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Arquivo da Categoria: Discriminação

A nova onda conservadora no Brasil


Texto: WALCYR CARRASCO
é jornalista, autor de livros, peças teatrais e novelas da TV Globo

 

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Muita gente, diante dos discursos e posturas da deputada Myrian Rios (PSD-RJ), acha que ela é simplesmente obtusa. Discordo. A trajetória da deputada prova que burra não é. De atriz sem talento, que posou nua, tornou-se paladina da moral e dos bons costumes. Não é uma trajetória incomum. Mulheres que exibem a sensualidade muitas vezes vivem o que chamo de síndrome de Maria Madalena. Arrependem-se do passado, tornam-se defensoras dos mais rançosos princípios morais e de uma pretensa espiritualidade. É um duplo efeito da lei da gravidade: enquanto o peito cai, o espírito se eleva. Exemplo disso foi Elvira Pagã, vedete do teatro rebolado, primeira a usar biquíni na praia: na maturidade dedicou-se a pintar quadros esotéricos. Já vi acontecer muitas vezes com diabinhas menos famosas. De tão universal, botei a personagem na novela Gabriela, exibida no ano passado pela Globo. “Dorotéia”, interpretada pela atriz Laura Cardoso, não existia no romance original de Jorge Amado. Mas tinha a ver com seu universo. Era a vigilante da moral e dos bons costumes na Ilhéus dos anos 1920. Fiscalizava o comportamento das sinhás e suas filhas e denunciava qualquer transgressão. No final, descobriu-se que na juventude fora prostituta e dançava nua nos cabarés. Magnificamente interpretada por Laura, “Dorotéia” tornou-se ícone na internet, com seus comentários moralizantes.

O que leva uma pessoa a achar que tem o direito de dizer como outra deve pensar e viver?

Conheci Myrian Rios rapidamente quando era casada com o cantor Roberto Carlos. Usava uma microssaia espantosamente curta. Mais tarde se tornou missionária e elegeu-se deputada com o apoio Católico. Faz pouco, teve sancionada pelo governador Sérgio Cabral, do Rio de Janeiro, a lei que estabelece o “programa de resgate de valores morais, sociais, éticos e espirituais”. Ninguém sabe exatamente do que se trata esse programa. Mesmo porque a espiritualidade não é regida pelo Estado. Como Sérgio Cabral não se elegeu papa, nem é bispo evangélico ou babalorixá, nem sequer imagino o que pretenda fazer quanto à lei que sancionou. Myrian Rios foi criticada nas redes sociais. Nem é a primeira vez: no passado, insinuou que os homossexuais seriam pedófilos, provocando revolta generalizada. Mas sinto que não está sozinha nessa cruzada moralista. Uma onda conservadora assola o país. Com frequência, o discurso moral ocupa o lugar do político. Na eleição para a prefeitura em São Paulo, o então candidato e atual prefeito, Fernando Haddad (PT), foi acusado pelo candidato José Serra (PSDB) de tentar distribuir um “kit gay” quando ministro da Educação. Aliás, em 2010, o “kit gay”deixou de ser distribuído após pressão da bancada evangélica.

Há outras evidências: agressões e assassinatos de homossexuais são frequentes; surgiu um movimento contra a legalização da prostituição, proposta pelo deputado Jean Wyllys (PSOL-RJ). Como se estar a favor da legalização equivalesse a defender a prostituição em si. E não somente desejar que as prostitutas tenham direitos como outros trabalhadores.


Pessoalmente, sempre fui muito próximo dos evangélicos. Meu falecido tio Domingos, irmão de minha mãe, foi pastor presbiteriano. Tive um primo missionário na África. Como cristão, aprendi a conviver com quem tem ideias diferentes das minhas. Só não acredito em impor o que a gente pensa ou agredir quem vive de forma diversa. Ultimamente surgiu o evangélico radical. Fundamentalista, que branda princípios supostamente retirados da Bíblia. Embora a doutrina cristã possa ser resumida em “Amai ao próximo como a ti mesmo”. Historicamente, o cristianismo implica abandono do “olho por olho, dente por dente” do Antigo Testamento e propõe uma sociedade mais tolerante. Mas os novos fundamentalistas querem punir, proibir. Políticos não evangélicos – incluindo os que estão em cargos de poder – obedecem, para manter coalizões. O filme Os deuses malditos, de Luchino Visconti (1969), mostra a ascensão do nazismo por meio da manipulação de uma família. Mostra os pequenos e grandes fatos que conduziram a Alemanha naquela direção. Agora, sinto um cheiro ruim de autoritarismo no ar. Há um recuo com relação a conquistas que implicavam na convivência entre os diferentes – a base da democracia, afinal. Quando uma lei pela moral e pelos bons costumes é sancionada, a agressão foi à sociedade. A deputada Myrian Rios é a ponta de um iceberg. Eu me pergunto: o que leva uma pessoa a achar que tem o direito de dizer como outra deve pensar e viver?

 

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Ministra diz que evangélicos querem acabar com religiões africanas

A ministra da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), Luiza Bairros, disse nesta segunda-feira que os ataques às religiões de matriz africana chegaram a um nível insuportável. ‘O pior não é apenas o grande número, mas a gravidade dos casos que têm acontecido. São agressões físicas, ameaças de depredação de casas e comunidades. Nós consideramos que isso chegou em um ponto insuportável e que não se trata apenas de uma disputa religiosa, mas, evidentemente, uma disputa por valores civilizatórios’, disse ao chegar ao ato lembrando o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa no Vale do Anhangabaú, centro de São Paulo.

O número denúncias de intolerância religiosa recebidas pelo Disque 100 da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência cresceu mais de sete vezes em 2012, quando comparada com a estatística de 2011, saindo de 15 para 109 casos registrados.

Para a ministra, os ataques são motivados principalmente por alguns grupos evangélicos. ‘Alguns setores, especialmente evangélicos pentecostais, gostariam que essas manifestações africanas desaparecessem totalmente da sociedade brasileira, o que certamente não ocorrerá’, disse Luíza, que acrescentou que esta semana deverá ser anunciado um plano de apoio às comunidades de matriz africana. ‘Nós queremos fazer com que essas comunidades também sejam beneficiadas pelas políticas públicas’, completou.

No ato promovido pela prefeitura paulistana foi lançada a Secretaria Municipal de Promoção da Igualdade Racial. Segundo o prefeito, Fernando Haddad, a celebração é uma forma de fazer com que as pessoas que ainda têm preconceito contra as religiões afrobrasileiras reflitam sobre a importância da tolerância. ‘Eu penso que a expressiva maioria dos moradores de São Paulo abraça essa causa de convivência pacífica, tranquila, com respeito e a tolerância devida ao semelhante. Agora, existe uma pequena minoria para qual o recado aqui é dado: que há uma grande maioria que quer viver tranquilamente’, disse.

O recado da tolerância também está sendo promovido pelo grupo multirreligioso Paulistanos pela Paz, que há 8 anos atua para conscientizar principalmente a juventude. ‘Nós estamos coordenando visitas a escolas, faculdades para dar palestras, seminários, para trazer esse questionamento à tona. Porque a intolerância brota da incapacidade de conviver com o diferente’, disse o Reverendo Mahesh, coordenador do grupo e representante do Hinduísmo Hare Krishna.

Membro do Centro Cultural Ilê-Ifa, o maestro Roberto Casemiro, também defendeu a atuação com a juventude como forma de combater o preconceito. Na opinião de Casemiro, para muitos jovens, em especial os envolvidos em grupos que promovem o ódio, como os skinheads, falta conhecimento e falta cultura. ‘E quem não tem nem conhecimento, nem cultura, não tem respeito’.

Evangélico de confissão luterana, o pastor Carlos Mussukopf, acredita que a melhor maneira de evitar o preconceito é unindo as diferentes religiões entorno de objetivos e ideias comuns. ‘Devemos procurar o que nos une, o que nos unifique, o que nós temos em comum. E que a gente também saia da teoria, dos encontros de diálogo e passe para a prática. Existem tantos desafios na sociedade que nós vivemos que exigem uma ação unificada também das religiões. Vamos ver questão da população de rua, da natureza’, disse.

Fonte: Portal Terra

 

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Publicado por em 27 de Janeiro de 2013 em Discriminação, Política, Religião

 

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Aos 68 anos, ator José de Abreu declara: “Sou bissexual e daí?”

José de Abreu, o Nilo de “Avenida Brasil”, causou polêmica no Twitter ao defender a homossexualidade e assumir ser bissexual.

“Eu sou bissexual e daí? Posso escolher quem eu beijo? Quando quero beijar uma pessoa não peço atestado de preferência sexual, só depende dela querer. Não posso obriga-la a me beijar. Pouquíssimos gays se atreveriam a fazer que eu fiz em 1975 – Viver com minha mulher (na época  a professora Nara Keiserman) e dois filhos (2 e 3 anos) e com um casal gay que viviam maritalmente durante 2 anos”, escreveu o ator no microblog, na última terça-feira (8).

Os seguidores começaram a questionar quem foram seus pares com quem teve relacionamento bissexual. E José confessou. ”Pena que o Caio Fernando Abreu [jornalista, dramaturgo] morreu. Também morei com ele. Um morreu de AIDS, cuidado pela minha mulher, eu já tinha me separado dela, o outro é um grande diretor de teatro, não vou dizer”.

José de Abreu assumiu após defender os homossexuais de políticos e conservadores. “Tem dias que prefiro homens, tem dias que prefiro mulheres.Tenho que mudar? Eu sou assim, ué. Tenho que ser igual aos outros? Prefiro o que me dá prazer. E prefiro ter a ‘preferência’ que deixa-la nas mãos da natureza… Ou de Deus. Prefiro homens e mulheres que me interesses sexualmente”, defendeu.

O ator contou sobre uma relação que teve com uma bissexual que durou nove anos. “Em 1989 me apaixonei por uma bi. Ficamos juntos e resolvemos ‘tentar’. Seu último namoro tinha sido uma mulher”.

“Eu me relaciono com pessoas, não com rótulos: gay, homossexuais, hétero, sexualidade, sexualismo, opção sexual, estou andando. Se há amor ou tesão, foi. Acho o suprassumo da caretice dividir o mundo entre gays e não gays. Ninguém me ensinou a amar assim. Aprendi a amar na Igreja”, escreveu Abreu.

Zé de Abreu disse que não se importa com a opinião do público sobre esse assunto. ”Estou andando para o que pensam de mim. Sou o que sou, a vida me fez assim. Sem medo de ter medo”.

Fonte: TV FOCO
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Contrariando Religiosos: Presidente de Uganda pede fim da violência contra LGBTs

Declaração ocorre em meio a possível aprovação de lei que criminaliza homofobia.

Da BBC
Fonte: Gay1

O presidente de Uganda, Yoweri Museveni
(Foto: Reuters)

O presidente de Uganda, Yoweri Museveni, pediu nesta segunda-feira (17/12/2012) o fim da violência contra lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais em meio à eventual aprovação de uma controversa lei anti-LGBT no país.

Em seu primeiro pronunciamento público sobre a lei, Museveni disse que LGBT não devem ser mortos ou perseguidos, mas afirmou que a homossexualidade não deveria ser ‘promovida’.

A primeira versão da lei estipulava a pena de morte, mas o artigo acabou sendo retirado,a homossexualidade é considerada ilegal em Uganda.

A repórter da BBC Catherine Byaruhanga disse que o governo sempre quis deixar claro que a lei foi introduzida por um parlamentar e que não fazia parte da ‘política oficial’ do país.

Segundo ela, Museveni não condenou nem apoiou abertamente a iniciativa, Ministros alertaram os parlamentares que a aprovação da lei teria implicações nas relações exteriores do país,o projeto foi amplamente criticado por países ocidentais, que sugeriram cortar a ajuda financeira a Uganda caso a iniciativa fosse adiante.

A porta-voz do Parlamento ugandense, Rebecaca Kadaga, disse que a lei seria aprovada como um ‘presente de Natal’ para os Cristãos, entretanto, o Parlamento está de recesso até janeiro e não deve votá-la por enquanto.

Aprovação
Se os congressistas do país aprovarem a lei, Museveni terá de sancioná-la antes de torná-la efetiva.

Alguns opositores disseram que a homossexualidade foi introduzida no país por ‘colonizadores europeus’.

Entretanto, Musevani afirmou saber que reis e chefes tribais mantinham relacionamentos com pessoas do mesmo sexo, ainda que secretamente.

O presidente de Uganda acrescentou que havia mencionado ao embaixador americano no país que todas as manifestações sexuais não são feitas publicamente na África, contrariamente às sociedades ocidentais.

‘Eu disse [ao representante americano] que eu sou casado há 39 anos, mas eu nunca a beijei em público ou na minha casa diante de meus filhos’, disse Musevani durante uma cerimônia religiosa, segundo o jornal local ‘New Vision’.

‘Se eu fizesse isso, eu perderia as eleições e, vocês sabem, eu não aceitaria a ideia de perder as eleições’, acrescentou.

Uganda é considerada um país extremamente conservador. Para muitos de seus habitantes, a homossexualidade contraria crenças culturais e religiosas.

Ativistas de direitos LGBT em Uganda afirmam que vivem com medo.

Em 2011, o ativista David Kato foi agredido até a morte, mas a polícia nega que o crime tenha tido relação com sua orientação sexual.

 

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Vírus da Aids é usado para combater leucemia em menina de 7 anos

Emma Whitehead foi tratada junto com outros 11 pacientes na Pensilvânia.
HIV deficiente alterou células imunes; 2 pessoas estão bem há 2 anos.

A garota americana Emma Whitehead, de 7 anos, conseguiu combater uma leucemia – câncer que atinge os glóbulos brancos do sangue, responsáveis pela defesa do organismo – graças a uma técnica experimental que usa uma forma deficiente do vírus da Aids para alterar as células do sistema imunológico e fazer com que o próprio paciente elimine a doença. As informações são do site do jornal “The New York Times”.

Os resultados obtidos por pesquisadores da Universidade da Pensilvânia em 12 pessoas foram apresentados neste domingo (9) e nesta segunda-feira (10) em uma reunião da Sociedade Americana de Hematologia, em Atlanta.

Emma já havia passado por sessões de quimioterapia, mas a doença voltou duas vezes. Desesperados, os pais procuraram um tratamento novo no Hospital Infantil da Filadélfia, que começou em abril e utilizou a variedade modificada de HIV para reprogramar o sistema de defesa dos pacientes e matar as células cancerosas.

Emma e a mãe, Kari, em Philipsburg, Pensilvânia, no sábado (8) (Foto: Jeff Swensen/The New York Times)

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O tratamento com o remédio tocilizumab, porém, quase matou a menina – que teve 40,5° C de febre, ficou inconsciente e quase irreconhecível de tão inchada. Ela precisou respirar por aparelhos, e familiares e amigos chegaram a se despedir dela.

Hoje, mais de sete meses depois, o câncer desapareceu – mas a cura só é considerada total após um período de cinco anos. Emma voltou à escola, tem tirado notas altas e lê até 50 livrinhos por mês. Ela foi a primeira criança e um dos primeiros seres humanos a ter sucesso com a nova técnica, que dá ao sistema imune do próprio paciente a capacidade permanente de combater a doença.

A garota, que é filha única, foi diagnosticada em 2010 com leucemia linfoide (ou linfoblástica) aguda, que danifica o DNA de um grupo de células na medula óssea, que acabam sendo substituídas por células doentes.

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Três adultos com leucemia crônica também tiveram remissão completa do câncer durante o estudo, e dois deles estão bem há mais de dois anos. Outros quatro adultos melhoraram, mas a doença não desapareceu completamente, e um quinto foi tratado muito recentemente, motivo pelo qual ainda é cedo para ser avaliado.

A outra criança submetida ao processo melhorou, mas depois teve uma recaída. E, em dois adultos, o tratamento não funcionou.

Apesar dos diferentes resultados, especialistas em câncer dizem que a pesquisa é uma grande promessa, porque conseguiu reverter casos aparentemente sem esperança em uma fase de testes ainda inicial.

Os cientistas acreditam que o mesmo método de reprogramação do sistema imune possa ser usado contra tumores de mama e próstata. Segundo o médico Carl June, que lidera os trabalhos, o novo tratamento poderia, no futuro, substituir o transplante de medula óssea – última esperança para indivíduos com leucemia e doenças similares.

Em agosto, a farmacêutica suíça Novartis resolveu apostar na equipe da Pensilvânia e destinará R$ 41,5 milhões para a construção de um centro de pesquisas no campus da universidade, com o objetivo de levar essa terapia para o mercado.

Como funciona o tratamento
Durante o processo, os médicos retiram dos pacientes milhões de células T – um tipo de glóbulo branco do sangue – e inserem novos genes que permitem que essas células matem as cancerosas. Elas fazem isso ao atacar as células B, parte do sistema imune responsável pela “malignização” celular, que leva à leucemia.

A técnica emprega uma forma deficiente do HIV, que é boa para transportar material genético nas células T. As células T alteradas, então, multiplicam-se e começam a destruir o câncer.

Um sinal de que o tratamento está funcionando é que o paciente fica doente, com febre, calafrios, queda na pressão arterial e problemas nos pulmões.

Muitas questões sobre o novo tratamento ainda permanecem, como o fato de se ele realmente funciona e por que às vezes falha. Além disso, ainda não está claro se o corpo dos pacientes precisará passar por alterações permanentes nas células T.

Outro problema é que, assim como elas destroem as células B cancerosas, matam também as saudáveis, deixando as pessoas vulneráveis a certos tipos de infecções – razão pela qual os voluntários precisam receber regularmente proteínas chamadas imunoglobulinas.

Fonte: G1

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Publicado por em 12 de Dezembro de 2012 em Discriminação

 

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Prostituição em alta: O que leva os homens a procurar sexo pago até os dias de hoje?

Regina Navarro explica os motivos que levam homens (Heterossexuais) a buscar sexo pago até os dias de hoje

 

Texto de: Regina Navarro Lins
Psicanalista, Sexóloga e Escritora
Twitter: @reginanavarro

 

Gilmar, um advogado de 45 anos, se separou da ex-mulher há oito anos e nunca mais quis saber de casamento. Teve alguns namoros que não duraram mais de três ou quatro meses. Segundo ele, havia muitas obrigações a cumprir que o desagradavam e o saldo acabava sendo aborrecimentos. A partir daí, passou a ter encontros casuais com algumas mulheres quando se sentia atraído, mas era cauteloso para não deixar que se transformasse num namoro.

Às vezes alguém que conhecia no escritório ou no fórum ou apresentada por algum amigo. A nova estratégia também não funcionou; as mulheres com quem saía criavam uma expectativa de continuidade que o deixava constrangido. Tomou uma decisão radical, que considera a mais sensata da sua vida: só transar com garotas de programa.

“Já há algum tempo tive a certeza de não querer me relacionar amorosamente com nenhuma mulher. Gosto de morar sozinho e fazer o que quero da vida. Não quero filhos e não sinto falta nenhuma de alguém do meu lado, mas adoro fazer sexo. Quando ainda saía com uma mulher interessante, na verdade meu objetivo principal era transar sem compromisso. Aí, eu a levava para jantar, depois para ouvir música em algum lugar e às cinco horas da manhã a situação era a seguinte: exausto, já tendo gastado a maior grana, eu ainda não sabia se ela ia querer ou não transar comigo. Resolvi simplificar as coisas. Conheço algumas meninas de programa lindas, de 20 e poucos anos, que vêm quando telefono e por quem tenho carinho, mas não sou cobrado em nada. Dinheiro eu já gastava também quando saía com qualquer outra mulher. Afinal, tudo nesse mundo é pago mesmo. A diferença está na maior ou menor dose de hipocrisia que vem junto com o produto. Agora posso escolher só os melhores momentos. Sempre que penso nesse assunto, vem à minha cabeça o lema de uma empresa carioca: “alugar é melhor”.

É curioso, mas até algumas décadas atrás, quando já se previa maior liberação no comportamento sexual dos jovens, acreditou-se que a prostituição tinha os dias contados e tendia a desaparecer completamente.
Quem ia se dispor a pagar para fazer sexo com qualquer uma, quando cada vez se tornava mais fácil para o homem transar com a namorada, amigas ou colegas de trabalho?

E no casamento também se notavam mudanças: as esposas davam sinais de começar a admitir práticas sexuais até então proibidas para mulheres “respeitáveis”. Mas acontece que a prostituição não acabou — agora são meninas de classe média, universitárias, ninfetas, etc. Pelo contrário, proliferou e se sofisticou. Por quê?

A prostituição sempre existiu. Na Antiguidade foi uma instituição sagrada muito comum, chegando a ser exercida nos templos. Em alguns lugares mulheres casadas iam lá e faziam sexo com o sacerdote ou mesmo com um passante desconhecido, realizando assim um ato de adoração a um deus ou uma deusa. Logo, a prostituição não foi sempre a coisa desprezada em que se tornou. As prostitutas eram tratadas com respeito e os homens lhes rendiam homenagens.

Entretanto, na Idade Média as coisas mudaram. Os templos foram fechados e a prostituição, comercializada. Era uma atividade vista como repulsiva, mas necessária à sociedade e por isso tolerada para evitar algo pior. Acreditavam que usando esses serviços, os jovens ficavam desestimulados a praticar o estupro e afastados da homossexualidade. As prostitutas, obrigadas a usar roupas especiais, eram segregadas em locais conhecidos como “zonas de luz vermelha”.

Na cidade de Avignon, elas eram proibidas por lei de tocar em frutas e pão no mercado para não contaminá-los. E no século 15, também na França, o rei Carlos VII reconheceu a necessidade dos serviços oferecidos pelos bordéis para jovens solteiros e autorizou a presença dos maiores de dezesseis anos. Pelos regulamentos estavam excluídos os sacerdotes, homens casados, judeus e leprosos.

Na realidade, as prostitutas sempre foram as guardiãs da moral hipócrita da sociedade. Apesar de desvalorizadas, eram consideradas úteis e necessárias. Do ponto de vista das famílias, elas contribuíam para preservar a castidade das moças que deveriam chegar virgens ao casamento e, ao mesmo tempo, preservavam a ‘virilidade’ do rapaz para que não chegasse virgem ao casamento. Sua contribuição para o casal era óbvia: permitia a esposa se manter ‘respeitável’, enquanto o marido buscava a satisfação de suas necessidades sexuais, impossíveis de serem satisfeitas no casamento, fora de casa.

Mas voltando a nossa questão inicial: Por que, hoje, quando os homens podem encontrar o prazer sexual que desejam com suas namoradas ou esposas, e não havendo, portanto, mais motivo para a prostituição existir, ela continua existindo? Os homens que procuram prostitutas pagam em dinheiro o que for cobrado e não lhes devem mais nada. Se sentem, assim, livres da angústia de tentar corresponder à expectativa de outro tipo de mulher, a que também busca prazer no sexo. Quando o homem está com a prostituta, não precisa se preocupar com o desempenho e em ser avaliado, não interessa se é ou não bom de cama, se seu pênis é pequeno ou fino, se a ejaculação foi precoce ou se a parceira teve ou não orgasmo. Somente seu prazer individual é buscado. Ele não deve à profissional uma declaração de amor, nem mesmo um telefonema depois. Já está tudo pago.

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Publicado por em 21 de Novembro de 2012 em Discriminação, Sexualidade

 

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Deputada de Uganda quer lei antigay como “presente de Natal” para os os Cristãos

Reportagem de Elias Biryabarema
Para Reuters Brasil


CAMPALA, 13 Nov (Reuters) – A presidente do Parlamento de Uganda disse que pretende dar de “presente de Natal” ao país africano a aprovação de uma lei que institui penas duras contra a homossexualidade.

O projeto inicialmente previa a pena de morte para os gays, mas essa possibilidade foi retirada diante da forte reação internacional, inclusive do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, para quem o projeto é “odioso”.

Apesar disso, a versão que tramita atualmente no Parlamento prevê duras penas de prisão, inclusive a perpétua, para pessoas que sejam condenadas por serem homossexuais.

O projeto obriga o veterano presidente Yoweri Museveni a buscar um equilíbrio entre as reivindicações de igrejas evangélicas e as críticas de alguns doadores internacionais que ameaçam retirar sua assistência financeira a Uganda.

“Os ugandenses querem essa lei como presente de Natal. Eles a pediram, e nós lhes daremos esse presente”, disse a deputada Rebecca Kadaga à Reuters nesta terça-feira.

O projeto tramita atualmente numa comissão parlamentar, mas Kadaga, como presidente da Câmara, pode pedir mais pressa na sua passagem ao plenário.

A prática homossexual já é crime em Uganda, bem como em 36 outros países africanos. O novo projeto pune também a “promoção” dos direitos dos homossexuais, bem como qualquer um que “financiar ou patrocinar da homossexualidade” ou tiver “cumplicidade” com a prática.

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