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Prostituição em alta: O que leva os homens a procurar sexo pago até os dias de hoje?

21 Nov

Regina Navarro explica os motivos que levam homens (Heterossexuais) a buscar sexo pago até os dias de hoje

 

Texto de: Regina Navarro Lins
Psicanalista, Sexóloga e Escritora
Twitter: @reginanavarro

 

Gilmar, um advogado de 45 anos, se separou da ex-mulher há oito anos e nunca mais quis saber de casamento. Teve alguns namoros que não duraram mais de três ou quatro meses. Segundo ele, havia muitas obrigações a cumprir que o desagradavam e o saldo acabava sendo aborrecimentos. A partir daí, passou a ter encontros casuais com algumas mulheres quando se sentia atraído, mas era cauteloso para não deixar que se transformasse num namoro.

Às vezes alguém que conhecia no escritório ou no fórum ou apresentada por algum amigo. A nova estratégia também não funcionou; as mulheres com quem saía criavam uma expectativa de continuidade que o deixava constrangido. Tomou uma decisão radical, que considera a mais sensata da sua vida: só transar com garotas de programa.

“Já há algum tempo tive a certeza de não querer me relacionar amorosamente com nenhuma mulher. Gosto de morar sozinho e fazer o que quero da vida. Não quero filhos e não sinto falta nenhuma de alguém do meu lado, mas adoro fazer sexo. Quando ainda saía com uma mulher interessante, na verdade meu objetivo principal era transar sem compromisso. Aí, eu a levava para jantar, depois para ouvir música em algum lugar e às cinco horas da manhã a situação era a seguinte: exausto, já tendo gastado a maior grana, eu ainda não sabia se ela ia querer ou não transar comigo. Resolvi simplificar as coisas. Conheço algumas meninas de programa lindas, de 20 e poucos anos, que vêm quando telefono e por quem tenho carinho, mas não sou cobrado em nada. Dinheiro eu já gastava também quando saía com qualquer outra mulher. Afinal, tudo nesse mundo é pago mesmo. A diferença está na maior ou menor dose de hipocrisia que vem junto com o produto. Agora posso escolher só os melhores momentos. Sempre que penso nesse assunto, vem à minha cabeça o lema de uma empresa carioca: “alugar é melhor”.

É curioso, mas até algumas décadas atrás, quando já se previa maior liberação no comportamento sexual dos jovens, acreditou-se que a prostituição tinha os dias contados e tendia a desaparecer completamente.
Quem ia se dispor a pagar para fazer sexo com qualquer uma, quando cada vez se tornava mais fácil para o homem transar com a namorada, amigas ou colegas de trabalho?

E no casamento também se notavam mudanças: as esposas davam sinais de começar a admitir práticas sexuais até então proibidas para mulheres “respeitáveis”. Mas acontece que a prostituição não acabou — agora são meninas de classe média, universitárias, ninfetas, etc. Pelo contrário, proliferou e se sofisticou. Por quê?

A prostituição sempre existiu. Na Antiguidade foi uma instituição sagrada muito comum, chegando a ser exercida nos templos. Em alguns lugares mulheres casadas iam lá e faziam sexo com o sacerdote ou mesmo com um passante desconhecido, realizando assim um ato de adoração a um deus ou uma deusa. Logo, a prostituição não foi sempre a coisa desprezada em que se tornou. As prostitutas eram tratadas com respeito e os homens lhes rendiam homenagens.

Entretanto, na Idade Média as coisas mudaram. Os templos foram fechados e a prostituição, comercializada. Era uma atividade vista como repulsiva, mas necessária à sociedade e por isso tolerada para evitar algo pior. Acreditavam que usando esses serviços, os jovens ficavam desestimulados a praticar o estupro e afastados da homossexualidade. As prostitutas, obrigadas a usar roupas especiais, eram segregadas em locais conhecidos como “zonas de luz vermelha”.

Na cidade de Avignon, elas eram proibidas por lei de tocar em frutas e pão no mercado para não contaminá-los. E no século 15, também na França, o rei Carlos VII reconheceu a necessidade dos serviços oferecidos pelos bordéis para jovens solteiros e autorizou a presença dos maiores de dezesseis anos. Pelos regulamentos estavam excluídos os sacerdotes, homens casados, judeus e leprosos.

Na realidade, as prostitutas sempre foram as guardiãs da moral hipócrita da sociedade. Apesar de desvalorizadas, eram consideradas úteis e necessárias. Do ponto de vista das famílias, elas contribuíam para preservar a castidade das moças que deveriam chegar virgens ao casamento e, ao mesmo tempo, preservavam a ‘virilidade’ do rapaz para que não chegasse virgem ao casamento. Sua contribuição para o casal era óbvia: permitia a esposa se manter ‘respeitável’, enquanto o marido buscava a satisfação de suas necessidades sexuais, impossíveis de serem satisfeitas no casamento, fora de casa.

Mas voltando a nossa questão inicial: Por que, hoje, quando os homens podem encontrar o prazer sexual que desejam com suas namoradas ou esposas, e não havendo, portanto, mais motivo para a prostituição existir, ela continua existindo? Os homens que procuram prostitutas pagam em dinheiro o que for cobrado e não lhes devem mais nada. Se sentem, assim, livres da angústia de tentar corresponder à expectativa de outro tipo de mulher, a que também busca prazer no sexo. Quando o homem está com a prostituta, não precisa se preocupar com o desempenho e em ser avaliado, não interessa se é ou não bom de cama, se seu pênis é pequeno ou fino, se a ejaculação foi precoce ou se a parceira teve ou não orgasmo. Somente seu prazer individual é buscado. Ele não deve à profissional uma declaração de amor, nem mesmo um telefonema depois. Já está tudo pago.

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2 Comentários

Publicado por em 21 de Novembro de 2012 em Discriminação, Sexualidade

 

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2 responses to “Prostituição em alta: O que leva os homens a procurar sexo pago até os dias de hoje?

  1. Cristiano

    21 de Janeiro de 2013 at 00:00

    O seu texto realmente é muito bom, parabéns. No entanto, a sua conclusão é feita sob a ótica feminina, por isso é equivocada. Na verdade, falando de um modo geral, não se trata somente de uma questão de insegurança masculina em relação ao desempenho sexual, mas sobretudo a uma real independência afetiva e emocional. A parte mais chata (e acredito que quase 100% dos homens concorda) é ter que bajular uma mulher, ouvi-la a noite toda, pagar jantar, pagar balada e ainda ter que lidar com ingratidão (quando não pilatntragem). O pior é ter que dividir o mesmo teto com alguém que invariavelmente vai implicar com alguma coisa (sempre acontece). Por isso é mais fácil (não por insegurança, mas por conforto físico e mental) procurar garotas de programa: são mais bonitas, safadas, não enchem o saco e cobram pouco comparado ao que se gastaria com um relacionamento amoroso. Eficaz.

     
  2. Flávio

    10 de Janeiro de 2016 at 20:27

    …apenas o gigolô e o ginecologista ganham dinheiro com mulher pelada….todo o restante só perde…e muito…..o correto é perguntar quando custa antes que seja tarde…………..

     

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