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Arquivos mensais: Março 2012

Aluno sofre bullying por causa de pregação de professora evangélica

por Rafael Ribeiro, do Diário do Grande ABC

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Adolescente de 15 anos passou a ser vítima de bullying e intolerância religiosa como resultado de pregação evangélica realizada pela professora de História Roseli Tadeu Tavares de Santana. Aluno do 2º ano do Ensino Médio na Escola Estadual Antonio Caputo, no Riacho Grande, em São Bernardo, o garoto começou a ter falta de apetite, problemas na fala e tiques nervosos.

Ele passou a ser alvo de colegas de classe porque é praticante de candomblé e não queria participar das

Jornal deu destaque à perseguição ao estudante

pregações da professora, que faz um ritual antes de começar cada aula: tira uma Bíblia e faz 20 minutos de pregação evangélica aos alunos. O adolescente, que no ano passado começou a ter aulas com ela, ficava constrangido. Seu pai, o aposentado Sebastião da Silveira, 64 anos, é sacerdote de cultos afros. Neste ano, por não concordar com a pregação, decidiu não imitar os colegas. Eles perceberam e sua vida mudou.

Desde janeiro, ele sofre ataques. Primeiro, uma bola de papel lhe atingiu as costas. Depois, ofensas graves aos pais, que resolveram agir. “Ficamos abalados”, disse Silveira. “A própria escola não deu garantias de que meu filho terá segurança.”

O garoto estuda na unidade desde a 5ª série. Poucos sabiam de sua crença. E quem descobria se afastava. Da professora, ouviu que pregação religiosa fazia parte do seu método. Roseli não quis comentar sobre o caso.A Secretaria Estadual da Educação promete que a Diretoria de Ensino de São Bernardo irá apurar a história e reconhece que pregar religião é proibido pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional.
Na escola, os alunos reclamam da prática. “Não aprendi nada com ela. Só que teria de ter a mesma religião que ela”, disse um menino de 16 anos.A presidente da Afecab (Associação Federativa da Cultura e Cultos Afro-Brasileiros), Maria Campi, anunciou que dará amplo suporte à família de Magno pelo que o garoto vem sofrendo. “Nossas crianças não têm direito a ter uma identidade. São discriminadas quando usam as vestimentas. Falta estudar mais as culturas africanas”, disse.

Um registro de ocorrência foi feito no 4º DP (Riacho Grande), e a Comissão de Liberdade Religiosa da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) e o Ministério Público foram acionados. “O Estado brasileiro é laico e não pode promover uma religião específica através de seus agentes. É preciso compreender a importância do respeito à escolha do próximo”, disse a presidente da comissão, Damaris Moura.

“Escola não é lugar para se fazer pregação”, afirmou Carlos Brandão, doutor em Educação pela Unesp (Universidade Estadual Paulista). “O superior que está permitindo isso não está só indo contra a lei, mas sim prejudicando a moral dos alunos.”

Até mesmo pais evangélicos de alunos do local criticam a postura. “Nunca foi falado em casa que ela fazia isso. Senão eu reclamaria, é errado”, disse a doméstica Edemilda Silva, 46 anos, moradora do Capelinha. Seu filho, 13, está na 8ª série do Ensino Fundamental e confirmou a atitude da professora. “Se quiser ouvir a palavra, vou na igreja.”

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Publicado por em 28 de Março de 2012 em Discriminação, Religião

 

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ABORTO: Neonazistas participam de manifestação “Pró-vida” na Praça da Sé, em São Paulo

Fonte: Blog do Tsavkko

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Vocês não acham engraçado e curioso como todo defensor da vida (sic) – cristãos fanáticos em sua maioria – também defendem pena de morte, “direitos humanos para humanos direitos”, porte de armas e afins?

E não conseguem notara menor contradição naquilo que pregam – bem, acreditam em Adão e Eva…

A Vice publicou uma pequena matéria recheada de fotos de uma manifestação de extrem-adireita “pró-vida”, contra o aborto e provavelmente contra a democracia, pela imposição de uma teocracia neonazi no país.  E não digo “neonazi” por brincadeira.

A matéria, inclusive, linka um post meu quando cobri a manifestação dos neonazis, fascistas, integralistas e mais toda a corja da minúscula, mas barulhenta extremíssima direita paulista e qaula não foi minha surpresa ao encontrar dois “velhos amigos” em fotos de ambas as manifestações!
Reparem nestas duas fotos da Vice:

Agora reparem nesta foto que eu tirei no protesto dos neonazis:

Manifestação em apoio ás posições homofóbicas e machistas do deputado Jair Bolsonaro

 

O rapaz simpático da segunda foto da Vice é, claramente, o mesmo que segura o cartaz extremamente cristão contra os direitos humanos (coitados dos cristãos de verdade, claro, e não estes fundamentalistas acéfalos). Seu nome é Eduardo Thomaz do grupo neonazi Ultra Defesa.

Já o neonazi pimpão da primeira foto da vice, com boné do UFC e uma tatuagem na cabeça onde se lê “Oi”, estilo de música adorada pelos neonazi (mas não só, Garotos Podres é uma banda Oi e são comunistas), e a cruz nas mãos, é o camarada de paletó e barbinha, atrás do colega de mochila.

Sim, como eu sei disso? Por esse vídeo que publiquei no Vimeo e que fez algum sucesso. Não produzi o vídeo que, porém, contém vários vídeos que eu fiz no dia. Dêem uma olhada no minuto 03:35 momentos mágicos do Thomaz e no minuto 4:50 você vê a tatuagem da mão do rapaz de boné, possivelmente irmão do Thomaz e logo depois a tatuagem em sua cabeça. Vejam o vídeo:

Aliás, gravei também um vídeo do simpático neonazi Thomaz falando sobre o que mais gosta: Direitos Humanos:

 

Gente da melhor estirpe, todos cristãos, defensores da “vida” – desde que eles decidam qual vida. Amigos e adoradores de Bolsonaro e da mais extremíssima direita paulista.  Suas bandeiras são o uso de violência contrat todo grupo que discorde deles – ou mesmo que concorde, afinal, eles odeiam a tudo e todos em seu supremacismo estúpido.

O triste é verificar a proximidade ideológica destes “manifestantes” com as ações e discurso do governo federal, já que o governo é contra o aborto (que é muito mais pró-vida que estes canalhas, visto que defende a vida da mãe e não de um amontoado de células), é contra os direitos LGBTs e vem se mostrando contrário aos Direitos Humanos (se serve para o “desenvolvimento” a Maria do Rosário não acha que é abuso, né?).

 

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Publicado por em 27 de Março de 2012 em Aborto

 

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Ricky Martin é capa da Vanity Fair com sua família

O cantor porto-riquenho Ricky Martin estampou a capa da edição espanhola da revista Vanity Fair de abril ao lado dos filhos gêmeos Matteo e Valentino. Nas fotos internas, o trio é acompanhado pelo namorado do astro, Carlos Gonzalez. Em quatro anos de relacionamento, é a primeira vez que Gonzalez aparece na mídia junto com o cantor e com as crianças. Pensando nas polêmicas que as fotos poderiam gerar, Ricky Martin não hesitou ao dizer “yo soy papá e soy mamá, a mis hijos les contaré la verdad (sou papai e sou mamãe, contarei a verdade para meus filhos).”

O casal está junto há quatro anos, mas somente em 2010, Ricky Martin assumiu publicamente sua homossexualidade. No auge dos seus 40 anos, disse que já se apaixonou por muitas mulheres sem desconfiar que era gay. “Todas as relações que vivi me ensinaram muito, tanto com homens quanto com mulheres.”

Sobre o namorado, o porto-riquenho não poupou elogios. “Quando nos conhecemos, Carlos me disse que procurava um homem, não um pai. Eu disse que ele encontrou um homem direito e crescido. Nosso relacionameto é bonito. Cheio de cumplicidade, entendimento e liberdade”, detalhou.

Matteo e Valentino que dividem espaço com o papai celebridade e o namorado nas fotos da revista já têm três anos e, mesmo sendo gêmeos, segundo o cantor, não são nada parecidos. “Valentino é paz e amor. Ama flores e a natureza. Se algum dia eu me perguntar onde ele está, vai estar em atrás dos arbustos cobertos de lama. É muito zen e nobre”, contou Ricky. Por outro lado, Matteo é o macho alfa. “Ele é um líder. Diz para o irmão o que fazer e o que não fazer”. As duas crianças nasceram de uma barriga de aluguel, a identidade da mãe é mantida em segredo pelo artista. “Daria a vida pela mulher que ajudou a trazer meus filhos ao mundo”, declarou.

 

Com informações de: Sistema MPA e Pernambuco.com

 

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Publicado por em 25 de Março de 2012 em Homo/Bissexualidade

 

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Presidente da Diversidade do PSDB: “Dilma assinou compromisso com fundamentalistas evangélicos, enquanto o Serra, não”

Em uma época onde os direitos LGBT são rifados pelo Governo Federal e por acordos políticos da Presidente Dilma Rousseff com a bancada evangélica no Congresso, grupos políticos de oposição se mobilizam para dar visibilidade as reivindicações e aos direitos dos homossexuais. Entre os partidos considerados conservadores, normalmente mais resistentes as lutas dos movimentos sociais, o PSDB e sua Diversidade Tucana (DT) se destacam como voz solitária mais a direita do espectro político brasileiro.

O PSDB registra grupos de luta pelos direitos dos homossexuais desde 1994, mas um coletivo político LGBT só foi estabelecido oficialmente em 2006. De concreto, o tem o vereador de Piracicaba (SP), Bruno Prata, e já tem pré-candidatos a vereador em Piracicaba, Goiânia, Belém e em São Paulo, além de defensores dos direitos LGBT candidatos a prefeito e vice-prefeito em todo o Brasil, de acordo com a própria DT.

Hoje, o grupo é presidido por Marcos Fernandes, formado em filosofia, e hoje assessor parlamentar da Secretaria da Fazenda de SP. Ele já foi chefe de gabinete da Secretaria de Participação e Parceria e assessor da bancada do PSDB na Câmara Municipal de São Paulo. Em entrevista exclusiva ao Blog do De Lucca, Marcos falou sobre o governo Dilma e a avaliação tucana sobre a situação dos homossexuais no Brasil atualmente.

Como surgiu a Diversidade Tucana? Como ela atua hoje em dia, como esta organizada?

Marcos – A Diversidade Tucana foi oficialmente criado em 2006, mas já havia no PSDB, pelo menos desde 1994, grupos de LGBT que atuavam nas campanhas eleitorais, especialmente nas elaborações de planos de governo. Muitas das ações do PSDB no tema da diversidade sexual aconteceram antes de existir o Diversidade Tucana, até que essas pessoas começaram a perceber que era hora de uma atuação mais orgânica, mais permanente. Nos últimos anos passamos a focar nossa atuação dentro do partido e isso tem nos levado a bons resultados. Há alguns dias, por exemplo, eu estive em Belém do Pará, na cerimônia de oficialização da criação do Diversidade Tucana estadual e municipal lá, com presença e apoio de grandes lideranças do PSDB paraense, e a chancela do governador Simão Jatene, que faz um governo que promove a cidadania LGBT e combate a discriminação.

O PSDB ainda pode ser considerado um partido conservador?

Marcos – O PSDB nunca foi conservador e nem de direita. Isso é coisa que alguns militantes falam como tentativa de desqualificar, na hora do embate político-eleitoral. Eu acho uma bobagem, porque ser progressista ou conservador não é um simples rótulo que alguém te coloca e pronto, são adjetivos que devem espelhar as suas ações. O PSDB foi pioneiro no Brasil em termos de políticas sociais mais avançadas. Até o governo Fernando Henrique Cardoso, o que se tinha no Brasil eram aquelas distribuições de cestas básicas, imensas campanhas de arrecadação de donativos para serem transportados até as regiões mais pobres do país, a distribuição era uma prerrogativa dos políticos locais, que usavam isso a seu favor. Era essa a grande força do coronelismo. No governo FHC foram criados os programas de transferência de renda, como a Bolsa-Escola, que depois foram unificados e viraram o Bolsa Família. A estabilização econômica, com o fim da inflação, também aumentou muito o poder de compra dos trabalhadores. Isso sem falar nos grandes saltos tecnológicos que proporcionaram a democratização de alguns serviços que antes só os ricos tinham acesso, como na área de telefonia, e nas políticas de Direitos Humanos e de Saúde, que foram as mais progressistas que já tivemos no Brasil até hoje.

Como se dá a articulação dentro do partido, que tem em seus quadros muitos conservadores? O Partido ‘abraça’ a diversidade?

Marcos – Em seus governos, o PSDB sempre “abraçou” a diversidade, desde o governo Montoro em São Paulo, em 1983. A primeira campanha de Saúde voltada para gays e o primeiro Plano de Direitos Humanos que incluiu LGBT foram no governo FHC. O primeiro órgão de governo específico para a questão da diversidade sexual foi criado pelo Serra, em 2005, quando prefeito de São Paulo. Como governador ele criou uma coordenadoria estadual semelhante, e o primeiro ambulatório de saúde voltado para travestis e transexuais do Brasil. Temos muitas outras ações como essas em muitos governos do PSDB: delegacias contra intolerância, centros de referência, conselhos LGBT, dispositivos legais, campanhas anti-homofobia, etc. O PSDB tem em seus quadros algumas pessoas que preferem atuar na contramão disso, como em todos os partidos hoje em dia, esse é um movimento que infelizmente vem crescendo muito no Brasil. Mas felizmente no PSDB essas são as exceções. Os grandes líderes do PSDB têm todos muito o que mostrar quando se fala em cidadania LGBT.

Qual a autonomia da DT para se manifestar em relação as suas posições? Qual a força do movimento dentro do partido?

Marcos – Temos total autonomia e o partido reconhece nossa atuação como algo positivo, nunca nos colocou empecilhos, pelo contrário. Temos recebido apoio de várias lideranças para fazer nosso trabalho, que muitas vezes também é interno, de estimular o debate, levar informações que às vezes alguns membros ainda não têm. Esse trabalho é dinâmico, e tem crescido muito exatamente porque contamos com o apoio institucional do partido.

Como a DT está trabalhando para as eleições 2012? Serão quantos candidatos da Diversidade do PSDB?

Marcos – A principal tarefa será preparar os Planos de Governo referentes a programas e projetos para a população LGBT e faremos um trabalho também com os candidatos a Vereador.

Como você avalia o trabalho do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso em relação as políticas LGBT? Quais foram os avanços que tivemos durante seus oito anos de mandato?

Marcos – Em muitas áreas o governo FHC implantou políticas pioneiras, que abriram as portas para diversas conquistas do povo brasileiro. Na questão LGBT não foi diferente. Para você ter ideia, antes do Fernando Henrique nenhum presidente brasileiro tinha sequer falado a palavra “homossexual” em público. Ele lançou o primeiro Plano Nacional de Direitos Humanos que contemplava LGBT. Foi uma mudança de paradigma porque até aquele momento a questão LGBT no Brasil se limitava à área da Saúde, especialmente na questão do HIV/Aids, e a partir daquele documento o governo brasileiro passou a reconhecer que o respeito à orientação sexual das pessoas era uma questão de direitos humanos. Durante o governo FHC também tivemos o programa de combate à Aids considerado pela ONU o melhor do mundo. E ele deu certo porque o então ministro José Serra teve a capacidade de enxergar e reconhecer a atuação das organizações do movimento LGBT brasileiro e fazer parcerias com elas para que a prevenção e o tratamento realmente chegassem às pessoas que precisavam. Essas duas mudanças de olhar sobre a população LGBT mudaram toda a nossa história de lá para cá.

E em relação ao Governo Lula? Você viu no governo do petista mais avanços do que no governo tucano?

Marcos – Durante o governo Lula nós tivemos, infelizmente, uma estagnação. Começou mantendo o ritmo que vinha do governo FHC até lançar o programa Brasil Sem Homofobia, em 2004, que era um programa bastante avançado, que nos deu muitas esperanças. O problema é que não saiu do papel, e o pouco que foi executado hoje já não existe mais. Depois, só nos últimos anos de mandato, o presidente Lula convocou a Conferência Nacional LGBT, cujos resultados práticos também foram pífios; implantou um conselho LGBT em que os membros são indicados e, com isso, quase todos são ligados ao PT; e criou uma coordenação LGBT, ao contrário de outros segmentos como mulheres e negros, que têm secretarias especiais ligadas diretamente à Presidência da República, com status de ministério. Ou seja, esperávamos muito mais do Governo Lula, até pela atuação que o PT costumava ter no Legislativo em relação a LGBT. No fim, os maiores opositores de projetos como o PLC 122 eram da base aliada do Governo Lula e ele nunca usou sua influência política para fazer o projeto andar e ser aprovado. Não fomos tratados como assunto importante.

A Presidente Dilma está sendo duramente criticada pelo Movimento LGBT por sua aproximação com a bancada evangélica e com fundamentalistas religiosos como Marcelo Crivella e Magno Malta. Como você vê esta relação de Dilma com os evangélicos?

Marcos – Nós precisamos fazer uma diferenciação: uma coisa é estar próximo e ouvir de forma republicana todas as forças políticas que representam setores da sociedade; outra coisa é virar as costas para uma população de quase 20 milhões de brasileiros e barrar políticas públicas importantes para essas pessoas em nome de negociatas com uma força política específica. Esse é o problema da presidente Dilma: ela barrou o kit anti-homofobia em uma negociação com a bancada evangélica para tentar salvar o então ministro Antonio Palocci, que na época estava sob investigação; depois deu declarações que reforçavam estigmas e preconceitos, dizendo que o kit fazia “propaganda de opções sexuais” (sic); barrou uma campanha de prevenção ao HIV/Aids volta da especificamente para homens gays, coisa que dez anos antes o governo FHC já havia feito. E em meio a tudo isso, ela jamais recebeu representantes do Movimento LGBT desde que tomou posse, nem mesmo as organizações e lideranças mais ligadas ao PT. Ou seja, a presidente Dilma escolheu não levar em consideração essa população. Se durante o Governo Lula os avanços nessa área desaceleraram, agora no governo Dilma estamos andando para trás.

Durante a campanha eleitoral de 2010, Serra também se mostrou bastante próximo aos evangélicos, usando o mesmo discurso sobre o aborto e negando-se a falar sobre direitos dos LGBT, angariando inclusive o apoio do pastor Silas Malafaia. Como você acha que teria sido esta relação entre Serra e os evangélicos, caso ele tivesse sido eleito?

Marcos – As pessoas às vezes tentam colocar posturas completamente diferentes no mesmo saco, para confundir mesmo. Veja as diferenças: o Serra sempre foi contra o aborto, é uma posição pessoal dele, enquanto a Dilma disse em uma entrevista ser a favor e durante a eleição disse ser contra. O que o Serra estava criticando não era o fato de ela ser a favor do aborto, mas de ter mudado de posição apenas para a eleição. Você pode ir atrás de uma sabatina do Portal R7, ligado à Rede Record, em que o Serra disse com todas as letras ser a favor do casamento civil entre pessoas do mesmo sexo. Ele recebeu o apoio do Silas Malafaia, mas era o Malafaia quem estava apoiando as ideias dele, e não o contrário. O Serra não fez como a Dilma, que assinou compromisso com fundamentalistas evangélicos de não mexer em uma série de questões, entre elas as questões LGBT. E o mais importante: o Serra tem história, a gente podia olhar para trás e ver o que ele tinha feito, quais tinham sido as posturas dele. Quando foi governador de São Paulo, ele teve deputados evangélicos na sua base aliada, mas quando um deles apresentou um projeto de lei para revogar a lei estadual anti-homofobia, um representante da Secretaria da Justiça foi à Assembleia Legislativa dizer que se aquele projeto fosse aprovado o governador vetaria o projeto. Ou seja, o Serra é uma pessoa que governa para todos e não deixa um segmento da população tentar impor derrotas e retrocessos a outros.

Você acredita que o debate de evangélicos contra não-evangélicos será a tônica das próximas eleições presidenciais? Como você acha que o PSDB vai se posicionar em relação a isso?

Marcos – O Brasil não vai bem. Nós tivemos um ganho de poder de compra de parcela importante da população e um momento econômico muito feliz, mas nada disso se reverteu em mais qualidade na educação, saúde, saneamento básico, cultura, transparência e ética no serviço público. Tivemos nos últimos anos um país que cresceu em PIB (Produto Interno Bruto) e não cresceu em IDH (Índice de Desenvolvimento Humano). E hoje já vemos o endividamento da população crescer a patamares alarmantes e a atividade industrial enfrenta seu sexto mês seguido de queda. Portanto, quem simplificar o debate das próximas eleições presidenciais a questões tão desimportantes quanto essa é porque não tem soluções a apresentar. O PSDB certamente não entrará nisso.

Muita gente critica a dicotomia política entre PSDB e PT. Você acha que há outros partidos que possam quebrar a hegemonia política de tucanos e petistas, ou os dois partidos se consolidarão cada vez mais como os dois maiores do Brasil?

Marcos – A polaridade entre duas forças políticas é algo natural com a consolidação das instituições democráticas. No mundo todo é assim, e o Brasil também caminha nesse sentido. O problema do Brasil não é a polarização entre PT e PSDB, mas sim os chamados “partidos de aluguel”, que são pequenos partidos que trocam seu apoio de forma fisiológica. A sociedade brasileira precisa se conscientizar da necessidade de uma reforma política profunda para que a qualidade da nossa representação política aumente. Dispositivos como o voto distrital ou distrital misto são fundamentais para isso.

Como o PSDB e sua Diversidade se posicionam em relação ao kit contra a homofobia (vetado no Governo Dilma), a PLC 122 (barrada no congresso) e o Casamento Gay (cujo projeto não avança por pressão dos evangélicos)?

Marcos – O kit anti-homofobia é, em primeiro lugar, um material de qualidade discutível. Mas o problema é que não houve um diálogo amplo com a sociedade para a sua apresentação. Nem mesmo o Movimento LGBT foi incluído de forma mais ampla nessa discussão. Ninguém pode querer abordar um tema polêmico como esse, que mexe com a moralidade e até a religiosidade de cada família, sem fazer um trabalho de conscientização da necessidade desse material junto às comunidades escolares. Quando os grupos fundamentalistas apresentaram vídeos falsos, dizendo que o kit trazia filmes eróticos para as crianças assistirem, a sociedade acreditou porque o Ministério da Educação foi incompetente em trabalhar a entrada desse material. Essa mesma central de boatos e falsos argumentos cerca o PLC 122 e mesmo nós às vezes temos dificuldade em informar os parlamentares do PSDB sobre esse tema, tamanha a organização dos grupos contrários ao projeto. A ABGLT recebeu durante alguns anos recursos para um projeto chamado Aliadas, que era de conscientização dos parlamentares sobre as questões mais importantes para LGBT. Esse trabalho não alcançou resultado esperado. No Congresso Nacional predominam os argumentos dos religiosos fundamentalistas. É um trabalho de informação e convencimento bastante minucioso que precisa ser feito, e o Diversidade Tucana está trabalhando para que o máximo de parlamentares do PSDB se convençam da necessidade da aprovação desse projeto. Sobre o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo, temos em governos do PSDB diversas iniciativas de reconhecimento de uniões homoafetivas em questões previdenciárias, por exemplo, e casos como do senador Aécio Neves e o governador Geraldo Alckmin que comemoraram publicamente a decisão do STF em reconhecer essas uniões.

Como o movimento LGBT do PSDB lida com a opressão a outros movimentos sociais dentro do seu próprio partido? Pergunta de Danilo Motta, jornalista, Rio de Janeiro (RJ)

Marcos – Não há opressão a qualquer movimento social dentro do PSDB.

O que PSDB tem como proposta pra coibir os inúmeros casos de violência contra homossexuais no Brasil? Pergunta de Gilson Alves Rosa, Gerente Administrativo, Vitoria (ES)

Marcos – O modelo tucano de governar na questão LGBT tem sido de duas mãos: por um lado a promoção da cidadania LGBT por meio de manifestações culturais, avanços na questão do atendimento no serviço público, especialmente na área da saúde, acolhimento de pessoas LGBT em situação de vulnerabilidade social, qualificação profissional, espaços de diálogo com o poder público, etc; por outro lado o combate à homofobia através do aumento dos canais recebedores de denúncias, delegacias especializadas em crimes de intolerância e melhoria dos instrumentos legais, onde há.

Qual seu posicionamento sobre outras questões “polêmicas” dentro do partido, como cotas raciais, aborto e estado laico? Pergunta de Cauê Madeira, Designer, São Paulo (SP)

Essas não são questões polêmicas dentro do PSDB apenas, são questões polêmicas junto a toda a sociedade brasileira. Minha opinião sobre as cotas raciais é de que são positivas, mas não podem ser a única política pública para tratar da desigualdade racial no Brasil. Se não houver um olhar de longo prazo, que passe pela educação, qualificação profissional, moradia, entre tantas outras questões, nós continuaremos precisando desse tipo de “atalho” por tempo indeterminado. Sobre o aborto, eu não me sinto qualificado para ter uma posição, sendo homem. Essa é uma questão do universo feminino e as mulheres precisam ser empoderadas como protagonistas desse debate. Também é um tema que sofre com o obscurantismo de grupos que não querem sequer que a questão seja debatida, o que eu acho uma pena. O que penso ser realmente importante é entendermos que o aborto, mesmo sendo ilegal, existe. Milhares de mulheres realizam abortos todos os anos, muitas de forma totalmente inadequada. Essas mulheres precisam ser atendidas como cidadãs de forma digna. Isso me parece mais urgente. E sobre o Estado laico, não há o que discutir: o Estado é laico e deve continuar sendo laico.

Como a DT tem trabalhado a relação com a Bancada Evangélica do próprio partido?

Marcos – Hoje todos os partidos brasileiros têm representantes evangélicos. Pouca gente sabe, por exemplo, que o PT tem apenas um parlamentar a menos que o PSDB na bancada evangélica. Quem faz parte de um partido político entende que são normais e até saudáveis algumas divergências internas, e nós procuramos atuar pela via da informação, com respeito a todas as linhas de pensamentos que existem no PSDB sobre todos os tipos de tema. Nunca deixamos de nos posicionar sobre as questões relativas à cidadania LGBT, e por isso algumas vezes a relação é de conflito, mas nunca houve qualquer situação de desrespeito, perseguição ou obstrução de trabalhos.

O deputado federal tucano João Campos (PSDB-GO) é autor de projeto de lei para permitir que homossexuais possam ser ‘tratados’ por psicólogos, num projeto que ficou conhecido como ‘projeto da cura gay’. Esta posição de João Campos é a posição oficial do PSDB?

Marcos – Esse projeto é uma aberração, despropositado e não conta com apoio do partido.

O Movimento LGBT carece de força política, inclusive com representação de LGBT no Congresso e Assembleias Estaduais. Como resolver este problema?

Marcos – O movimento está muito partidarizado e isso compromete sua atuação como movimento social, é importante ter os grupos LGBT nos partidos, mas o movimento social não deve ser partidarizado.

Outra crítica recorrente é da falta de bases sociais do Movimento LGBT. Como você acha que este problema poderia ser resolvido?

Marcos – De uma forma geral, o Movimento LGBT precisa se voltar mais à população LGBT em si. Quando vemos, por exemplo, a ABGLT e o Conselho Nacional LGBT titubear frente aos vetos da presidente Dilma a políticas públicas voltadas à nossa população, como podemos esperar que as pessoas se sentissem representadas por esse movimento? O Movimento LGBT precisa defender os interesses da população LGBT acima de qualquer proximidade partidária ou interesse particular. Esse princípio básico não tem sido observado por muitas das nossas principais organizações e lideranças. Pode ver nas redes sociais e manifestações públicas como ainda tem militante LGBT tentando contemporizar as posturas anti-LGBT da presidente Dilma, falando que ela é “refém” de forças conservadoras, como se ela fosse vítima dos fatos e não protagonista deles.

Serra ou Aécio Neves? Qual dos dois tem mais proximidade com a Diversidade Tucana e com os direitos dos LGBT?

Marcos – A hora de se fazer esse debate não é agora. Tanto Serra quanto Aécio têm posturas e ações para mostrar à população LGBT, bem como Geraldo Alckmin, Simão Jatene, Teotônio Vilela, Beto Richa, Marconi Perilo enfim, o PSDB tem muitos nomes qualificados a apresentar para a população brasileira e o Diversidade Tucana tem a maior satisfação de dizer que podemos carregar a bandeira de qualquer um deles pois será sem dúvidas uma bandeira de respeito à população LGBT e de repúdio a qualquer forma de preconceito.

 

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O medo do hétero diante do gay


Texto: Cynara Menezes
Fonte: Carta Capital

 

Outro dia, numa festa, um grupo de homens comentava numa rodinha que um amigo tinha virado gay. Separou da mulher e virou gay. Assim, como quem descobre de um dia para o outro que prefere uva a maçã.

Temos visto várias notícias de homens que se assumiram gays em circunstâncias esquisitas. O curioso é o completo pânico heterossexual que vejo por trás de quem as lê

“Eu sempre achei que ele levava jeito”, disse um deles. Não foi o suficiente para acalmar os demais. Reparei na risada um tanto nervosa daqueles machos cinquentões, como se aquele acontecimento tivesse o poder de balançar suas certezas, de lhes plantar uma pulga atrás da orelha: será que eu também…? Não foi a primeira vez que presenciei conversas do gênero. Ao contrário, elas têm se tornado cada vez mais frequentes.

Tenho notado também que, nos últimos tempos, volta e meia aparece uma notícia bizarra envolvendo se tornar homossexual num piscar de olhos. Literalmente. Em novembro passado, veio à tona a história do jogador de rúgbi britânico que, ao acordar do coma após sofrer um AVC, se descobriu gay, pintou o cabelo, emagreceu, começou a malhar na academia e arranjou um namorado. “Sei que parece estranho, mas quando ganhei consciência, imediatamente me senti diferente. Não estava mais interessado em mulheres, eu era definitivamente gay. E nunca tinha sentido atração por homens antes”, jurou o rapaz.

Na semana passada, uma transexual americana de 40 anos revelou que se chamava Ted, era felizmente casado com uma mulher e tinha dois filhos, até que, em uma tarde ensolarada de primavera, foi picado por uma abelha. Seu organismo passou então a perder testosterona, o hormônio masculino. Ao passar as mãos sobre sua pele e senti-la macia, gostou da metamorfose e resolveu ir mais fundo: fazer uma cirurgia de mudança de sexo. Ao contrário do jogador de rúgbi, porém, ela admitiu que, quando criança, brincava de se vestir de menina e tinha sentimentos ambíguos em relação à sua identidade.

Vejo dois sintomas aí: um é a relativa conveniência da situação. Deve ser bem mais cômodo atribuir a homossexualidade a um AVC ou a uma picadura (ops) de abelha do que admitir que sempre sentiu atração por pessoas do mesmo sexo. Algo como: “Ah, eu era superhetero e tinha três namoradas, até que um raio caiu na minha cabeça numa sexta-feira 13 e virei gay”. Ou: “Eu tinha uma família adorável com mulher e cinco filhos, mas um dia tomei por engano uma caixa de paracetamol e agora me sinto atraído por homens”. Num passe de mágica, contorna-se o conflito com a família e a sociedade: foi só um efeito colateral, gente.

Outro sintoma, mais subjetivo, é o completo pânico heterossexual que vejo por trás dessas notícias. “Quer dizer que eu também posso virar gay assim, sem mais nem menos?” Tenho observado que, com a maior divulgação da causa gay e a maior visibilidade dos próprios homossexuais, o mundinho hétero entrou em polvorosa. Como se os machos tivessem se transformado em uma espécie em extinção. Como se a homossexualidade fosse contagiosa e os que se salvarem da “praga” não fossem resistir ao meteoro que irá se chocar contra a Terra em 2014, matando todos os heterossexuais, assim como aconteceu com os dinossauros: bum! Ah, vocês não estavam sabendo disso? Brincadeirinha…

(Um terceiro sintoma poderia ser o desejo oculto de alguns de que o tal raio da homossexualidade caísse de uma vez por todas em sua cabeça. “Que alívio!” Mas esse eu deixo para os psicanalistas.)

Honestamente, rapazes? Não entendo do que vocês sentem tanto medo. Alguns dos homens mais bem resolvidos que eu conheci confessaram já ter sentido dúvidas em relação a sua sexualidade. Outros – menos numerosos, é verdade – até assumiram ter tido uma ou outra experienciazinha com o mesmo sexo, na infância e até depois dela. Relaxem, garotos. Tenho certeza que vai haver menos homofobia e mais tolerância no mundo no dia em que todo macho do planeta for capaz de admitir que pelo menos em algum momento da vida, por fugaz que fosse, passou pela sua cabeça que… Talvez… Quem sabe? E o que é que tem de mal nisso?

 

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Polícia Federal prende 2 rapazes acusados de manter site com mensagens criminosas

Com informações de: Banda B e Paraná Online

 

A Polícia Federal em Curitiba identificou dois homens de Curitiba e Brasília que há meses vinham postando na internet mensagens de apologia de crimes graves e da violência, sobretudo contra mulheres, negros, homossexuais,  nordestinos e judeus. Emerson Eduardo Rodrigues e Marcelo Valle Silveira Mello colocavam as mensagens  criminosas no site silviokoerich.org. Os dois tiveram a prisão preventiva decretada e os mandados foram cumpridos nesta quinta-feira (22), durante a fase ostensiva da chamada “Operação Intolerância” .

Ainda dispararam ofensas contra a presidente da República, Dilma Rousseff e outras autoridades de alto escalão. Ameçaram de morte publicamente o deputado federal Jean Wyllys (PSOL/RJ). Além disto tudo, há postagens no site sobre como matar uma pessoa, sendo de maneira lenta ou rápida. Ou ainda como abordar crianças para um posterior abuso sexual.Havia também citações de que lésbicas deveriam sofrer um “estupro corretivo”, as investigações começaram em dezembro do ano passado, após mais de 70 mil denúncias crimes por parte da sociedade civil sobre o conteúdo ofensivo do site. “Eles não pregavam apenas a discriminação, que por si só já é grave.Eles também pregavam extermínios em massa de negros, homossexuais, mulheres. As imagens no site são bastante fortes.Há inclusive um manual de aliciamento de crianças. Tudo causa uma repugnância social. Em dez anos de atuação, é um dos casos mais graves que eu vi”, afirma o delegado da PF Flúvio Cardinelle Oliveira Garcia, chefe do núcleo de repressão a crimes cibertnéticos da PF no Paraná.

Segundo o delegado, há indicativos de que as ofensas também eram reais e não ficavam apenas no mundo virtual. Há boletins de ocorrência contra os dois presos por agressões e ameças. Garcia explica que Marcelo Mello foi condenado por discriminação pela internet em 2005 e que este seria o primeiro caso de uma punição em virtude de ofensas virtuais no País. Marcelo também tem R$ 500 mil reais na conta corrente e a PF vai tentar descobrir a origem do dinheiro. Eram solicitadas doações no site ofensivo.

Emerson Rodrigues chegou a elogiar massacre em escola do Realengo

De acordo com o delegado Wagner Mesquita, também da PF no Paraná, foi localizado um mapa de uma casa de festas perto do campus da Universidade de Brasília, muito conhecida pelos estudantes da instituições. Há citações no site de que uma ação contra alunos da universidade seria planejada e colocada em prática, semelhante ao massacre em uma escola municipal em Realengo, no Rio de Janeiro, há quase um ano. O alvo seria estudantes de cursos de Ciências Sociais, considerados pelos dois como “esquerdistas”. Marcelo Mello é ex-estudante da Universidade de Brasília, segundo a PF.

Os presos se diziam parte de uma seita que tentava captar pessoas com estes mesmos pensamentos. Há insinuações de que o assassino Wellington Menezes de Oliveira, o responsável pelo massacre em Realengo, teria feito contato com os dois para obter informações para o crime. Mas ainda não há confirmação se houve realmente a ligação entre os três.

Até esta manhã, o site continuava no ar porque está hospedado na Malásia e o processo depende do governo do país asiático. “Eles acharam que desta forma não seriam identificados. Mais gente pode estar envolvida, inclusive colaborando para as mensagens”, revela Garcia. Em um dos posts, o autor diz: “Vocês podem denunciar o quanto quiserem. Que todos estes movimentos esquerdistas façam coro, berrem, gritem, no fundo, não vai acontecer m… nenhuma. O mundo em que vocês vivem querendo ou não, é capitalista, e o dinheiro e o poder compram tudo”, diz.

As investigações, conduzidas pelo Núcleo de Repressão aos Crimes Cibernéticos, uma Unidade Especializada da PF, foram feitas a partir de inúmeras denúncias relacionadas ao conteúdo discriminatório do site. O Ministério Público Federal e à ONG SaferNet também receberam pedidos de providências a respeito do conteúdo criminoso do site investigado, um número recorde da participação de populares no controle do conteúdo da internet brasileira.

Também, nesta manhã, a PF dá cumprimento aos mandados de busca e apreensão expedidos pela JF, para examinar residências e locais de trabalho dos criminosos.

Dentre os conteúdos publicados pelos criminosos e localizados pela PF, havia referência ao apoio prestado pelos criminosos ao atirador Wellington, que em 2011 atacou a tiros uma escola em Realengo, no Rio de Janeiro, matando diversas crianças, bem como à suposta incapacidade da Polícia Federal em o localizar e deter.

“Sílvio Koerich”

O nome “Sílvio Koerich” foi apropriado indevidamente pelo investigado Emerson Eduardo Rodrigues, que havia sido expulso de um fórum de debates feminista, representando assim uma represália àquela pessoa, que inicialmente rejeitou, num ambiente virtual, as declarações preconceituosas, homofóbicas e intolerantes do ora investigado preso.

Rodrigues e Mello estão sendo acusados pelos crimes de incitação/indução à discriminação ou preconceito de raça, por meio de recursos de comunicação social (Lei 7716/89); incitação à prática de crime (art. 286 do Código Penal) e publicação de fotografia com cena pornográfica envolvendo criança ou adolescente (Lei 8069/90-ECA).

Consta da decisão judicial que decretou a prisão preventiva dos criminosos que “Elementos concretos colhidos na investigação demonstram que a manutenção dos investigados em liberdade é atentatória à ordem pública. A conduta atribuída aos investigados é grave, na medida em que estimula o ódio à minorias e à violência a grupos minoritários, através de meios de comunicação facilmente acessíveis a toda a comunidade. Ressalto que o conteúdo das ideias difundidas no site é extremamente violento. Não se trata de manifestação de desapreço ou de desprezo a determinadas categorias de pessoas (o que já não seria aceitável), mas de pregar a tortura e o extermínio de tais grupos, de forma cruel, o que se afigura absolutamente inaceitável.”

Mais informações sobre a operação serão fornecidas pela PF em entrevista coletiva nesta quinta-feira.

 

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Publicado por em 22 de Março de 2012 em Discriminação, Homo/Bissexualidade

 

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Thor Batista ou Wanderson da Silva: quem foi o culpado?

Fonte: Blog do Sakamoto
Texto: Maria Paola de Salvo*

Thor Batista com a namorada, Tamara Lobo, e com o pai, Eike

 

Toda vez que uma celebridade ou endinheirado a bordo de um carro potente de milhares de reais atropela e mata um pedestre ou um ciclista, o país inteiro se lança num processo inquisitório em busca dos culpados. Em geral, o condutor se apressa a apontar o dedo para a vítima, acusando-a de imprudente, como fez hoje Eike Batista ao defender o filho Thor em entrevista à colunista Mônica Bergamo, do jornal Folha de S. Paulo,  e os familiares do pedestre ou ciclista colocam a culpa na má conduta do motorista. Perdida em opiniões e preocupada em reproduzir declarações, a opinião pública dificilmente aponta o dedo para o lado que importa: o das evidências, fatos e provas técnicas.

Todos têm direito ao benefício da dúvida e são inocentes até que se prove o contrário. Por isso, minha intenção aqui não é acusar Thor nem o ciclista, mas levantar algumas dúvidas em relação ao caso. Não sou perita científica, mas, tendo produzido várias matérias sobre acidentes de trânsito e perícias de colisões para várias publicações e como ex-repórter e ex-editora de uma revista especializada em automóveis como a Quatro Rodas, não consegui ficar calada diante das declarações de Eike de que o ciclista foi imprudente e o filho dele correu risco. É possível, sim, que o ciclista Wanderson Pereira da Silva tenha se arriscado mais do que devia ao atravessar a rodovia. Contudo, se isso realmente aconteceu, é pouco provável que a colisão tivesse sido frontal e tão violenta e ele tivesse o corpo tão dilacerado, se Thor não estivesse em alta velocidade.

Wanderson Pereira tinha 30 anos

É difícil acreditar em Thor apenas no papel de vítima, como seu pai alega, simplesmente porque algumas estatísticas, evidências científicas e comportamentais de trânsito nos mostram o contrário. Vejam abaixo meus argumentos, que não refletem a opinião da revista nem da editora para a qual já trabalhei um dia:

1) Se o filho de Eike correu risco, como afirma o empresário, foi porque devia estar em alta velocidade. Segundo dados do National Pedestrian Crash Report do NHTSA, o órgão de trânsito que reúne estatísticas de acidentes nos Estados Unidos, 0,3% dos motoristas envolvidos em atropelamento com vítima fatal morreram nos últimos 10 anos nos Estados Unidos. Em outras palavras, as chances de prejuízos fatais são sempre maiores para o pedestre e para o ciclista e não para os condutores. Logo, pelas estatísticas, era infinitamente baixo o risco de o filho de Eike ter morrido ou se ferido no acidente – a menos que estivesse em alta velocidade. Por outro lado, as chances de morte de Wanderson eram praticamente certas, de 100%, considerando que o carro estivesse a 90 km/h, como Thor afirmou em entrevista. A 70 km/h, o risco de morte de um ciclista ou pedestre já é de 85%.

2) Há grandes chances de a colisão ter sido frontal. Thor diz que o ciclista saiu do acostamento e entrou de repente na pista. Se assim fosse, a maior probabilidade seria o ciclista ter sido atingido de lado e, provavelmente, caído do outro lado do carro. No entanto, o ciclista parece ter sido colhido de frente e voado por cima do capô, o que pode indicar uma colisão frontal – não se sabe se na pista ou se no acostamento, como alega a defesa da vítima. Segundo especialistas, num atropelamento em que a colisão é frontal, o primeiro contato do corpo é com o início do capô. Nas fotos da Mercedes de Thor, é possível ver que a grade frontal foi de fato danificada. Em colisões assim, carros de passeio tendem mesmo a jogar o corpo para cima do capô. Aqui, de novo, as fotos do Mercedes depois do acidente mostram evidências de que isso pode ter mesmo acontecido: o para-brisa e o teto estão completamente destruídos. Para uma melhor compreensão de como acontecem os choques frontais entre carro e corpo humano, veja o infográfico aqui.

3) A Mercedes de Thor deveria estar a pelo menos 80 km/h quando atingiu o rapaz. Segundo legistas, o risco de morte é de praticamente de 100% quando o carro está a mais de 80 km/h. Ultrapassados os 80 km/h, a cada quilômetro a mais, aumentam as chances de fratura na coluna, rompimento de artérias importantes e até desmembramentos e amputações. No caso em questão, testemunhas afirmam que o tórax do ciclista se abriu ao meio, o coração dele foi parar dentro da cabine do motorista e seu corpo foi totalmente dilacerado. O que leva a crer que Thor poderia estar rodando bem acima dos 80 km/h.

4) Qual era a distância do corpo do atropelado em relação ao carro? A distância do corpo da vítima ajuda a entender a dinâmica da colisão e dá pistas sobre a velocidade do carro. A mancha de sangue revela o local do choque. A partir dela, sabe-se por quantos metros o corpo foi arrastado. Se a distância é grande, é porque o veículo devia estar em alta velocidade, o que poderia ser confirmado pelas marcas de frenagem. Para isso, é extremamente importante manter intacta a cena do acidente. No entanto, ao que parece, não se tem nenhuma dessas respostas até agora simplesmente porque a cena da colisão foi alterada e o veículo foi rápida e estranhamente retirado do local.

5) Histórico de imprudência: o motivo da maioria das multas da carteira já “estourada” de Thor era excesso de velocidade. A literatura de trânsito é farta em estudos mostrando que motoristas tendem a repetir o mesmo comportamento imprudente quando não são punidos. Diante disso, o que levaria um garoto na faixa dos 20 anos (a mais propensa a se envolver em atropelamentos com morte, segundo o mesmo relatório do NHTSA) e com histórico de excesso de velocidade ter alterado seu comportamento imprudente justamente naquele dia, tendo nas mãos o volante de um Mercedes-Benz SLR McLaren, que chega a mais de 300 km/h?

Quando recebem punição, no entanto, os motoristas tendem a mudar o jeito de agir no futuro. Há dezenas de estudos na área. O instituto australiano Centre for Accident Research and Road Safety, de Queensland, fez uma pesquisa em 2007 com 309 motoristas que dirigiam sem carteira de motorista e foram punidos. Mediram-se as intenções de dirigir sem habilitação de novo no futuro. A conclusão é que o comportamento imprudente não se repetiria se o motorista percebesse a alta probabilidade de ser preso e se as penas fossem suficientemente severas.

Enquanto não tivermos as respostas para essas dúvidas técnicas, será impossível emitir um veredicto e eximir Thor de qualquer culpa no acidente e acusar Wanderson, o ciclista, como deseja Eike Batista.

* Maria Paola de Salvo é jornalista, foi repórter e editora da revista Quatro Rodas e também repórter de Veja São Paulo, onde costumava cobrir trânsito. Suas opiniões não refletem a posição das revistas ou da editora para a qual já trabalhou um dia.

 

Abaixo, uma reportagem produzida pelo “SBT Brasil” e o excelente comentário da jornalista Rachel Sheherazade sobre o caso:

 
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Publicado por em 21 de Março de 2012 em Sem categoria

 

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