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A nova onda conservadora no Brasil


Texto: WALCYR CARRASCO
é jornalista, autor de livros, peças teatrais e novelas da TV Globo

 

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Muita gente, diante dos discursos e posturas da deputada Myrian Rios (PSD-RJ), acha que ela é simplesmente obtusa. Discordo. A trajetória da deputada prova que burra não é. De atriz sem talento, que posou nua, tornou-se paladina da moral e dos bons costumes. Não é uma trajetória incomum. Mulheres que exibem a sensualidade muitas vezes vivem o que chamo de síndrome de Maria Madalena. Arrependem-se do passado, tornam-se defensoras dos mais rançosos princípios morais e de uma pretensa espiritualidade. É um duplo efeito da lei da gravidade: enquanto o peito cai, o espírito se eleva. Exemplo disso foi Elvira Pagã, vedete do teatro rebolado, primeira a usar biquíni na praia: na maturidade dedicou-se a pintar quadros esotéricos. Já vi acontecer muitas vezes com diabinhas menos famosas. De tão universal, botei a personagem na novela Gabriela, exibida no ano passado pela Globo. “Dorotéia”, interpretada pela atriz Laura Cardoso, não existia no romance original de Jorge Amado. Mas tinha a ver com seu universo. Era a vigilante da moral e dos bons costumes na Ilhéus dos anos 1920. Fiscalizava o comportamento das sinhás e suas filhas e denunciava qualquer transgressão. No final, descobriu-se que na juventude fora prostituta e dançava nua nos cabarés. Magnificamente interpretada por Laura, “Dorotéia” tornou-se ícone na internet, com seus comentários moralizantes.

O que leva uma pessoa a achar que tem o direito de dizer como outra deve pensar e viver?

Conheci Myrian Rios rapidamente quando era casada com o cantor Roberto Carlos. Usava uma microssaia espantosamente curta. Mais tarde se tornou missionária e elegeu-se deputada com o apoio Católico. Faz pouco, teve sancionada pelo governador Sérgio Cabral, do Rio de Janeiro, a lei que estabelece o “programa de resgate de valores morais, sociais, éticos e espirituais”. Ninguém sabe exatamente do que se trata esse programa. Mesmo porque a espiritualidade não é regida pelo Estado. Como Sérgio Cabral não se elegeu papa, nem é bispo evangélico ou babalorixá, nem sequer imagino o que pretenda fazer quanto à lei que sancionou. Myrian Rios foi criticada nas redes sociais. Nem é a primeira vez: no passado, insinuou que os homossexuais seriam pedófilos, provocando revolta generalizada. Mas sinto que não está sozinha nessa cruzada moralista. Uma onda conservadora assola o país. Com frequência, o discurso moral ocupa o lugar do político. Na eleição para a prefeitura em São Paulo, o então candidato e atual prefeito, Fernando Haddad (PT), foi acusado pelo candidato José Serra (PSDB) de tentar distribuir um “kit gay” quando ministro da Educação. Aliás, em 2010, o “kit gay”deixou de ser distribuído após pressão da bancada evangélica.

Há outras evidências: agressões e assassinatos de homossexuais são frequentes; surgiu um movimento contra a legalização da prostituição, proposta pelo deputado Jean Wyllys (PSOL-RJ). Como se estar a favor da legalização equivalesse a defender a prostituição em si. E não somente desejar que as prostitutas tenham direitos como outros trabalhadores.


Pessoalmente, sempre fui muito próximo dos evangélicos. Meu falecido tio Domingos, irmão de minha mãe, foi pastor presbiteriano. Tive um primo missionário na África. Como cristão, aprendi a conviver com quem tem ideias diferentes das minhas. Só não acredito em impor o que a gente pensa ou agredir quem vive de forma diversa. Ultimamente surgiu o evangélico radical. Fundamentalista, que branda princípios supostamente retirados da Bíblia. Embora a doutrina cristã possa ser resumida em “Amai ao próximo como a ti mesmo”. Historicamente, o cristianismo implica abandono do “olho por olho, dente por dente” do Antigo Testamento e propõe uma sociedade mais tolerante. Mas os novos fundamentalistas querem punir, proibir. Políticos não evangélicos – incluindo os que estão em cargos de poder – obedecem, para manter coalizões. O filme Os deuses malditos, de Luchino Visconti (1969), mostra a ascensão do nazismo por meio da manipulação de uma família. Mostra os pequenos e grandes fatos que conduziram a Alemanha naquela direção. Agora, sinto um cheiro ruim de autoritarismo no ar. Há um recuo com relação a conquistas que implicavam na convivência entre os diferentes – a base da democracia, afinal. Quando uma lei pela moral e pelos bons costumes é sancionada, a agressão foi à sociedade. A deputada Myrian Rios é a ponta de um iceberg. Eu me pergunto: o que leva uma pessoa a achar que tem o direito de dizer como outra deve pensar e viver?

 

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Ministra diz que evangélicos querem acabar com religiões africanas

A ministra da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), Luiza Bairros, disse nesta segunda-feira que os ataques às religiões de matriz africana chegaram a um nível insuportável. ‘O pior não é apenas o grande número, mas a gravidade dos casos que têm acontecido. São agressões físicas, ameaças de depredação de casas e comunidades. Nós consideramos que isso chegou em um ponto insuportável e que não se trata apenas de uma disputa religiosa, mas, evidentemente, uma disputa por valores civilizatórios’, disse ao chegar ao ato lembrando o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa no Vale do Anhangabaú, centro de São Paulo.

O número denúncias de intolerância religiosa recebidas pelo Disque 100 da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência cresceu mais de sete vezes em 2012, quando comparada com a estatística de 2011, saindo de 15 para 109 casos registrados.

Para a ministra, os ataques são motivados principalmente por alguns grupos evangélicos. ‘Alguns setores, especialmente evangélicos pentecostais, gostariam que essas manifestações africanas desaparecessem totalmente da sociedade brasileira, o que certamente não ocorrerá’, disse Luíza, que acrescentou que esta semana deverá ser anunciado um plano de apoio às comunidades de matriz africana. ‘Nós queremos fazer com que essas comunidades também sejam beneficiadas pelas políticas públicas’, completou.

No ato promovido pela prefeitura paulistana foi lançada a Secretaria Municipal de Promoção da Igualdade Racial. Segundo o prefeito, Fernando Haddad, a celebração é uma forma de fazer com que as pessoas que ainda têm preconceito contra as religiões afrobrasileiras reflitam sobre a importância da tolerância. ‘Eu penso que a expressiva maioria dos moradores de São Paulo abraça essa causa de convivência pacífica, tranquila, com respeito e a tolerância devida ao semelhante. Agora, existe uma pequena minoria para qual o recado aqui é dado: que há uma grande maioria que quer viver tranquilamente’, disse.

O recado da tolerância também está sendo promovido pelo grupo multirreligioso Paulistanos pela Paz, que há 8 anos atua para conscientizar principalmente a juventude. ‘Nós estamos coordenando visitas a escolas, faculdades para dar palestras, seminários, para trazer esse questionamento à tona. Porque a intolerância brota da incapacidade de conviver com o diferente’, disse o Reverendo Mahesh, coordenador do grupo e representante do Hinduísmo Hare Krishna.

Membro do Centro Cultural Ilê-Ifa, o maestro Roberto Casemiro, também defendeu a atuação com a juventude como forma de combater o preconceito. Na opinião de Casemiro, para muitos jovens, em especial os envolvidos em grupos que promovem o ódio, como os skinheads, falta conhecimento e falta cultura. ‘E quem não tem nem conhecimento, nem cultura, não tem respeito’.

Evangélico de confissão luterana, o pastor Carlos Mussukopf, acredita que a melhor maneira de evitar o preconceito é unindo as diferentes religiões entorno de objetivos e ideias comuns. ‘Devemos procurar o que nos une, o que nos unifique, o que nós temos em comum. E que a gente também saia da teoria, dos encontros de diálogo e passe para a prática. Existem tantos desafios na sociedade que nós vivemos que exigem uma ação unificada também das religiões. Vamos ver questão da população de rua, da natureza’, disse.

Fonte: Portal Terra

 

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Publicado por em 27 de Janeiro de 2013 em Discriminação, Política, Religião

 

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Aos 68 anos, ator José de Abreu declara: “Sou bissexual e daí?”

José de Abreu, o Nilo de “Avenida Brasil”, causou polêmica no Twitter ao defender a homossexualidade e assumir ser bissexual.

“Eu sou bissexual e daí? Posso escolher quem eu beijo? Quando quero beijar uma pessoa não peço atestado de preferência sexual, só depende dela querer. Não posso obriga-la a me beijar. Pouquíssimos gays se atreveriam a fazer que eu fiz em 1975 – Viver com minha mulher (na época  a professora Nara Keiserman) e dois filhos (2 e 3 anos) e com um casal gay que viviam maritalmente durante 2 anos”, escreveu o ator no microblog, na última terça-feira (8).

Os seguidores começaram a questionar quem foram seus pares com quem teve relacionamento bissexual. E José confessou. ”Pena que o Caio Fernando Abreu [jornalista, dramaturgo] morreu. Também morei com ele. Um morreu de AIDS, cuidado pela minha mulher, eu já tinha me separado dela, o outro é um grande diretor de teatro, não vou dizer”.

José de Abreu assumiu após defender os homossexuais de políticos e conservadores. “Tem dias que prefiro homens, tem dias que prefiro mulheres.Tenho que mudar? Eu sou assim, ué. Tenho que ser igual aos outros? Prefiro o que me dá prazer. E prefiro ter a ‘preferência’ que deixa-la nas mãos da natureza… Ou de Deus. Prefiro homens e mulheres que me interesses sexualmente”, defendeu.

O ator contou sobre uma relação que teve com uma bissexual que durou nove anos. “Em 1989 me apaixonei por uma bi. Ficamos juntos e resolvemos ‘tentar’. Seu último namoro tinha sido uma mulher”.

“Eu me relaciono com pessoas, não com rótulos: gay, homossexuais, hétero, sexualidade, sexualismo, opção sexual, estou andando. Se há amor ou tesão, foi. Acho o suprassumo da caretice dividir o mundo entre gays e não gays. Ninguém me ensinou a amar assim. Aprendi a amar na Igreja”, escreveu Abreu.

Zé de Abreu disse que não se importa com a opinião do público sobre esse assunto. ”Estou andando para o que pensam de mim. Sou o que sou, a vida me fez assim. Sem medo de ter medo”.

Fonte: TV FOCO
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RELACIONAMENTO: Preserve sua individualidade na relação

Por: Vanessa Mazza
Graduada em Comunicação Multimídia pela UMESP, é taróloga há mais de 15 anos. Estuda as abordagens desta prática, com o fim de decifrar a complexidade humana, abrangendo em suas consultas temas como feng shui, i ching, astrologia e numerologia.

 

Entenda como é possível viver o amor em liberdade

Distanciar é um verbo que geralmente transmite uma ideia de frieza, de indiferença e, possivelmente por causa disso, temos muita dificuldade em abrir espaço entre nós e nosso amor. Muita gente acredita que respeitar plenamente a vida e a individualidade do outro, permitindo que a pessoa tome suas próprias decisões e escolhas (mesmo que nem sempre coincida com as nossas) é sinal de que não nos importamos o suficiente a ponto de lutar por um consenso. Afinal, muitas vezes é comum e esperado que os casais pensem como uma unidade e não como a junção de dois indivíduos distintos.

Infelizmente, nem sempre é possível chegar a um meio-termo na relação, no que diz respeito a todos os assuntos. Porém, isso não deveria, em tese, confundir a noção dos sentimentos que ambos podem nutrir um pelo outro. Afinal, não é porque alguém cede facilmente aos nossos argumentos que seu sentimento é mais verdadeiro ou profundo do que alguém que nos permite ser verdadeiros conosco.

A liberdade que vem do desapego

Desapego é quando damos liberdade para alguém ser quem realmente é. E só pode demonstrar este sentimento quem ama de verdade. É evidente que existem muitos graus diferentes de amor, já que cada pessoa pode apenas ofertar aquilo que possui de fato. Assim, misturado ao amor pode existir o sentimento de posse, a carência afetiva, a necessidade de ser aceito e o medo de ficar sozinho. Por isso, é natural que tenhamos receio em permitir que nosso amor circule à vontade, tome suas decisões, mantenha sua privacidade e admita o que pensa.

Mas, como às vezes existe muita insegurança em nós, o fato de não “segurar” a pessoa parceira e nem moldá-la às nossas expectativas, pode transmitir a falsa imagem de que não estamos apaixonados. Ou mesmo o outro, que não está acostumado a ter sua identidade respeitada, pode também crer neste ponto de vista.

Por incrível que pareça, investir no distanciamento logo de cara pode ser danoso para a relação. Não por ser errado, mas por não sabermos lidar com ele ainda. Por outro lado, todos nós sabemos o quão perigoso o apego pode ser para um relacionamento, já que nos faz ficar constantemente focados no comportamento alheio, sofrendo quando as coisas não saem do jeito como gostaríamos, julgando quem amamos de forma errada e muitas vezes até impondo condições ou brigando por causas que não valem a pena.

Então, como praticar o distanciamento de forma que ambos aprendam a se libertar das amarras emocionais, continuando a acreditar no amor que possuem um pelo outro? Já que estamos todos aprendendo a sermos mais independentes emocionalmente, este é um processo que pode ser feito com calma e que pode evitar vários conflitos futuros. Veja algumas sugestões:

  • Por mais tempo que você conheça seu amor, evite pensar que já sabe como a pessoa irá reagir, como sente ou pensa sobre determinado assunto ou problema. É sinal de compaixão, respeito e amor querer saber o que seu parceiro está sentindo em relação a determinado assunto, desde que isso aconteça de uma forma livre de julgamentos ou constrangimentos.
  • Mesmo que seja difícil aceitar, entenda que nem sempre o outro concordará com você. Por isso, não force adesões, nem se magoe. Se houver forma de conciliar determinada questão, ótimo. Caso contrário, é bom encontrar uma saída que não prejudique ninguém, nem a relação
  • Se você tiver confiança em quem você é e no que acredita, não precisará provar nada para ninguém.
  • Não exija do outro sacrifícios que você mesmo não está disposto a fazer, pois isso dará margem para a famosa frase: “depois de tudo o que eu fiz por você”.
  • Permita que seu amor realize atividades sozinho ou que desfrute de privacidade. Afinal, tal como você precisa de vez em quando ficar com a família, sair com seus amigos ou meditar em silêncio, a pessoa parceira também pode ter esta necessidade.
  • Se o outro estiver sofrendo por causa de algo, ajude-o, mas não interfira demais e nem tente controlar o processo. Permita que a pessoa aprenda com o que está vivendo. Desse modo, terá mérito por suas conquistas.
  • Não deixe de fazer o que gosta só porque está num relacionamento. Pense que existem três tempos: o tempo da pessoa parceira, o seu tempo e o tempo do casal juntos. Afinal, se cada um tem espaço para se desenvolver, aprender e crescer, quando ficarem juntos estarão sempre trazendo coisas novas e alimentando a relação com energia renovada.
  • Lembre-se que todos nós precisamos de privacidade. Por isso, tente não escancarar demais a intimidade, pois isso gera tensão a longo prazo. Ou seja, permita que o outro chore ou que faça algo sem você encher o momento de palpites. Isso vale também em horas sociais. Por exemplo, se receber uma visita, não chame atenção do seu amor na frente dos outros, nem revele suas intimidades em conversas pseudo-despretensiosas. Também não vale falar sobre os problemas e as dúvidas íntimas da pessoa parceira sem a permissão dela.
  • Não deixe de dizer o que pensa e sente apenas para evitar conflitos. Afinal, reter sua individualidade irá levar você a explodir emocionalmente nos momentos mais impróprios. Por isso, não confunda ser verdadeiro com ser agressivo ou desrespeitoso.

Enfim, se houver distanciamento para que vejamos o outro tal como é, permitindo que tanto ele quanto nós sejamos inteiros, poderemos derramar amor de forma plena e escaparmos de tantos mecanismos de autodefesa que nos fazem perder tempo. Isso nos tira do relacionamento do aqui e agora, e das nossas ilusões do “como deveria ser” ou “do que poderia ter sido”. Afinal, como poderá haver amor sem liberdade?

Fonte: Personare

 

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Publicado por em 26 de Dezembro de 2012 em Sem categoria, Sexualidade

 

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Contrariando Religiosos: Presidente de Uganda pede fim da violência contra LGBTs

Declaração ocorre em meio a possível aprovação de lei que criminaliza homofobia.

Da BBC
Fonte: Gay1

O presidente de Uganda, Yoweri Museveni
(Foto: Reuters)

O presidente de Uganda, Yoweri Museveni, pediu nesta segunda-feira (17/12/2012) o fim da violência contra lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais em meio à eventual aprovação de uma controversa lei anti-LGBT no país.

Em seu primeiro pronunciamento público sobre a lei, Museveni disse que LGBT não devem ser mortos ou perseguidos, mas afirmou que a homossexualidade não deveria ser ‘promovida’.

A primeira versão da lei estipulava a pena de morte, mas o artigo acabou sendo retirado,a homossexualidade é considerada ilegal em Uganda.

A repórter da BBC Catherine Byaruhanga disse que o governo sempre quis deixar claro que a lei foi introduzida por um parlamentar e que não fazia parte da ‘política oficial’ do país.

Segundo ela, Museveni não condenou nem apoiou abertamente a iniciativa, Ministros alertaram os parlamentares que a aprovação da lei teria implicações nas relações exteriores do país,o projeto foi amplamente criticado por países ocidentais, que sugeriram cortar a ajuda financeira a Uganda caso a iniciativa fosse adiante.

A porta-voz do Parlamento ugandense, Rebecaca Kadaga, disse que a lei seria aprovada como um ‘presente de Natal’ para os Cristãos, entretanto, o Parlamento está de recesso até janeiro e não deve votá-la por enquanto.

Aprovação
Se os congressistas do país aprovarem a lei, Museveni terá de sancioná-la antes de torná-la efetiva.

Alguns opositores disseram que a homossexualidade foi introduzida no país por ‘colonizadores europeus’.

Entretanto, Musevani afirmou saber que reis e chefes tribais mantinham relacionamentos com pessoas do mesmo sexo, ainda que secretamente.

O presidente de Uganda acrescentou que havia mencionado ao embaixador americano no país que todas as manifestações sexuais não são feitas publicamente na África, contrariamente às sociedades ocidentais.

‘Eu disse [ao representante americano] que eu sou casado há 39 anos, mas eu nunca a beijei em público ou na minha casa diante de meus filhos’, disse Musevani durante uma cerimônia religiosa, segundo o jornal local ‘New Vision’.

‘Se eu fizesse isso, eu perderia as eleições e, vocês sabem, eu não aceitaria a ideia de perder as eleições’, acrescentou.

Uganda é considerada um país extremamente conservador. Para muitos de seus habitantes, a homossexualidade contraria crenças culturais e religiosas.

Ativistas de direitos LGBT em Uganda afirmam que vivem com medo.

Em 2011, o ativista David Kato foi agredido até a morte, mas a polícia nega que o crime tenha tido relação com sua orientação sexual.

 

MAIS SOBRE A HOMOFOBIA NA ÁFRICA:

 

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Vídeo sobre cotas gera polêmica e reações racistas: “essa conversa não é sobre você”

Vídeo sobre cotas produzido por estudantes de Salvador provoca polêmica na rede e gera reações raivosas e de conotação racial. Atriz que protagoniza o vídeo já foi chamada de “macaca e chimpanzé”

Um vídeo, feito por estudantes e intitulado “Cotas – essa conversa não é sobre você” tem causado polêmica nos últimos dias nas redes sociais. Nos 5 minutos e 17 segundos do vídeo, publicado no mês de novembro no YouTube pelo usuário “jrborges13″, a jovem Juliette Nascimento apresenta um discurso direcionado aos estudantes brancos de classe média.

“Essa conversa não é sobre você”. Vídeo desperta polêmica e ódio na internet.

Neste sábado (15), o vídeo, feito por integrantes da Rede Nacional de Juventude Negra, já alcançou cerca de 108 mil visualizações, sendo que 951 clicaram na opção “Gostei” e 7963 na opção “não gostei”. Recentemente, o site da Veja publicou um texto em que classificou o vídeo como “puro lixo racista” e diz que “prega o confronto racial e de classe”.

Logo na introdução do vídeo, o texto de Tamara Freire, com adaptação de Jr. Borges, deixa clara a ironia da mensagem. “Eu sei como é difícil quando a gente encontra alguém que nos mostra os nossos próprios privilégios, mas deixa eu tentar mais uma vez: me arrisco a dizer que não me importo se você não conseguir entrar naquele curso mega-concorrido que você sempre sonhou porque simplesmente essa conversa não é sobre você”, dispara Juliette Nascimento.

(Clique aqui para ler a íntegra do texto utilizado no vídeo, ou assista ao vídeo no fim desta página)

“Eu sei que você pensa ser o centro das atenções, mas agora você não é o centro das atenções e sei que deve ser um ‘baque’ porque você está sempre acostumado com isso, não é? […] Quando você chora pelo curso que está cada vez mais distante agora, suas lágrimas não me comovem. O que realmente me comove são as lágrimas daqueles que nascem, crescem sem qualquer perspectiva para alimentar o mesmo sonho que você. É sobre essas pessoas que estamos falando”, emenda a estudante.

Em outra parte do vídeo, o texto diz: “(…) Quando você diz que, na verdade, os seus pais pagam o curso somente porque trabalham tanto ou porque você ganha uma bolsa pelas boas notas que tira, eu não me comovo. Não me comovo mesmo! O que me comove é que muitos outros pais trabalham muito mais do que os seus e recebem muito menos por isso”.

Reação

Após a postagem do vídeo, diversos comentários foram feitos.”Afff !! Como se ser rico fosse pecado. E o rico só é rico porque trabalha muito… Que ridículo este vídeo, ela poderia defender o sistema de cotas de outra maneira”, acrescenta outro comentário. “Fazem negrisse e depois querem que não sofram racismo…”, ressalta mais um comentário.

Em entrevista ao Portal Correio Nagô, o diretor do vídeo Jr. Borges contou que estava em casa, quando compartilharam o texto na página dele no facebook. “Eu e minha esposa conversamos e achamos que daria um bom vídeo que foi gravado nos dias 8 e 9 do mês passado. Foi em tempo recorde, em uma semana saiu do projeto e virou arte”, relatou.

O diretor disse ainda que a intenção era provocar o debate. “Óbvio que ver esfregado na cara seus privilégios agride. Mas a nossa intenção não era de agredir, de forma alguma”, destacou.

“O que não esperávamos eram os ataques racistas que aconteceram. Não esperávamos também as acusações de racismo, não acreditamos na sociedade da segregação, por isso nunca imaginamos que a resposta viria em um nível tão baixo.Uma serie de tentativas de desvalidar o que produzimos. Foi muito infantil, mas serviu de aprendizado para sabermos que boa parte deles não esta dispostos nem a dialogar acerca do assunto”, disse.

Publicação

Sobre o texto publicado na Veja, Jr. Borges ressaltou o que chama de posicionamento da revista. “Não podíamos esperar nada diferente da Veja, não é? Uma revista que historicamente se posiciona ao lado das elites brasileiras, que visa atingir ideologicamente os membros da classe média, para que estes sirvam de cinto de contenção dos conflitos de classe, gerados pela própria natureza do capitalismo. Não pregamos confronto racial, nós só dissemos a eles que chega desse discurso ultrapassado que eles fazem”.

Um dos participantes do vídeo chegou a ser reconhecido em um shopping de Salvador. “Juliete relatou um tímido reconhecimento. Pessoas ficaram a encarando constrangidas com a presença dela e este piorou quando ela perguntou se tinha algum problema”. A atriz já foi chamada, no YouTube, segundo relato do grupo, de “macaca, gorila e chimpanzé“.

O diretor relatou que chegou a salvar comentários. “Tem alguns bem interessante, em especial um que o sujeito diz ‘Em 2000 anos de historia, os europeus desbravavam o mar aberto e os continentes. Descobriam e estudavam fenômenos. Inventavam as ciências, a matemática, a filosofia. E o negro africano? Ficou lá na África, com sua “cultura” tribal e questionável. Não avançando em nada. No máximo em algum estilo musical ou outra coisa relacionada. Nada relevante no entanto”.

Para ele, o saldo do vídeo é positivo. “Esperávamos acender o debate, e conseguimos. Foi até maior que imaginávamos. Queremos no fundo que a sociedade brasileira se observe veja que existem cidadãos de segunda classe. Onde a tão falada democracia é uma ferramenta nas mãos de quem aprendeu a segurar o poder, dele passando de geração em geração em suas famílias. Nós questionamos abertamente as estruturas sociais e étnicas do país, o que no Brasil é pecado. Muita gente acredita na democracia racial, esse é um dos grandes empecilhos para que a população entenda o que dizemos”, finalizou.

Participaram também do vídeo Raiane Pedreira, na câmera base e edição e Vaguiner Jorge, na maquiagem e direção teatral.

Assista ao vídeo abaixo

Fonte: Pragmatismo Político

 

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Publicado por em 15 de Dezembro de 2012 em Sem categoria

 

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Vírus da Aids é usado para combater leucemia em menina de 7 anos

Emma Whitehead foi tratada junto com outros 11 pacientes na Pensilvânia.
HIV deficiente alterou células imunes; 2 pessoas estão bem há 2 anos.

A garota americana Emma Whitehead, de 7 anos, conseguiu combater uma leucemia – câncer que atinge os glóbulos brancos do sangue, responsáveis pela defesa do organismo – graças a uma técnica experimental que usa uma forma deficiente do vírus da Aids para alterar as células do sistema imunológico e fazer com que o próprio paciente elimine a doença. As informações são do site do jornal “The New York Times”.

Os resultados obtidos por pesquisadores da Universidade da Pensilvânia em 12 pessoas foram apresentados neste domingo (9) e nesta segunda-feira (10) em uma reunião da Sociedade Americana de Hematologia, em Atlanta.

Emma já havia passado por sessões de quimioterapia, mas a doença voltou duas vezes. Desesperados, os pais procuraram um tratamento novo no Hospital Infantil da Filadélfia, que começou em abril e utilizou a variedade modificada de HIV para reprogramar o sistema de defesa dos pacientes e matar as células cancerosas.

Emma e a mãe, Kari, em Philipsburg, Pensilvânia, no sábado (8) (Foto: Jeff Swensen/The New York Times)

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O tratamento com o remédio tocilizumab, porém, quase matou a menina – que teve 40,5° C de febre, ficou inconsciente e quase irreconhecível de tão inchada. Ela precisou respirar por aparelhos, e familiares e amigos chegaram a se despedir dela.

Hoje, mais de sete meses depois, o câncer desapareceu – mas a cura só é considerada total após um período de cinco anos. Emma voltou à escola, tem tirado notas altas e lê até 50 livrinhos por mês. Ela foi a primeira criança e um dos primeiros seres humanos a ter sucesso com a nova técnica, que dá ao sistema imune do próprio paciente a capacidade permanente de combater a doença.

A garota, que é filha única, foi diagnosticada em 2010 com leucemia linfoide (ou linfoblástica) aguda, que danifica o DNA de um grupo de células na medula óssea, que acabam sendo substituídas por células doentes.

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Três adultos com leucemia crônica também tiveram remissão completa do câncer durante o estudo, e dois deles estão bem há mais de dois anos. Outros quatro adultos melhoraram, mas a doença não desapareceu completamente, e um quinto foi tratado muito recentemente, motivo pelo qual ainda é cedo para ser avaliado.

A outra criança submetida ao processo melhorou, mas depois teve uma recaída. E, em dois adultos, o tratamento não funcionou.

Apesar dos diferentes resultados, especialistas em câncer dizem que a pesquisa é uma grande promessa, porque conseguiu reverter casos aparentemente sem esperança em uma fase de testes ainda inicial.

Os cientistas acreditam que o mesmo método de reprogramação do sistema imune possa ser usado contra tumores de mama e próstata. Segundo o médico Carl June, que lidera os trabalhos, o novo tratamento poderia, no futuro, substituir o transplante de medula óssea – última esperança para indivíduos com leucemia e doenças similares.

Em agosto, a farmacêutica suíça Novartis resolveu apostar na equipe da Pensilvânia e destinará R$ 41,5 milhões para a construção de um centro de pesquisas no campus da universidade, com o objetivo de levar essa terapia para o mercado.

Como funciona o tratamento
Durante o processo, os médicos retiram dos pacientes milhões de células T – um tipo de glóbulo branco do sangue – e inserem novos genes que permitem que essas células matem as cancerosas. Elas fazem isso ao atacar as células B, parte do sistema imune responsável pela “malignização” celular, que leva à leucemia.

A técnica emprega uma forma deficiente do HIV, que é boa para transportar material genético nas células T. As células T alteradas, então, multiplicam-se e começam a destruir o câncer.

Um sinal de que o tratamento está funcionando é que o paciente fica doente, com febre, calafrios, queda na pressão arterial e problemas nos pulmões.

Muitas questões sobre o novo tratamento ainda permanecem, como o fato de se ele realmente funciona e por que às vezes falha. Além disso, ainda não está claro se o corpo dos pacientes precisará passar por alterações permanentes nas células T.

Outro problema é que, assim como elas destroem as células B cancerosas, matam também as saudáveis, deixando as pessoas vulneráveis a certos tipos de infecções – razão pela qual os voluntários precisam receber regularmente proteínas chamadas imunoglobulinas.

Fonte: G1

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SOBRE O VÍRUS HIV – CONFIRA TAMBÉM:

 
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Publicado por em 12 de Dezembro de 2012 em Discriminação

 

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