que vai recorrer da condenação ao Supremo Tribunal Federal:

— O próprio soldado disse que em nenhum momento se sentiu ameaçado porque sua religião estava em prova. Para que haja constrangimento ilegal, é necessário que exista ameaça. Então, não houve crime. O máximo que ocorreu foi uma transgressão disciplinar.

‘Todos têm liberdade de professar sua fé’

Para o ministro Francisco Fernandes, relator do processo no STM, é evidente que “o que motivou o constrangimento ilegal foi a intolerância religiosa”. Ainda segundo o voto do ministro, “o acusado deixou claro o seu inconformismo, em razão da sua crença religiosa, dizendo que era inadmissível alguém considerar que tinha o ‘corpo fechado’, e, assim, resolveu testar a fé do ofendido”.

Direitos assegurados

Em nota, o Centro de Comunicação Social do Exército informou que não compactua com qualquer forma de intolerância dentro de seus quartéis: “O Exército cumpre rigorosamente os instrumentos legais, observando os direitos estabelecidos na Constituição, sem qualquer tipo de discriminação. O respeito ao indivíduo e à dignidade da pessoa humana, em todos os níveis, é condição imprescindível ao bom relacionamento entre seus integrantes e está alinhado com os pilares da Instituição: a hierarquia e a disciplina”.

A nota diz ainda que “cada um dos integrantes do Exército tem seus direitos assegurados na forma do que está previsto na lei e, portanto, tem liberdade de professar sua fé, independentemente de credo ou religião”.

Procurado, o soldado Cardoso não retornou ao contato feito pelo EXTRA.

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Publicado por em 19 de Dezembro de 2011 em Discriminação, Religião

 

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REFLEXÃO: Achar a Europa o máximo é coisa de gente caipira e brega

Título original: Vira-latas
por Luiz Felipe Pondé para Folha

O brasileiro tem complexo de vira-lata. Adora bancar o chique falando mal de si mesmo.

Principalmente quando alguém chique (leia-se, europeu) fala mal do Brasil. Um modo específico de nosso complexo de vira-lata é achar a Europa o máximo.

Quem conhece bem a Europa e ultrapassou a caipirice de achar tudo lindo por lá sabe que os europeus são (também) arrogantes, metidos, preconceituosos e exploradores e pensam, ainda hoje, que somos uns “índios” mal alimentados, ignorantes e mal-educados.

Claro que há exceções, portanto, não se faz necessário que europeus me escrevam jurando que são legais, ou que seus avós são legais, ou que seus cachorros são criados com todos os direitos humanos, mesmo porque, apesar de que isso não é sabido, ninguém pode ajuizar sobre sua própria virtude.

Lamento pela gente que se julga “crítica e consciente”, mas todo mundo que se acha legal por definição é um mentiroso.

Se você for uma leitora que um dia mochilando pela Europa transou com um europeu (europeus costumam adorar brasileiras, porque acham nossas mulheres fáceis e doces, coisa rara nas mulheres europeias de hoje em dia, que a cada dia se tornam mais chatas, competitivas e estéreis), não confunda o papo que teve com ele antes do coito com o fato de que os europeus nos acham subdesenvolvidos. Inclusive porque para eles você é fácil porque é subdesenvolvida.

Sim, achar a Europa o máximo é coisa de gente caipira e brega. Se você pensa assim, tome um remédio. Ou minta.

Recentemente, um intelectual europeu em visita ao Brasil fez críticas ao país. Nada que não saibamos sobre nós mesmos. Mas, logo, alguns intelectuais e artistas vira-latas tiveram um orgasmo porque o “sinhozinho” falou mal das “zelites”.

Sim, a elite brasileira pode ser bem brega na sua condição de elite de colônia. E horrorosa na sua ignorância “luxuosa”. Aqui, ostentação é destino. Pessoas educadas sabem que a felicidade (seja lá no que for) deve ser guardada a sete chaves. Só gente brega “mostra” que é feliz. Neste caso, um toque de melancolia é elegância.

Por exemplo, o hábito de cultuar restaurantes pretensiosos como “de Primeiro Mundo” porque são caros é comum entre nós.

Dizer que você esteve em tal restaurante “caríssimo” (sempre pretensioso) é atestado de breguice. Mas julgar alguém “superinteligente” porque vem da Europa também é brega.

É fácil posar de “culto e crítico” e ficar horrorizado com nossas injustiças sociais quando se teve a chance de ganhar muito dinheiro ao longo da história à custa das injustiças sociais dos outros. Europeu que se faz de rogado pela injustiça no mundo só cola em vira-lata.

Por outro lado, se a riqueza cultural europeia é óbvia, e não se trata de negar este fato, ela se deve em grande parte às injustiças sociais europeias do passado e não ao seu “estado de bem-estar social” atual. Este tipo de “estado” produz apenas banalidades e monotonias de classe média.

Uma grande falácia é supor que injustiça social e riqueza cultural sejam excludentes, pelo contrário. Ou que justiça social produza necessariamente originalidade intelectual.

Não sou um “patriota”, patriotismo é para canalhas. Calabar -que optou pelos holandeses em detrimento dos portugueses no Pernambuco colonial- pode ter razão. Falo aqui apenas de nosso complexo de vira-lata.

É muito comum que grandes intelectuais estrangeiros venham a nossa terra inculta e falem um “feijão com arroz” básico supondo que somos ignorantes mesmo e por isso não precisam suar a camisa diante de nossas plateias que sacodem seus ouros, exibem seus decotes e orelhas de livros.

Já vi isso acontecer várias vezes. Também no mundo acadêmico isso acontece, não só no mundo da filosofia de luxo.

Um grande professor que tive e que vive na Europa há anos me disse certa feita que até hoje os europeus não acreditam que “na volta das caravelas que colonizaram as Américas” pode haver algum “índio” que seja igual ou melhor do que eles.

A afetação moral em europeus não é muito diferente da afetação intelectual de nossos decotes de marca.

 
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Publicado por em 8 de Dezembro de 2011 em Reflexões

 

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Mais uma bizarrice da bancada religiosa, o alvo agora é o carnaval.

Fonte: Blog do João Pedro – Psol

Incomodados com os lemas das campanhas de prevenção do Ministério da Saúde – como as que pregam no carnaval as relações sexuais seguras com o uso da camisinha -, parlamentares evangélicos e católicos querem as peças publicitárias do Ministério.

Eles reivindicam que as campanhas enalteçam a abstinência e a importância da procriação para formação familiar.

“Neste Carnaval, não transe. Se preserve para o casamento, porque família é bom” foi um dos slogans sugeridos pelos evangélicos ao ministro da Saúde, Alexandre Padilha, em reunião da Frente Parlamentar da Família, nesta quarta.

As duas mensagens do ministério para o Carnaval, – “Sem camisinha, não dá” e “Seja qual for a fantasia, use sempre a camisinha” – desagradaram aos religiosos. O ministro admitiu fazer uma campanha direcionada para os religiosos.O encontro foi organizado pelo senador evangélico, que é também homofóbico, reacionário, corrupto e fascista, Magno Malta (PR-ES), que declarou:

– O ministro foi extremamente receptivo e nos prometeu elaborar uma cartilha com as nossas mensagens. E não aquelas do Temporão (ministro da Saúde no governo Lula), que estimulavam relação homossexual e até distribuíam cachimbo para viciados – disse Magno Malta.
Padilha estava à vontade no encontro. O ministro citou a Bíblia e falou da relação entre religião, família e vida saudável.
– Somos todos irmãos. O governo tem que ouvir todos os setores organizados da sociedade em busca de bem-estar para a população. Aids, drogas e alcoolismo são exemplos de doenças que precisamos combater com a ajuda da família – disse Padilha no encontro.
O deputado Anthony Garotinho (PR-RJ) criticou o desarquivamento do projeto que criminaliza a homofobia. Ele afirmou que “os homossexuais formam uma população com muitos privilégios” (Sofrer assédio moral, agressões físicas e ser até mesmo morto devem ser “privilégios” na visão do nosso ex-governador). Garotinho também defendeu uma campanha específica para os religiosos durante o Carnaval.
Magno Malta afirmou que outra reivindicação encaminhada a Padilha foi a criação da Secretaria da Família, para, entre outras atribuições, lidar com jovens viciados em drogas.
– A Secretaria da Família deveria substituir a Senad (Secretaria Antidrogas), que não serve para nada e que só gasta dinheiro com pesquisa: quem fuma e cheira mais no país. Isso é inútil – disse Malta.

O Senador Magno Malta esteve envolvido no Escândalo dos Sanguessugas, tem relações obscuras com o Pastor Silas Malafaia e já disparou absurdos e inverdades como estas:

 

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Em parceria com o governo federal, Rede Globo vai exibir campanha de combate à homofobia

Fonte: Nossos Tons

A Rede Globo, em parceria com o PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento) e com a Unesco (Organização das Nações Unidas para Educação, a Ciência e a Cultura) elaborou uma campanha de combate à homfobia que foi assistida e aprovada pela presidente Dilma Rousseff (PT) e pela Secretaria de Comunicação da Presidência. A campanha deve ir ao ar em dezembro e será exibida por 15 dias.

A propaganda terá duração de 30 segundos com um slogan atentando para o fato de que “discriminar homossexuais é crime. Cidadania, a gente vê por aqui”. A Secretaria Especial de Direitos Humanos (SDH) revelou que o governo não gastou nada com a campanha, bancada integralmente pela emissora de TV.

Alguns ativistas assistiram a propaganda e, apesar de considerá-la importante, criticaram o fato de o spot reforçar alguns estereótipos da homossexualidade, representando também apenas um tipo de pessoa: branco, gay masculino, musculoso e classe-média.

A SDH informou que o governo federal vai produzir uma campanha própria em 2012.

 

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Publicado por em 4 de Dezembro de 2011 em Homo/Bissexualidade

 

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