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Bullying homofóbico resulta em agressão física e jovem deixa escola pública no RS

20 Mar

Fonte: Sul 21

Com apenas 15 dias de ano letivo, o aluno da Escola Estadual Onofre Pires, em Santo Ângelo, interior do Rio Grande do Sul, deixou a instituição de ensino para nunca mais voltar. Vítima de bullying desde o começo das aulas, C. T. (15 anos), foi agredido no dia 13 de março por motivação homofóbica. Desde então, o jovem não retornou à escola. Nesta segunda-feira, 19, a 14ª Coordenadoria Regional de Educação foi informada de que a família do jovem retirou o aluno da rede estadual. “A escola não detectou o bullying previamente”, admite o coordenador de educação Adelino Seibt.

Ele conta que o Comitê de Prevenção à Violência da 14ª CRE atua na região e passou a intensificar o trabalho de orientação ao bullying e a homofobia. “Foi o primeiro caso que chegou a agressão física e ao nosso conhecimento. Estamos orientando as escolas a detectar previamente às vítimas de bullying em sala de aula e como lidar com a diversidade sexual na escola”, conta Seibt. Segundo o coordenador, a família optou em retirar o adolescente da rede pública por acreditar que na escola particular ele estará seguro a novos episódios de violência. “Eles não querem falar para onde ele irá, nem expor mais o caso, para preservá-lo”, disse.

A direção da escola foi contatada pelo Sul21 e se recusou a falar sobre o episódio. Porém, no dia da agressão, a diretora Rosane Pedrazza encaminhou o adolescente agredido para registro da ocorrência na Delegacia de Polícia de Pronto Atendimento (DPPA).

O caso segue em processo de investigação policial na Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente de Santo Ângelo. De acordo com a delegada Elaine Maria da Silva, foram infligidas lesões corporais ao menino bem na frente da escola. “Ele disse que já vinha sendo agredido verbalmente. Ao sair da aula no dia da ocorrência, ele achou que seria golpeado com uma faca, mas recebeu uma voadora do menino agressor”, conta.

Ela explica que uma apuração de ato infracional está em curso e as partes serão ouvidas para mais esclarecimentos. Com a constatação da violência, o agressor poderá cumprir medida sócio-educativa e terá acompanhamento da justiça. “Não apreendemos nenhuma arma branca. E, este foi o primeiro registro de bullying por preconceito de orientação sexual”, diz a delegada.

Apesar de a ocorrência ter sido registrada no dia 13 de março, a agressão foi noticiada dois dias depois e mal repercutiu na capital gaúcha. Para o presidente da Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Travestis e Transexuais (ABGLT), Toni Reis, que recebeu a denúncia de C. T. por email, o caso é mais um lamentável fato corriqueiro que ocorre no país. “Recebemos denúncias de agressões deste e de outros tipos diariamente. Não raro os jovens falam em suicídio e demonstram desespero”, disse.

Toni Reis disse que, após orientar sobre os mecanismos de defesa a que o adolescente tinha direito, o jovem não entrou mais em contato com a entidade. “Pelo tom do que ele escreveu, deve estar um tanto traumatizado”, avaliou.

Jovem acusa professores de preconceito

No email enviado à entidade nacional de defesa dos direitos dos homossexuais, C.  T. relata que vinha sofrendo bullying por toda a turma da escola e inclusive com conivência de alguns professores. “Quando perguntei a minha professora de Geografia porque ela não fazia nada enquanto eu sofria agressões verbais, ela disse que ‘a aula é uma democracia’, diz o jovem.

Segundo o adolescente, o que mais incomodava os colegas era o fato de ele assumir sua orientação sexual. “Alguns alunos simulavam sexo oral e anal com um ursinho de pelúcia enquanto me chamavam de viado, viadinho, gayzinho, etc.”, cita no texto. C. T. escreveu que a Escola Estadual Onofre Pires foi a segunda transferência que fez para fugir de bullying homofóbico. Na denúncia à ABGLT, o adolescente revela ter omitido que era gay na delegacia, com receio de sofrer mais desrespeito ou mesmo a negligência com o caso. “Cheguei lá chorando e humilhado. Eu tenho medo que aconteça alguma coisa comigo. Eu queria que alguém me ajudasse, por favor!”, apelou ao final do comunicado.

 

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