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Aos 68 anos, ator José de Abreu declara: “Sou bissexual e daí?”

José de Abreu, o Nilo de “Avenida Brasil”, causou polêmica no Twitter ao defender a homossexualidade e assumir ser bissexual.

“Eu sou bissexual e daí? Posso escolher quem eu beijo? Quando quero beijar uma pessoa não peço atestado de preferência sexual, só depende dela querer. Não posso obriga-la a me beijar. Pouquíssimos gays se atreveriam a fazer que eu fiz em 1975 – Viver com minha mulher (na época  a professora Nara Keiserman) e dois filhos (2 e 3 anos) e com um casal gay que viviam maritalmente durante 2 anos”, escreveu o ator no microblog, na última terça-feira (8).

Os seguidores começaram a questionar quem foram seus pares com quem teve relacionamento bissexual. E José confessou. ”Pena que o Caio Fernando Abreu [jornalista, dramaturgo] morreu. Também morei com ele. Um morreu de AIDS, cuidado pela minha mulher, eu já tinha me separado dela, o outro é um grande diretor de teatro, não vou dizer”.

José de Abreu assumiu após defender os homossexuais de políticos e conservadores. “Tem dias que prefiro homens, tem dias que prefiro mulheres.Tenho que mudar? Eu sou assim, ué. Tenho que ser igual aos outros? Prefiro o que me dá prazer. E prefiro ter a ‘preferência’ que deixa-la nas mãos da natureza… Ou de Deus. Prefiro homens e mulheres que me interesses sexualmente”, defendeu.

O ator contou sobre uma relação que teve com uma bissexual que durou nove anos. “Em 1989 me apaixonei por uma bi. Ficamos juntos e resolvemos ‘tentar’. Seu último namoro tinha sido uma mulher”.

“Eu me relaciono com pessoas, não com rótulos: gay, homossexuais, hétero, sexualidade, sexualismo, opção sexual, estou andando. Se há amor ou tesão, foi. Acho o suprassumo da caretice dividir o mundo entre gays e não gays. Ninguém me ensinou a amar assim. Aprendi a amar na Igreja”, escreveu Abreu.

Zé de Abreu disse que não se importa com a opinião do público sobre esse assunto. ”Estou andando para o que pensam de mim. Sou o que sou, a vida me fez assim. Sem medo de ter medo”.

Fonte: TV FOCO
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Bissexuais reclamam que são discriminados por héteros e gays

Por: IURI DE CASTRO TÔRRES
Fonte: Folha

Em tempos de discussão sobre orgulho gay e orgulho hétero, 3% da população brasileira diz sofrer preconceito de ambos os lados.

São os bissexuais –mais de 5 milhões no país, segundo pesquisa Datafolha de 2009. Na próxima sexta, dia 23, eles vão comemorar o Dia do Orgulho Bissexual.

Um deles é Fábio*, 17. “Sinto atração pela beleza dos dois”, diz. “As mulheres são mais meigas e suaves, já os homens têm pegada forte, são mais rústicos.”

Como ele, a estudante de ciências sociais Maraiza Adami, 23, também é bi. Ela reclama: “Os héteros acham que ser bi é transitório ou promíscuo. Já os gays, principalmente dentro do movimento LGBT, acham quase uma agressão você ficar com alguém do sexo oposto.”

Especialistas em sexualidade tentam entender as razões do duplo preconceito. O psiquiatra Alexandre Saadeh, especialista em identidade sexual do Hospital das Clínicas, lembra que é muito comum que a bissexualidade seja vista como uma fase anterior à confirmação da homossexualidade.

A bissexual Daniela Furtado, 24, com seu namorado Danilo Milhiorança, 25, heterossexual

Esse mito incomoda tanto Ilana Falci, 21, de Belo Horizonte, que ela quer editar um vídeo com vários bissexuais dando o seu depoimento. “O bi não é uma pessoa em dúvida”, diz ela. “Não precisa decidir se gosta mais de homens ou de mulheres.”

O projeto de Ilana se chama “Sou Visível”. É possível encontrar mais informação sobre ele em bisides.com.

Esse site foi criado por outra bissexual, a estudante de secretariado executivo Daniela Furtado, 24. Um dos seus objetivos é utilizar a página para discutir como lutar contra o que ela chama de “bifobia”.

Os participantes do site reclamam que, apesar da sigla LGBT incluir os bissexuais, gays e lésbicas “negam lugar” a eles no movimento. “Eles se sentem no direito de nos olhar com desconfiança”, diz um dos textos. “Então eu pergunto: o que gays e lésbicas propõem que nós façamos quando o sexo de quem amamos é diferente do nosso?”

Daniela já namorou tanto meninas quanto meninos. Atualmente, está há três anos com Danilo Milhiorança, 25, que é heterossexual.

“Ela foi muito honesta comigo e sempre me fez sentir seguro, então está tudo certo”, diz o rapaz.

Entre os bissexuais famosos, estão os cantores David Bowie e Lady Gaga, o vocalista do Green Day, Billie Joe Armstrong, e as atrizes Megan Fox e Angelina Jolie.

ALGO CURIOSO

Nem todo mundo, porém, é tão convicto da sua bissexualidade quanto esses famosos. E não há nada de errado nisso, diz Maria Helena Vilela, educadora sexual e diretora do instituto Kaplan, que faz estudos sobre sexualidade.

Na adolescência, afirma, é comum a confusão entre admiração e tesão. Muitos jovens, então, acabam tendo experiências com o mesmo sexo, com amigos, por exemplo.

Mas isso não necessariamente os faz homo ou bissexuais, já que a identidade só é completamente estabelecida na fase adulta.

“Os adolescentes têm hormônios saindo pelos ouvidos e maior disponibilidade para o sexo, então é mais complicado separar a curiosidade”, explica Saadeh.

Lúcia*, 18, por exemplo, só transou com garotos, mas, desde o começo do ano, tem experimentado ficar com algumas amigas. “Nunca tinha cruzado minha mente a ideia de ficar com meninas, mas rolou um dia e eu gostei, então estou vendo o que realmente quero”, diz.

*Nomes fictícios

 

 
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Publicado por em 20 de Setembro de 2011 em Discriminação, Homo/Bissexualidade

 

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Estudo mostra que o desejo Bissexual existe

Fonte: Extra Online

Pesquisadores da Northwestern University encontraram evidências científicas de que alguns homens que se identificam como bissexuais são, de fato, sexualmente excitados por homens e mulheres

A constatação não é surpresa para bissexuais, que, há muito tempo, afirmam que a atração erótica, muitas vezes, não se limita a um sexo. Mas por muitos anos a questão da bissexualidade tem intrigado cientistas. Um estudo amplamente divulgado, publicado em 2005, também feito por pesquisadores da Northwestern University, relatou que “em relação à excitação sexual e atração erótica, a bissexualidade masculina existe e pode ser comprovada.”

Mas o estudo pareceu também apoiar o estereótipo de homens bissexuais como homossexuais enrustidos. Agora, num novo estudo, publicado online na revista Biological Psychology, os pesquisadores tiveram critérios mais rigorosos de selecção dos participantes. Para melhorar suas chances de encontrar homens estimulados por mulheres, assim como homens estimulados por homens, os pesquisadores recrutaram sujeitos de espaços on-line especificamente dedicados a promover encontros entre bissexuais.

Os pesquisadores também exigiram que os participantes tivessem experiências sexuais com pelo menos duas pessoas de cada sexo e um relacionamento romântico de no mínimo três meses com pelo menos uma pessoa de cada sexo.

No estudo de 2005, por outro lado, os homens foram recrutados através de anúncios em publicações gays e alternativas e foram identificados como heterossexuais, bissexuais ou homossexuais, critério baseado em respostas a um questionário padrão.

Em ambos os estudos, os homens assistiram vídeos eróticos feitos para homens e mulheres, mostrando intimidade com ambos os sexos, enquanto sensores genitais monitoravam suas respostas em termos de ereção. Enquanto o primeiro estudo relatou que os bissexuais geralmente tinham reações físicas que se assemelhavam às de homossexuais em suas respostas, o novo estudo encontrou os homens bissexuais que responderam fisicamente aos dois tipos de vídeos, masculinos e femininos. Já os homens gays e heterossexuais que participaram do estudo não apresentaram a mesma resposta física, independentemente do vídeo exibido.

Ambos os estudos também descobriram que os bissexuais relataram excitação subjetiva para ambos os sexos, não obstante as suas respostas genitais.

— Alguém que é bissexual pode dizer, ‘Bem, não posso acreditar” — comentou Allen Rosenthal, o principal autor do estudo da Northwestern University, estudante de doutorado em psicologia na universidade. — Mas esta será a resposta a muitos homens bissexuais que tinham ouvido falar sobre o trabalho anterior e que sentiram que os cientistas não os estavam reconhecendo.

O estudo da Northwestern é o segundo publicado este ano para relatar um padrão distinto de excitação sexual entre os homens bissexuais. Em março, um estudo na revista Archives of Sexual Behavior relatou os resultados de uma abordagem diferente para a questão. Como no estudo de Northwestern, os pesquisadores mostraram aos participantes vídeos eróticos de dois homens e duas mulheres. Os participantes foram também monitorados genitalmente, assim como sua excitação subjetiva. Os vídeos também incluíram cenas de relações sexuais entre homens, assim como entre uma mulher e outro homem,.

Os pesquisadores Jerome Cerny, professor de psicologia aposentada da Indiana State University, e Erick Janssen, cientista sênior do Instituto Kinsey descobriram que os homens bissexuais eram mais suscetíveis do que os heterossexuais ou gays a experimentar excitação tanto genital e quanto subjetiva, enquanto assistiam esses vídeos.

A Dra. Lisa Diamond, professora de psicologia da Universidade de Utah e especialista em orientação sexual, disse que os dois novos estudos, em conjunto, representaram um passo significativo para demonstrar que os bissexuais têm padrões de excitação específica.

— Entrevistei um monte de pessoas sobre como é desanimador quando seus próprios familiares acham que eles estão confusos ou passando por uma fase ruim ou em negação de sua condição sexual — disse ela. — Estas linhas convergentes de evidências, usando diferentes métodos e estímulos dá-nos a confiança científica para dizer que a condição bissexual é algo real.

Os novos estudos são relativamente pequenos em tamanho, tornando-se difícil traçar generalidades, especialmente desde que os homens bissexuais podem ter níveis variados de atração sexual, romântico e emocional para os parceiros de ambos os sexos.

Os estudos não revelam nada sobre os padrões de excitação entre as mulheres bissexuais. O estudo incluiu 100 homens selecionados pela Northwestern, estritamente divididos entre bissexuais, heterossexuais e homossexuais. O estudo feito por Archives of Sexual Behavior incluiu 59 participantes, entre eles 13 bissexuais confessadamente.

O novo estudo da Northwestern foi financiado em parte pelo Instituto Americano de Bissexualidade, um grupo que promove pesquisa e educação sobre bissexualidade. Ainda assim, defensores expressam sentimentos mistos sobre a pesquisa.

Jim Larsen, 53 anos, presidente do Projeto de Organização Bissexual, grupo de defesa baseado em Minnesota, disse que as descobertas poderiam ajudar bissexuais ainda estão lutando para aceitar a si mesmos.

— É ótimo que os cientistas publiquem a afirmação que a bissexualidade existe. Tendo dito isso, eles estão provando o que nós, na comunidade, já conhecemos. Eu acho que é lamentável que alguém duvide de um indivíduo que diz: ‘Isto é o que eu sou e quem eu sou.”

Ellyn Ruthstrom, presidente do Centro de Recursos Bissexuais em Boston, repetiu desconforto Larsen.

— Assim é a sexualidade e são as relações de estimulação sexual. Os pesquisadores querem enquadrar a atração bissexual em uma pequena categoria — você tem que ser exatamente o mesmo, atraído por homens e mulheres, e então você é bissexual. Isso é um absurdo. O que eu amo é que as pessoas expressam sua bissexualidade em tantas maneiras diferentes.

Apesar de seu louvor ao cuidado com a nova pesquisa, Dr. Diamond também observou que o tipo de excitação sexual testada nos estudos é apenas um elemento de orientação sexual e de identidade. E simplesmente interpretar os resultados sobre a excitação sexual é complicado porque o monitoramento da resposta genital para imagens eróticas em um ambiente de laboratório não pode replicar uma real interação humana, acrescentou.

— A excitação sexual é uma coisa muito complicada. O fenômeno real no dia-a-dia é extremamente confuso e multifatorial…

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Publicado por em 28 de Agosto de 2011 em Homo/Bissexualidade, Sexualidade

 

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“…e eu gosto de meninos e meninas..” – A Bissexualidade na sociedade

Texto de: * Giselle Jacques, jornalista, cineasta, escritora e autora do livro de temática gay A Casa da Montanha (contato: thendara@gmail.com)
Fonte: Blog Subvertendo Convenções

Estava eu conversando dia desses sobre bissexualidade e o assunto me chamou a atenção, dadas as conjunturas sociais comumente aceitas. É, aceitas! Parece incrível, mas a bissexualidade é menos rejeitada socialmente do que a homossexualidade propriamente dita.

Segundo a Wikipédia, bissexual é aquele indivíduo que sente “atração física e emocional por pessoas tanto do mesmo sexo quanto do oposto, com níveis variantes de interesse por cada um, e à identidade correspondente a esta orientação sexual”. Ou seja, meninos e meninas que gosta de meninas e meninos. Confere?

Todavia, em termos “morais”, mesmo tendo atração pelo mesmo sexo em boa porcentagem das vezes, uma pessoa bissexual não é vista como uma aberração tão assustadora, ou tão diabólica, quanto o homossexual. E isso é histórico. Explico: Era comum aos senhores de terras manterem suas esposas e suas amantes, mas também seus “escravos de alcova” para diversão. Ninguém reclamava. Era comum gregos e romanos, casados e pais, terem efebos sob sua proteção, ou seja, meninos a quem educavam e com quem mantinham relações homoafetivas. No oriente médio, grandes marajás (ou algo do tipo) mantinham mulheres e homens em seus haréns. Ninguém os chamava de veados. Essa “vista grossa” ainda perdura, de certa maneira. Uma espécie de concessão velada a práticas ditas amorais.

No que diz respeito a mulheres, a hipocrisia social vai bem mais longe. Alguns autointitulados especialistas até afirmam que todas as mulheres tem um quê homoerótico e que, assim, a bissexualidade feminina é latente. Menina beijar menina pode, em festas e ambientes socialmente favoráveis. Os meninos até gostam, não é verdade? Numa transa a três, é permitido e incentivado que as meninas se toquem. Afinal, é um joguinho inofensivo, e elas acabam mesmo transando com o menino.

Até pra sair do armário as pessoas ainda usam a tática de “Mãe, pai, eu sou bi”. A tendência pelos dois gêneros é um atenuante ao “Mãe, pai, eu sou gay”. Cansamos de ver garotos que tentam e tentam se relacionar com garotas, ou garotas que se esforçam por gostar de garotos. Não seria isso uma autorrepressão? Não seria quase “homofobizar-se”? É mesmo necessário se passar por bissexual? Qual o limite verdadeiro entre o bi e o homo? Como explicar a um/uma adolescente que ele/ela pode, sim, gostar de ambos os sexos?

O próprio Relatório Kinsey classificou o total da população americana entre 60 e 70% de bissexuais, pelos parâmetros da pesquisa da época. Na minha opinião, é um tema muito pouco falado nos meios de comunicação de que dispomos. Eu chamaria de tabu o assunto bissexualidade. Esse comportamento, esses quereres, com certeza dão um nó na mente de qualquer um. Não é um desvio comportamental, não é ser hétero, não é ser gay.

Então, o que seria? Alguém responde essa?

 
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Publicado por em 5 de Junho de 2011 em Homo/Bissexualidade, Reflexões

 

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