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SEXUALIDADE: Será que sou frígida?

A falta de desejo sexual pode ter muitas razões, até mesmo orgânicas

Algumas mulheres não chegam a atender, mas bem que tentam chamá-las por apelidos de marcas de geladeira. Mas, brincadeiras à parte, esse rótulo mesmo que politicamente incorreto tem uma justificativa nada engraçada: a falta de interesse sexual, mais conhecida como a discriminada frigidez. Esse transtorno está presente na vida de muitas mulheres que, por vergonha ou desinformação, se conformam com o jejum de prazer e, com o tempo, até de sexo.

O pejorativo termo frigidez foi substituído pelo respeitosamente correto Disfunção do Desejo Sexual, que significa a falta de prazer na hora do “rala e rola”. E não são poucas as vítimas dessa falta de empolgação. Segundo o ginecologista Eduardo Zlotnik, pesquisando pode-se encontrar cerca de 30% de queixas a esse respeito nos consultórios. “Só que o que pode acontecer é o médico muitas vezes não perguntar sobre a existência desse tipo de problema e a paciente, constrangida em falar, deixar de buscar um tratamento adequado e eficaz”, afirma o ginecologista.

No entanto, vale ressaltar que mulheres que acham que o sexo por si só já está valendo, mas que têm uma estatística orgasmo/transa que não é lá nenhuma maravilha, não possuem esse problema. “Frigidez é uma disfunção sexual caracterizada pela diminuição acentuada ou perda total da libido. A moderna classificação psiquiátrica denomina esse estado de Transtorno da Excitação Sexual Feminina, que não deve ser confundida com o Transtorno Orgástico Feminino, que há interesse sexual, prazer, sem orgasmo”, descreve o psiquiatra Geraldo Ballone.

A resposta sexual feminina se caracteriza pelo trinômio desejo, excitação e orgasmo, e o bloqueio psico-fisiológico que caracteriza a disfunção pode se inserir em qualquer uma dessas fases. “Quando surge na fase do desejo, podemos classificar como uma inapetência sexual ou da libido. A alteração, nessa fase, é a mais comprometedora pois inibe todo o processo sexual. Já quando o bloqueio acontece na excitação, o problema se representa pela alteração na lubrificação vaginal. E, se ele se manifesta na fase orgástica, podemos considerar uma anorgasmia feminina”, acrescenta a sexóloga Margareth Labate.

Problemas hormonais, ginecológicos, estresse e depressão também fazem com que a mulher perca a satisfação sexual

Mas o que pode levar uma mulher a perder o interesse por algo que, teoricamente, só traz alegria? A danada da auto-estima – só podia ter o dedo dela nessa história! – quase sempre tem uma grande parcela de culpa. “A mulher até no sexo é mais romântica do que o homem. Então, quando ela é magoada por ele com críticas, falta de carinho, traição, a auto-estima sofre um baque, fazendo com que ela perca o prazer de fazer sexo”, explica a sexóloga Iara Jukemura, acrescentando que outros fatores também podem influenciar essa inapetência sexual. “Problemas hormonais, ginecológicos, estresse e depressão também fazem com que a mulher perca a satisfação sexual. Ninguém pode atingir um orgasmo estando com uma ferida no cólon do útero ou com problemas emocionais”, diz Iara. Geraldo Ballone também levanta uma outra questão: a sensibilidade feminina. “A mulher vincula sua satisfação e interesse sexuais ao conforto emocional global. Isso quer dizer que se um filho está com febre, se há desemprego na família, conflito doméstico ou qualquer outra coisa que mobilize suas emoções, a sexualidade fica seriamente prejudicada”, revela o psiquiatra.

E, como já foi dito, outro fator que também tem culpa no cartório, só para variar, são os hormônios. No climatério, que é o período que antecede a menopausa, o desejo sexual da mulher sofre um abalo por causa de todas as mudanças hormonais que acontecem nessa época. Outra fase em que os hormônios também aprontam com a nossa libido é o pós-parto. Devido à amamentação, ocorre um aumento da prolactina que inibe a serotonina, que é uma substância relacionada aos transtornos afetivos e de humor. No entanto, a pílula anticoncepcional, que quase sempre é co-autora das agruras femininas, desta vez foi praticamente inocentada. “Pode levar a uma diminuição do desejo, sim. Mas a maioria das mulheres não apresenta problema algum com o uso dela”, garante o ginecologista Eduardo Zlotnik. A sexóloga Iara Jukemura também entra em defesa das pílulas: “Hoje, as pílulas anticoncepcionais estão muito avançadas. É quase impossível alguém sofrer esse tipo de problema por causa delas”, diz ela.

Por isso, procurar um ginecologista para investigar as possíveis causas é essencial e, depois de descartada a hipótese de alguma doença, o tratamento deve-se iniciar no divã de um psicólogo ou sexólogo. “Dores ou deformidades que levam às alterações psíquicas podem também estar entre as causas do problema. Em sexologia, os fatores psicológicos e físicos estão sempre presentes”, comenta Eduardo Zlotnik. E esse tratamento deve ser começado o quanto antes, porque a mulher, além de privada de uma das melhores coisas da vida, poderá incluir na sua rotina mais problemas. “Toda mulher que começa a perder o desejo pelo sexo fica amargurada, enciumada, crítica em relação às outras mulheres, se tornando o que chamamos de mal-amada. A terapia sexual é fundamental para ela se redescobrir, trabalhar sua sensibilidade, suas crenças e sua auto-estima”, finaliza Iara Jukemura.

Fonte: Bolsa da Mulher

 

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Publicado por em 1 de Janeiro de 2013 em Sexualidade

 

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Pesquisa revela que metade dos homens tem HPV

Cerca de 50% dos homens que participaram de um estudo populacional estavam infectados com o papilomavírus humano (HPV, na sigla em inglês). O trabalho, publicado na revista científica The Lancet, analisou voluntários saudáveis de três países: Brasil, México e Estados Unidos..
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O resultado surpreendeu os especialistas, pois revelou uma prevalência muito maior que a encontrada em estudos semelhantes com mulheres, quando o porcentual de infecção pelo vírus não ultrapassa 20%.
Nos homens e nas mulheres, o HPV pode causar câncer, embora, nas mulheres, a evolução para displasias -quadro prévio ao tumor – seja mais comum (leia nesta página). O contágio ocorre principalmente por via sexual, mas, ao contrário do HIV, o uso de PRESERVATIVO não é tão eficaz.

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O estudo analisou 1.159 homens com idades entre 18 e 70 anos. Todos estavam saudáveis ao ingressar no estudo, diz Luisa Villa, coautora do artigo e pesquisadora do Instituto Ludwig de Pesquisa sobre o Câncer e coordenadora do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia do HPV (INCT-HPV), na Santa Casa de Misericórdia de São Paulo.
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Os voluntários não podiam relatar histórico de câncer no ânus ou no pênis, bem como a presença de verrugas genitais. Também não podiam apresentar infecção pelo HIV. Todos residiam na cidade de São Paulo, no sul da Flórida ou em Cuernavaca, no México. “A maioria das pessoas pensa que HPV é um vírus associado predominantemente às mulheres: esse estudo revela que os homens são os principais infectados”, afirma José Eduardo Levi, do Instituto de Medicina Tropical de São Paulo, na USP. Levi não participou do estudo, mas há vários anos pesquisa testes moleculares para HPV.
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Variedade. Há vários tipos de HPV. Nem todos estão associados ao câncer. A pesquisa mostrou também que 30% dos homens estudados estavam infectados com tipos do vírus ligados ao surgimento de câncer.
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“Descobrimos uma forte correlação entre a incidência da doença e o número de parceiros”, recorda Luisa. Homens que tiveram mais de 50 parceiras apresentaram uma chance 2,4 vezes maior de contrair a doença quando comparados a homens com uma ou nenhuma parceira sexual. Homens que realizaram sexo anal com outros homens mais de três vezes também apresentaram uma incidência da doença 2,6 vezes maior quando comparados a homens sem parceiros recentes.
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Fonte: “O Estado de São Paulo” 01/03/2011
 
 

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