RSS

Arquivo da Categoria: Sexualidade

A nova onda conservadora no Brasil


Texto: WALCYR CARRASCO
é jornalista, autor de livros, peças teatrais e novelas da TV Globo

 

.
Muita gente, diante dos discursos e posturas da deputada Myrian Rios (PSD-RJ), acha que ela é simplesmente obtusa. Discordo. A trajetória da deputada prova que burra não é. De atriz sem talento, que posou nua, tornou-se paladina da moral e dos bons costumes. Não é uma trajetória incomum. Mulheres que exibem a sensualidade muitas vezes vivem o que chamo de síndrome de Maria Madalena. Arrependem-se do passado, tornam-se defensoras dos mais rançosos princípios morais e de uma pretensa espiritualidade. É um duplo efeito da lei da gravidade: enquanto o peito cai, o espírito se eleva. Exemplo disso foi Elvira Pagã, vedete do teatro rebolado, primeira a usar biquíni na praia: na maturidade dedicou-se a pintar quadros esotéricos. Já vi acontecer muitas vezes com diabinhas menos famosas. De tão universal, botei a personagem na novela Gabriela, exibida no ano passado pela Globo. “Dorotéia”, interpretada pela atriz Laura Cardoso, não existia no romance original de Jorge Amado. Mas tinha a ver com seu universo. Era a vigilante da moral e dos bons costumes na Ilhéus dos anos 1920. Fiscalizava o comportamento das sinhás e suas filhas e denunciava qualquer transgressão. No final, descobriu-se que na juventude fora prostituta e dançava nua nos cabarés. Magnificamente interpretada por Laura, “Dorotéia” tornou-se ícone na internet, com seus comentários moralizantes.

O que leva uma pessoa a achar que tem o direito de dizer como outra deve pensar e viver?

Conheci Myrian Rios rapidamente quando era casada com o cantor Roberto Carlos. Usava uma microssaia espantosamente curta. Mais tarde se tornou missionária e elegeu-se deputada com o apoio Católico. Faz pouco, teve sancionada pelo governador Sérgio Cabral, do Rio de Janeiro, a lei que estabelece o “programa de resgate de valores morais, sociais, éticos e espirituais”. Ninguém sabe exatamente do que se trata esse programa. Mesmo porque a espiritualidade não é regida pelo Estado. Como Sérgio Cabral não se elegeu papa, nem é bispo evangélico ou babalorixá, nem sequer imagino o que pretenda fazer quanto à lei que sancionou. Myrian Rios foi criticada nas redes sociais. Nem é a primeira vez: no passado, insinuou que os homossexuais seriam pedófilos, provocando revolta generalizada. Mas sinto que não está sozinha nessa cruzada moralista. Uma onda conservadora assola o país. Com frequência, o discurso moral ocupa o lugar do político. Na eleição para a prefeitura em São Paulo, o então candidato e atual prefeito, Fernando Haddad (PT), foi acusado pelo candidato José Serra (PSDB) de tentar distribuir um “kit gay” quando ministro da Educação. Aliás, em 2010, o “kit gay”deixou de ser distribuído após pressão da bancada evangélica.

Há outras evidências: agressões e assassinatos de homossexuais são frequentes; surgiu um movimento contra a legalização da prostituição, proposta pelo deputado Jean Wyllys (PSOL-RJ). Como se estar a favor da legalização equivalesse a defender a prostituição em si. E não somente desejar que as prostitutas tenham direitos como outros trabalhadores.


Pessoalmente, sempre fui muito próximo dos evangélicos. Meu falecido tio Domingos, irmão de minha mãe, foi pastor presbiteriano. Tive um primo missionário na África. Como cristão, aprendi a conviver com quem tem ideias diferentes das minhas. Só não acredito em impor o que a gente pensa ou agredir quem vive de forma diversa. Ultimamente surgiu o evangélico radical. Fundamentalista, que branda princípios supostamente retirados da Bíblia. Embora a doutrina cristã possa ser resumida em “Amai ao próximo como a ti mesmo”. Historicamente, o cristianismo implica abandono do “olho por olho, dente por dente” do Antigo Testamento e propõe uma sociedade mais tolerante. Mas os novos fundamentalistas querem punir, proibir. Políticos não evangélicos – incluindo os que estão em cargos de poder – obedecem, para manter coalizões. O filme Os deuses malditos, de Luchino Visconti (1969), mostra a ascensão do nazismo por meio da manipulação de uma família. Mostra os pequenos e grandes fatos que conduziram a Alemanha naquela direção. Agora, sinto um cheiro ruim de autoritarismo no ar. Há um recuo com relação a conquistas que implicavam na convivência entre os diferentes – a base da democracia, afinal. Quando uma lei pela moral e pelos bons costumes é sancionada, a agressão foi à sociedade. A deputada Myrian Rios é a ponta de um iceberg. Eu me pergunto: o que leva uma pessoa a achar que tem o direito de dizer como outra deve pensar e viver?

 

CONFIRA TAMBÉM:

 

Anúncios
 

Etiquetas: , , , , , ,

O direito ao próprio corpo – por Tulio Vianna

Por Túlio Vianna
Professor de Direito Penal dos cursos de graduação e pós-graduação da Faculdade de Direito da Universidade Federal de Minas Gerais. Doutor em Direito do Estado pela Universidade Federal do Paraná (2006) e Mestre em Ciências Penais pela Universidade Federal de Minas Gerais (2001), onde também se bacharelou (1999).

 

Uma sociedade não pode ser considerada livre se seus membros não tiverem o direito de dispor de seus próprios corpos. O núcleo do direito à liberdade é a autonomia sobre o próprio corpo e justamente por isso o Direito, a moral e a religião se ocuparam durante tanto tempo em impor regras para regular a livre disposição dos corpos.

O direito ao próprio corpo ainda está longe de ser conquistado e reconhecido como um direito fundamental da pessoa humana. As normas limitando a autonomia dos corpos estão por todas as partes: limitações à sexualidade, ao uso de drogas psicotrópicas, à liberdade de expressão e até mesmo à vida e à morte. Tudo em nome de um suposto bem maior: a coletividade. A maioria destas normas de regulação dos corpos, porém, não evita que haja lesão a direito alheio, mas tão somente impõe um modelo de conduta que a maioria julga adequado.

Estado democrático de direito – é sempre bom frisar – não se confunde com ditadura da maioria. As liberdades individuais só podem ser limitadas se – e somente se – o exercício de uma determinada autonomia provocar dano a outrem. Assim, pessoas, maiores e capazes deveriam ser livres para dispor sobre seus próprios corpos desde que com suas ações não prejudicassem a ninguém. Na prática, porém, o Direito está repleto de normas que limitam ações completamente neutras a terceiros.

A sexualidade sempre foi campo fértil para as limitações jurídicas sobre os corpos. No passado já se puniu até mesmo a fornicação, entendida como o relacionamento sexual por pessoa solteira. A sodomia foi considerada crime no estado do Texas até 2003, quando a decisão da Suprema Corte estadunidense no caso Lawrence v. Texas a considerou inconstitucional. Detalhe: decisão por maioria de 6 a 3.

No Brasil, ainda hoje, pelo código penal em vigor, se um garoto de 13 anos mantiver relação sexual consensual com uma mulher maior de 18 anos (uma prostituta, por exemplo), ela poderá ser condenada a uma pena que varia de 8 a 15 anos (art.217-A CP). Manter casa de prostituição também ainda é crime em nosso país (art.229 CP) numa indevida regulação do corpo de mulheres maiores e capazes que deveriam ter o direito de dispor do seu próprio corpo da forma que considerassem mais conveniente.

Outra pérola de regulação sexual do nosso código penal ainda em vigor é seu art.234 que pune com pena de até 2 anos quem fizer, “importar, exportar, adquirir ou ter sob sua guarda, para fim de comércio, de distribuição ou de exposição pública, escrito, desenho, pintura, estampa ou qualquer objeto obsceno”. Felizmente este último não vem sendo aplicado pelos tribunais há algum tempo, ainda que não haja uma decisão reconhecendo oficialmente sua inconstitucionalidade.

Não bastasse a lei conservadora, os tribunais tendem a ser bastante moralistas na aplicação do Direito quando as questões versam sobre práticas sexuais minoritárias. É paradigmática uma decisão do Tribunal de Justiça de Goiás (Ap. 25220-2/213) que absolveu um acusado de violentar outro homem ao singelo argumento de que a violência teria ocorrido em uma prática de sexo grupal. Nos fundamentos da decisão se lê que: “a prática de sexo grupal é ato que agride a moral e os costumes minimamente civilizados. Se o indivíduo, de forma voluntária e espontânea, participa de orgia promovida por amigos seus, não pode ao final do contubérnio dizer-se vítima de atentado violento ao pudor”(sic). Em outras palavras, pode-se dizer que o tribunal revogou o então crime de atentado violento ao pudor (hoje, estupro), em orgias, negando o direito à liberdade sexual àqueles que optam por práticas sexuais moralmente reprováveis pela maioria.

O Código Civil também parece condenar qualquer prática polígama por parte dos casais ao dispor em seu art.1566, I, que são deveres de ambos os cônjuges a fidelidade recíproca. Uma imposição inaceitável se tratando de pessoas maiores e capazes de decidir sobre as práticas sexuais que lhe aprazem.

Direito à vida e à morte

A relevância ao reconhecimento de um direito fundamental ao próprio corpo, vai muito além da liberdade sexual. São nos direitos à vida e à morte que a regulação jurídica dos corpos se manifesta de forma mais evidente. Questões como aborto, eutanásia, esterilização e muitas outras são reguladas pelo direito, em regra dando pouquíssima liberdade aos interessados de disporem de seus próprios corpos.

Vê-se com clareza isso no direito ao aborto, reconhecido na maioria absoluta dos países da Europa e dos estados americanos. No Brasil, por uma nítida influência religiosa, criou-se a ficção jurídica de que o embrião não é parte do corpo da mãe, pois já teria direitos a serem reconhecidos a partir da concepção. Assim, chegamos a situações absurdas onde fetos anencéfalos possuem mais direitos que a mulher maior e capaz que o carrega no ventre. Uma clara demonstração das dificuldades a serem enfrentadas no reconhecimento do direito à autonomia sobre o próprio corpo.

Também na regulação da morte as restrições são várias. A eutanásia é punida como homicídio (art.121 CP) e o suicídio assistido é punido com penas de até 6 anos (art.122 CP) obrigando-se muitas vezes ao indivíduo mesmo quando consciente a levar uma sobrevida vegetativa contra sua vontade.

A esterilização cirúrgica de pessoas casadas só pode ser realizada com o consentimento expresso do cônjuge (art.10, §5º, da Lei 9.263/96) o que, na prática, limita o direito de muitas mulheres de optarem por não engravidar.

Liberdade de consciência e de expressão

O reconhecimento do direito a dispor do próprio corpo tem como corolário à liberdade de consciência e também a liberdade de alteração de consciência por meio de drogas psicotrópicas, desde que evidentemente o uso de tais drogas não provoque danos a terceiros. Não cabe a um Estado no qual a liberdade é direito fundamental uma atuação paternalista por parte do governo no sentido de proibir que pessoas maiores e capazes provoquem danos a seus corpos. Deve o estado, sim, proteger a saúde de crianças e adolescentes, mas no momento em que se reconhece sua plena capacidade jurídica é preciso que se reconheça também seu direito a usar drogas que alteram sua consciência, ainda que estas lhe venham a causar um eventual dano à saúde.

O que se vê, porém, em relação às drogas psicotrópicas, é uma regulação jurídica dos corpos que chega ao cúmulo de considerar crime o uso recreativo de drogas de baixíssima danosidade ao organismo, como é o caso do cloreto de etila (lança-perfume). Uma controle jurídico obsessivo dos estados de consciência que pune inexplicavelmente o uso de drogas mais leves que o próprio álcool.

O direito ao próprio corpo manifesta-se ainda na liberdade de expressão e na de não expressão, que chamamos de privacidade. É preciso que se reconheça a cada indivíduo o direito de se expressar quando e como queira, mas também o direito de se manter em silêncio e em sossego, longe dos olhares e das câmeras alheias. Por óbvio não se pode admitir que sua expressão ou sua privacidade possa causar dano a direito alheio. Por certo justifica-se seu cerceamento, se a expressão de um pensamento for lesiva à honra ou o exercício da privacidade for lesivo ao direito à informação de interesse público. A regra, porém, deve ser que um indivíduo possa se expressar ou se recolher à sua privacidade conforme sua conveniência o que, lamentavelmente, tem se tornado exceção.

A grande batalha jurídica do século XXI será pela libertação dos corpos das normas impostas pelo arbítrio da maioria. Somos herdeiros de uma cultura religiosa que nos impôs ao longo da história uma infinidade de restrições morais e, posteriormente jurídicas, ao uso de nossos próprios corpos.

Não há nada de democrático na imposição pela maioria de normas de conteúdo exclusivamente moral a uma minoria. Se uma conduta não lesa ou ao menos gera riscos de lesão a direitos alheios, não há por que ser proibida.

A liberdade de um povo não está simplesmente em escolher seus governantes. Não se pode considerar livre um povo que decide os rumos de seu governo, mas que nega a cada um de seus indivíduos a autonomia de decidir sobre os rumos de seu próprio corpo. Liberdade é, antes de tudo, poder decidir sobre o próprio corpo.

post-27-1337273983

 

OUTROS TEXTOS DO TÚLIO VIANNA:

 

Etiquetas: , , , , , , , , ,

Aos 68 anos, ator José de Abreu declara: “Sou bissexual e daí?”

José de Abreu, o Nilo de “Avenida Brasil”, causou polêmica no Twitter ao defender a homossexualidade e assumir ser bissexual.

“Eu sou bissexual e daí? Posso escolher quem eu beijo? Quando quero beijar uma pessoa não peço atestado de preferência sexual, só depende dela querer. Não posso obriga-la a me beijar. Pouquíssimos gays se atreveriam a fazer que eu fiz em 1975 – Viver com minha mulher (na época  a professora Nara Keiserman) e dois filhos (2 e 3 anos) e com um casal gay que viviam maritalmente durante 2 anos”, escreveu o ator no microblog, na última terça-feira (8).

Os seguidores começaram a questionar quem foram seus pares com quem teve relacionamento bissexual. E José confessou. ”Pena que o Caio Fernando Abreu [jornalista, dramaturgo] morreu. Também morei com ele. Um morreu de AIDS, cuidado pela minha mulher, eu já tinha me separado dela, o outro é um grande diretor de teatro, não vou dizer”.

José de Abreu assumiu após defender os homossexuais de políticos e conservadores. “Tem dias que prefiro homens, tem dias que prefiro mulheres.Tenho que mudar? Eu sou assim, ué. Tenho que ser igual aos outros? Prefiro o que me dá prazer. E prefiro ter a ‘preferência’ que deixa-la nas mãos da natureza… Ou de Deus. Prefiro homens e mulheres que me interesses sexualmente”, defendeu.

O ator contou sobre uma relação que teve com uma bissexual que durou nove anos. “Em 1989 me apaixonei por uma bi. Ficamos juntos e resolvemos ‘tentar’. Seu último namoro tinha sido uma mulher”.

“Eu me relaciono com pessoas, não com rótulos: gay, homossexuais, hétero, sexualidade, sexualismo, opção sexual, estou andando. Se há amor ou tesão, foi. Acho o suprassumo da caretice dividir o mundo entre gays e não gays. Ninguém me ensinou a amar assim. Aprendi a amar na Igreja”, escreveu Abreu.

Zé de Abreu disse que não se importa com a opinião do público sobre esse assunto. ”Estou andando para o que pensam de mim. Sou o que sou, a vida me fez assim. Sem medo de ter medo”.

Fonte: TV FOCO
.
CONFIRA TAMBÉM:
 

Etiquetas: , , , , ,

SEXUALIDADE: Será que sou frígida?

A falta de desejo sexual pode ter muitas razões, até mesmo orgânicas

Algumas mulheres não chegam a atender, mas bem que tentam chamá-las por apelidos de marcas de geladeira. Mas, brincadeiras à parte, esse rótulo mesmo que politicamente incorreto tem uma justificativa nada engraçada: a falta de interesse sexual, mais conhecida como a discriminada frigidez. Esse transtorno está presente na vida de muitas mulheres que, por vergonha ou desinformação, se conformam com o jejum de prazer e, com o tempo, até de sexo.

O pejorativo termo frigidez foi substituído pelo respeitosamente correto Disfunção do Desejo Sexual, que significa a falta de prazer na hora do “rala e rola”. E não são poucas as vítimas dessa falta de empolgação. Segundo o ginecologista Eduardo Zlotnik, pesquisando pode-se encontrar cerca de 30% de queixas a esse respeito nos consultórios. “Só que o que pode acontecer é o médico muitas vezes não perguntar sobre a existência desse tipo de problema e a paciente, constrangida em falar, deixar de buscar um tratamento adequado e eficaz”, afirma o ginecologista.

No entanto, vale ressaltar que mulheres que acham que o sexo por si só já está valendo, mas que têm uma estatística orgasmo/transa que não é lá nenhuma maravilha, não possuem esse problema. “Frigidez é uma disfunção sexual caracterizada pela diminuição acentuada ou perda total da libido. A moderna classificação psiquiátrica denomina esse estado de Transtorno da Excitação Sexual Feminina, que não deve ser confundida com o Transtorno Orgástico Feminino, que há interesse sexual, prazer, sem orgasmo”, descreve o psiquiatra Geraldo Ballone.

A resposta sexual feminina se caracteriza pelo trinômio desejo, excitação e orgasmo, e o bloqueio psico-fisiológico que caracteriza a disfunção pode se inserir em qualquer uma dessas fases. “Quando surge na fase do desejo, podemos classificar como uma inapetência sexual ou da libido. A alteração, nessa fase, é a mais comprometedora pois inibe todo o processo sexual. Já quando o bloqueio acontece na excitação, o problema se representa pela alteração na lubrificação vaginal. E, se ele se manifesta na fase orgástica, podemos considerar uma anorgasmia feminina”, acrescenta a sexóloga Margareth Labate.

Problemas hormonais, ginecológicos, estresse e depressão também fazem com que a mulher perca a satisfação sexual

Mas o que pode levar uma mulher a perder o interesse por algo que, teoricamente, só traz alegria? A danada da auto-estima – só podia ter o dedo dela nessa história! – quase sempre tem uma grande parcela de culpa. “A mulher até no sexo é mais romântica do que o homem. Então, quando ela é magoada por ele com críticas, falta de carinho, traição, a auto-estima sofre um baque, fazendo com que ela perca o prazer de fazer sexo”, explica a sexóloga Iara Jukemura, acrescentando que outros fatores também podem influenciar essa inapetência sexual. “Problemas hormonais, ginecológicos, estresse e depressão também fazem com que a mulher perca a satisfação sexual. Ninguém pode atingir um orgasmo estando com uma ferida no cólon do útero ou com problemas emocionais”, diz Iara. Geraldo Ballone também levanta uma outra questão: a sensibilidade feminina. “A mulher vincula sua satisfação e interesse sexuais ao conforto emocional global. Isso quer dizer que se um filho está com febre, se há desemprego na família, conflito doméstico ou qualquer outra coisa que mobilize suas emoções, a sexualidade fica seriamente prejudicada”, revela o psiquiatra.

E, como já foi dito, outro fator que também tem culpa no cartório, só para variar, são os hormônios. No climatério, que é o período que antecede a menopausa, o desejo sexual da mulher sofre um abalo por causa de todas as mudanças hormonais que acontecem nessa época. Outra fase em que os hormônios também aprontam com a nossa libido é o pós-parto. Devido à amamentação, ocorre um aumento da prolactina que inibe a serotonina, que é uma substância relacionada aos transtornos afetivos e de humor. No entanto, a pílula anticoncepcional, que quase sempre é co-autora das agruras femininas, desta vez foi praticamente inocentada. “Pode levar a uma diminuição do desejo, sim. Mas a maioria das mulheres não apresenta problema algum com o uso dela”, garante o ginecologista Eduardo Zlotnik. A sexóloga Iara Jukemura também entra em defesa das pílulas: “Hoje, as pílulas anticoncepcionais estão muito avançadas. É quase impossível alguém sofrer esse tipo de problema por causa delas”, diz ela.

Por isso, procurar um ginecologista para investigar as possíveis causas é essencial e, depois de descartada a hipótese de alguma doença, o tratamento deve-se iniciar no divã de um psicólogo ou sexólogo. “Dores ou deformidades que levam às alterações psíquicas podem também estar entre as causas do problema. Em sexologia, os fatores psicológicos e físicos estão sempre presentes”, comenta Eduardo Zlotnik. E esse tratamento deve ser começado o quanto antes, porque a mulher, além de privada de uma das melhores coisas da vida, poderá incluir na sua rotina mais problemas. “Toda mulher que começa a perder o desejo pelo sexo fica amargurada, enciumada, crítica em relação às outras mulheres, se tornando o que chamamos de mal-amada. A terapia sexual é fundamental para ela se redescobrir, trabalhar sua sensibilidade, suas crenças e sua auto-estima”, finaliza Iara Jukemura.

Fonte: Bolsa da Mulher

 

CONFIRA TAMBÉM:

 
Deixe o seu comentário

Publicado por em 1 de Janeiro de 2013 em Sexualidade

 

Etiquetas: , , , , ,

RELACIONAMENTO: Preserve sua individualidade na relação

Por: Vanessa Mazza
Graduada em Comunicação Multimídia pela UMESP, é taróloga há mais de 15 anos. Estuda as abordagens desta prática, com o fim de decifrar a complexidade humana, abrangendo em suas consultas temas como feng shui, i ching, astrologia e numerologia.

 

Entenda como é possível viver o amor em liberdade

Distanciar é um verbo que geralmente transmite uma ideia de frieza, de indiferença e, possivelmente por causa disso, temos muita dificuldade em abrir espaço entre nós e nosso amor. Muita gente acredita que respeitar plenamente a vida e a individualidade do outro, permitindo que a pessoa tome suas próprias decisões e escolhas (mesmo que nem sempre coincida com as nossas) é sinal de que não nos importamos o suficiente a ponto de lutar por um consenso. Afinal, muitas vezes é comum e esperado que os casais pensem como uma unidade e não como a junção de dois indivíduos distintos.

Infelizmente, nem sempre é possível chegar a um meio-termo na relação, no que diz respeito a todos os assuntos. Porém, isso não deveria, em tese, confundir a noção dos sentimentos que ambos podem nutrir um pelo outro. Afinal, não é porque alguém cede facilmente aos nossos argumentos que seu sentimento é mais verdadeiro ou profundo do que alguém que nos permite ser verdadeiros conosco.

A liberdade que vem do desapego

Desapego é quando damos liberdade para alguém ser quem realmente é. E só pode demonstrar este sentimento quem ama de verdade. É evidente que existem muitos graus diferentes de amor, já que cada pessoa pode apenas ofertar aquilo que possui de fato. Assim, misturado ao amor pode existir o sentimento de posse, a carência afetiva, a necessidade de ser aceito e o medo de ficar sozinho. Por isso, é natural que tenhamos receio em permitir que nosso amor circule à vontade, tome suas decisões, mantenha sua privacidade e admita o que pensa.

Mas, como às vezes existe muita insegurança em nós, o fato de não “segurar” a pessoa parceira e nem moldá-la às nossas expectativas, pode transmitir a falsa imagem de que não estamos apaixonados. Ou mesmo o outro, que não está acostumado a ter sua identidade respeitada, pode também crer neste ponto de vista.

Por incrível que pareça, investir no distanciamento logo de cara pode ser danoso para a relação. Não por ser errado, mas por não sabermos lidar com ele ainda. Por outro lado, todos nós sabemos o quão perigoso o apego pode ser para um relacionamento, já que nos faz ficar constantemente focados no comportamento alheio, sofrendo quando as coisas não saem do jeito como gostaríamos, julgando quem amamos de forma errada e muitas vezes até impondo condições ou brigando por causas que não valem a pena.

Então, como praticar o distanciamento de forma que ambos aprendam a se libertar das amarras emocionais, continuando a acreditar no amor que possuem um pelo outro? Já que estamos todos aprendendo a sermos mais independentes emocionalmente, este é um processo que pode ser feito com calma e que pode evitar vários conflitos futuros. Veja algumas sugestões:

  • Por mais tempo que você conheça seu amor, evite pensar que já sabe como a pessoa irá reagir, como sente ou pensa sobre determinado assunto ou problema. É sinal de compaixão, respeito e amor querer saber o que seu parceiro está sentindo em relação a determinado assunto, desde que isso aconteça de uma forma livre de julgamentos ou constrangimentos.
  • Mesmo que seja difícil aceitar, entenda que nem sempre o outro concordará com você. Por isso, não force adesões, nem se magoe. Se houver forma de conciliar determinada questão, ótimo. Caso contrário, é bom encontrar uma saída que não prejudique ninguém, nem a relação
  • Se você tiver confiança em quem você é e no que acredita, não precisará provar nada para ninguém.
  • Não exija do outro sacrifícios que você mesmo não está disposto a fazer, pois isso dará margem para a famosa frase: “depois de tudo o que eu fiz por você”.
  • Permita que seu amor realize atividades sozinho ou que desfrute de privacidade. Afinal, tal como você precisa de vez em quando ficar com a família, sair com seus amigos ou meditar em silêncio, a pessoa parceira também pode ter esta necessidade.
  • Se o outro estiver sofrendo por causa de algo, ajude-o, mas não interfira demais e nem tente controlar o processo. Permita que a pessoa aprenda com o que está vivendo. Desse modo, terá mérito por suas conquistas.
  • Não deixe de fazer o que gosta só porque está num relacionamento. Pense que existem três tempos: o tempo da pessoa parceira, o seu tempo e o tempo do casal juntos. Afinal, se cada um tem espaço para se desenvolver, aprender e crescer, quando ficarem juntos estarão sempre trazendo coisas novas e alimentando a relação com energia renovada.
  • Lembre-se que todos nós precisamos de privacidade. Por isso, tente não escancarar demais a intimidade, pois isso gera tensão a longo prazo. Ou seja, permita que o outro chore ou que faça algo sem você encher o momento de palpites. Isso vale também em horas sociais. Por exemplo, se receber uma visita, não chame atenção do seu amor na frente dos outros, nem revele suas intimidades em conversas pseudo-despretensiosas. Também não vale falar sobre os problemas e as dúvidas íntimas da pessoa parceira sem a permissão dela.
  • Não deixe de dizer o que pensa e sente apenas para evitar conflitos. Afinal, reter sua individualidade irá levar você a explodir emocionalmente nos momentos mais impróprios. Por isso, não confunda ser verdadeiro com ser agressivo ou desrespeitoso.

Enfim, se houver distanciamento para que vejamos o outro tal como é, permitindo que tanto ele quanto nós sejamos inteiros, poderemos derramar amor de forma plena e escaparmos de tantos mecanismos de autodefesa que nos fazem perder tempo. Isso nos tira do relacionamento do aqui e agora, e das nossas ilusões do “como deveria ser” ou “do que poderia ter sido”. Afinal, como poderá haver amor sem liberdade?

Fonte: Personare

 

CONFIRA TAMBÉM:

 
Deixe o seu comentário

Publicado por em 26 de Dezembro de 2012 em Sem categoria, Sexualidade

 

Etiquetas: , ,

Contrariando Religiosos: Presidente de Uganda pede fim da violência contra LGBTs

Declaração ocorre em meio a possível aprovação de lei que criminaliza homofobia.

Da BBC
Fonte: Gay1

O presidente de Uganda, Yoweri Museveni
(Foto: Reuters)

O presidente de Uganda, Yoweri Museveni, pediu nesta segunda-feira (17/12/2012) o fim da violência contra lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais em meio à eventual aprovação de uma controversa lei anti-LGBT no país.

Em seu primeiro pronunciamento público sobre a lei, Museveni disse que LGBT não devem ser mortos ou perseguidos, mas afirmou que a homossexualidade não deveria ser ‘promovida’.

A primeira versão da lei estipulava a pena de morte, mas o artigo acabou sendo retirado,a homossexualidade é considerada ilegal em Uganda.

A repórter da BBC Catherine Byaruhanga disse que o governo sempre quis deixar claro que a lei foi introduzida por um parlamentar e que não fazia parte da ‘política oficial’ do país.

Segundo ela, Museveni não condenou nem apoiou abertamente a iniciativa, Ministros alertaram os parlamentares que a aprovação da lei teria implicações nas relações exteriores do país,o projeto foi amplamente criticado por países ocidentais, que sugeriram cortar a ajuda financeira a Uganda caso a iniciativa fosse adiante.

A porta-voz do Parlamento ugandense, Rebecaca Kadaga, disse que a lei seria aprovada como um ‘presente de Natal’ para os Cristãos, entretanto, o Parlamento está de recesso até janeiro e não deve votá-la por enquanto.

Aprovação
Se os congressistas do país aprovarem a lei, Museveni terá de sancioná-la antes de torná-la efetiva.

Alguns opositores disseram que a homossexualidade foi introduzida no país por ‘colonizadores europeus’.

Entretanto, Musevani afirmou saber que reis e chefes tribais mantinham relacionamentos com pessoas do mesmo sexo, ainda que secretamente.

O presidente de Uganda acrescentou que havia mencionado ao embaixador americano no país que todas as manifestações sexuais não são feitas publicamente na África, contrariamente às sociedades ocidentais.

‘Eu disse [ao representante americano] que eu sou casado há 39 anos, mas eu nunca a beijei em público ou na minha casa diante de meus filhos’, disse Musevani durante uma cerimônia religiosa, segundo o jornal local ‘New Vision’.

‘Se eu fizesse isso, eu perderia as eleições e, vocês sabem, eu não aceitaria a ideia de perder as eleições’, acrescentou.

Uganda é considerada um país extremamente conservador. Para muitos de seus habitantes, a homossexualidade contraria crenças culturais e religiosas.

Ativistas de direitos LGBT em Uganda afirmam que vivem com medo.

Em 2011, o ativista David Kato foi agredido até a morte, mas a polícia nega que o crime tenha tido relação com sua orientação sexual.

 

MAIS SOBRE A HOMOFOBIA NA ÁFRICA:

 

Etiquetas: , , , , , , , , ,

BOMBA: Homossexualidade não é genética, mas surge no útero, afirma pesquisa

Um estudo publicado na The Quartery Review of Biology por um grupo internacional de cientistas mostra que nós talvez nunca encontremos um “gene gay”.

Segundo os pesquisadores, a orientação sexual não é definida pela genética, mas sim pela epigenética, ou seja, o processo no qual o DNA sofre ação de fatores externos do ambiente. E, no que diz respeito à homossexualidade, o “ambiente” é o próprio útero materno.

A Chave Epigenética

A homossexualidade pode ser explicada pela presença de epi-marcas, segundo William Rice, professor da Universidade da Califórnia, EUA, e Urban Friberg, da Universidade Uppsala, na Suécia. Essas marcas são alavancas temporárias que podem controlar como nossos genes se expressam na gravidez e depois que nascemos.

Há marcas específicas do sexo que passam de pai para filha ou de mãe para filho, diferente de outras marcas, que não costumam passar de geração para geração e terminam “deletadas”. Isso explicaria porque a homossexualidade parece se repetir em famílias, mesmo sem que haja algum motivo genético para isso.

Os mecanismos genéticos são como camadas de informação adicionadas ao nosso DNA. As epi-marcas regulam a expressão dos genes de acordo com as pressões externas. Elas determinam o momento, o local e a quantidade em que esses genes são expressos. Além disso, elas são feitas desde a estaca zero a cada geração, apesar de evidências novas apontarem para a ocasional transferência de uma mãe para seu filho. É esse fenômeno que faz parecer que temos genes compartilhados com nossos parentes.

Masculinização e feminização

Para alcançar os resultados, os dois professores criaram um modelo biológico-matemático para mapear o papel da epigenética na homossexualidade. Para tanto, eles aplicaram a teoria evolutiva em avanços recentes na regulamentação molecular de expressão genética e desenvolvimento sexual dependente de hormônios.

Os dados foram combinados com descobertas recentes do controle epigenético da expressão de genes, principalmente em células-tronco. Com isso, os pesquisadores desenvolveram e apoiam empiricamente um modelo matemática de uma canalização baseada em epigenética, que é a tendência da hereditariedade de restringir o desenvolvimento de novas características em um ou alguns traços. O modelo previu com sucesso a evolução da homossexualidade em homens e mulheres quando epi-marcas canalizadoras passaram de geração em geração com probabilidade diferente de zero.

De acordo com a equipe que conduziu o estudo, “mudanças rastreadas na estrutura de cromatina influenciaram a taxa de transcrição dos genes (codificantes e não codificantes), incluindo reposicionamento de nucleossoma, metilação do DNA e/ou modificação das caudas das histonas, mas sem incluir mudanças na sequência de DNA”.

O modelo resultante previu que a homossexualidade pode ser produzida por herança epigenética transgeracional.

Epi-marcas sexuais são ativadas durante o desenvolvimento fetal para proteger a futura criança de variações naturais excessivas na testosterona, o que ocorre mais tarde na gravidez. Os processos epigenéticos previnem que um feto acabe adquirindo características de outros sexos quando a testosterona atinge altos níveis. Eles também trabalham para impedir que traços sexuais acabem resultando em seus opostos, o que inclui a orientação sexual.

Willian e Urban acreditam terem descoberto, essencialmente, que há epi-marcas “sexualmente antagônicas” que podem às vezes passar para a próxima geração e tornar uma prole de sexo oposto homossexual.

As regras darwinianas de seleção também atuam aqui: essas características epigenéticas podem se proliferar facilmente na população porque elas aumentam a aptidão da mãe e as protegem de variações naturais em hormônios sexuais durante o desenvolvimento do feto. Só em raros casos eles reduzem a aptidão em filhos.

O estudo completo pode ser acessado on-line em The Quarterly Review of Biology, clicando aqui!

Fonte: Jornal Ciência

 

CONFIRA TAMBÉM:

 
2 Comentários

Publicado por em 12 de Dezembro de 2012 em Homo/Bissexualidade, Sexualidade

 

Etiquetas: , , , , , , , , ,