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O direito ao próprio corpo – por Tulio Vianna

Por Túlio Vianna
Professor de Direito Penal dos cursos de graduação e pós-graduação da Faculdade de Direito da Universidade Federal de Minas Gerais. Doutor em Direito do Estado pela Universidade Federal do Paraná (2006) e Mestre em Ciências Penais pela Universidade Federal de Minas Gerais (2001), onde também se bacharelou (1999).

 

Uma sociedade não pode ser considerada livre se seus membros não tiverem o direito de dispor de seus próprios corpos. O núcleo do direito à liberdade é a autonomia sobre o próprio corpo e justamente por isso o Direito, a moral e a religião se ocuparam durante tanto tempo em impor regras para regular a livre disposição dos corpos.

O direito ao próprio corpo ainda está longe de ser conquistado e reconhecido como um direito fundamental da pessoa humana. As normas limitando a autonomia dos corpos estão por todas as partes: limitações à sexualidade, ao uso de drogas psicotrópicas, à liberdade de expressão e até mesmo à vida e à morte. Tudo em nome de um suposto bem maior: a coletividade. A maioria destas normas de regulação dos corpos, porém, não evita que haja lesão a direito alheio, mas tão somente impõe um modelo de conduta que a maioria julga adequado.

Estado democrático de direito – é sempre bom frisar – não se confunde com ditadura da maioria. As liberdades individuais só podem ser limitadas se – e somente se – o exercício de uma determinada autonomia provocar dano a outrem. Assim, pessoas, maiores e capazes deveriam ser livres para dispor sobre seus próprios corpos desde que com suas ações não prejudicassem a ninguém. Na prática, porém, o Direito está repleto de normas que limitam ações completamente neutras a terceiros.

A sexualidade sempre foi campo fértil para as limitações jurídicas sobre os corpos. No passado já se puniu até mesmo a fornicação, entendida como o relacionamento sexual por pessoa solteira. A sodomia foi considerada crime no estado do Texas até 2003, quando a decisão da Suprema Corte estadunidense no caso Lawrence v. Texas a considerou inconstitucional. Detalhe: decisão por maioria de 6 a 3.

No Brasil, ainda hoje, pelo código penal em vigor, se um garoto de 13 anos mantiver relação sexual consensual com uma mulher maior de 18 anos (uma prostituta, por exemplo), ela poderá ser condenada a uma pena que varia de 8 a 15 anos (art.217-A CP). Manter casa de prostituição também ainda é crime em nosso país (art.229 CP) numa indevida regulação do corpo de mulheres maiores e capazes que deveriam ter o direito de dispor do seu próprio corpo da forma que considerassem mais conveniente.

Outra pérola de regulação sexual do nosso código penal ainda em vigor é seu art.234 que pune com pena de até 2 anos quem fizer, “importar, exportar, adquirir ou ter sob sua guarda, para fim de comércio, de distribuição ou de exposição pública, escrito, desenho, pintura, estampa ou qualquer objeto obsceno”. Felizmente este último não vem sendo aplicado pelos tribunais há algum tempo, ainda que não haja uma decisão reconhecendo oficialmente sua inconstitucionalidade.

Não bastasse a lei conservadora, os tribunais tendem a ser bastante moralistas na aplicação do Direito quando as questões versam sobre práticas sexuais minoritárias. É paradigmática uma decisão do Tribunal de Justiça de Goiás (Ap. 25220-2/213) que absolveu um acusado de violentar outro homem ao singelo argumento de que a violência teria ocorrido em uma prática de sexo grupal. Nos fundamentos da decisão se lê que: “a prática de sexo grupal é ato que agride a moral e os costumes minimamente civilizados. Se o indivíduo, de forma voluntária e espontânea, participa de orgia promovida por amigos seus, não pode ao final do contubérnio dizer-se vítima de atentado violento ao pudor”(sic). Em outras palavras, pode-se dizer que o tribunal revogou o então crime de atentado violento ao pudor (hoje, estupro), em orgias, negando o direito à liberdade sexual àqueles que optam por práticas sexuais moralmente reprováveis pela maioria.

O Código Civil também parece condenar qualquer prática polígama por parte dos casais ao dispor em seu art.1566, I, que são deveres de ambos os cônjuges a fidelidade recíproca. Uma imposição inaceitável se tratando de pessoas maiores e capazes de decidir sobre as práticas sexuais que lhe aprazem.

Direito à vida e à morte

A relevância ao reconhecimento de um direito fundamental ao próprio corpo, vai muito além da liberdade sexual. São nos direitos à vida e à morte que a regulação jurídica dos corpos se manifesta de forma mais evidente. Questões como aborto, eutanásia, esterilização e muitas outras são reguladas pelo direito, em regra dando pouquíssima liberdade aos interessados de disporem de seus próprios corpos.

Vê-se com clareza isso no direito ao aborto, reconhecido na maioria absoluta dos países da Europa e dos estados americanos. No Brasil, por uma nítida influência religiosa, criou-se a ficção jurídica de que o embrião não é parte do corpo da mãe, pois já teria direitos a serem reconhecidos a partir da concepção. Assim, chegamos a situações absurdas onde fetos anencéfalos possuem mais direitos que a mulher maior e capaz que o carrega no ventre. Uma clara demonstração das dificuldades a serem enfrentadas no reconhecimento do direito à autonomia sobre o próprio corpo.

Também na regulação da morte as restrições são várias. A eutanásia é punida como homicídio (art.121 CP) e o suicídio assistido é punido com penas de até 6 anos (art.122 CP) obrigando-se muitas vezes ao indivíduo mesmo quando consciente a levar uma sobrevida vegetativa contra sua vontade.

A esterilização cirúrgica de pessoas casadas só pode ser realizada com o consentimento expresso do cônjuge (art.10, §5º, da Lei 9.263/96) o que, na prática, limita o direito de muitas mulheres de optarem por não engravidar.

Liberdade de consciência e de expressão

O reconhecimento do direito a dispor do próprio corpo tem como corolário à liberdade de consciência e também a liberdade de alteração de consciência por meio de drogas psicotrópicas, desde que evidentemente o uso de tais drogas não provoque danos a terceiros. Não cabe a um Estado no qual a liberdade é direito fundamental uma atuação paternalista por parte do governo no sentido de proibir que pessoas maiores e capazes provoquem danos a seus corpos. Deve o estado, sim, proteger a saúde de crianças e adolescentes, mas no momento em que se reconhece sua plena capacidade jurídica é preciso que se reconheça também seu direito a usar drogas que alteram sua consciência, ainda que estas lhe venham a causar um eventual dano à saúde.

O que se vê, porém, em relação às drogas psicotrópicas, é uma regulação jurídica dos corpos que chega ao cúmulo de considerar crime o uso recreativo de drogas de baixíssima danosidade ao organismo, como é o caso do cloreto de etila (lança-perfume). Uma controle jurídico obsessivo dos estados de consciência que pune inexplicavelmente o uso de drogas mais leves que o próprio álcool.

O direito ao próprio corpo manifesta-se ainda na liberdade de expressão e na de não expressão, que chamamos de privacidade. É preciso que se reconheça a cada indivíduo o direito de se expressar quando e como queira, mas também o direito de se manter em silêncio e em sossego, longe dos olhares e das câmeras alheias. Por óbvio não se pode admitir que sua expressão ou sua privacidade possa causar dano a direito alheio. Por certo justifica-se seu cerceamento, se a expressão de um pensamento for lesiva à honra ou o exercício da privacidade for lesivo ao direito à informação de interesse público. A regra, porém, deve ser que um indivíduo possa se expressar ou se recolher à sua privacidade conforme sua conveniência o que, lamentavelmente, tem se tornado exceção.

A grande batalha jurídica do século XXI será pela libertação dos corpos das normas impostas pelo arbítrio da maioria. Somos herdeiros de uma cultura religiosa que nos impôs ao longo da história uma infinidade de restrições morais e, posteriormente jurídicas, ao uso de nossos próprios corpos.

Não há nada de democrático na imposição pela maioria de normas de conteúdo exclusivamente moral a uma minoria. Se uma conduta não lesa ou ao menos gera riscos de lesão a direitos alheios, não há por que ser proibida.

A liberdade de um povo não está simplesmente em escolher seus governantes. Não se pode considerar livre um povo que decide os rumos de seu governo, mas que nega a cada um de seus indivíduos a autonomia de decidir sobre os rumos de seu próprio corpo. Liberdade é, antes de tudo, poder decidir sobre o próprio corpo.

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Aos 68 anos, ator José de Abreu declara: “Sou bissexual e daí?”

José de Abreu, o Nilo de “Avenida Brasil”, causou polêmica no Twitter ao defender a homossexualidade e assumir ser bissexual.

“Eu sou bissexual e daí? Posso escolher quem eu beijo? Quando quero beijar uma pessoa não peço atestado de preferência sexual, só depende dela querer. Não posso obriga-la a me beijar. Pouquíssimos gays se atreveriam a fazer que eu fiz em 1975 – Viver com minha mulher (na época  a professora Nara Keiserman) e dois filhos (2 e 3 anos) e com um casal gay que viviam maritalmente durante 2 anos”, escreveu o ator no microblog, na última terça-feira (8).

Os seguidores começaram a questionar quem foram seus pares com quem teve relacionamento bissexual. E José confessou. ”Pena que o Caio Fernando Abreu [jornalista, dramaturgo] morreu. Também morei com ele. Um morreu de AIDS, cuidado pela minha mulher, eu já tinha me separado dela, o outro é um grande diretor de teatro, não vou dizer”.

José de Abreu assumiu após defender os homossexuais de políticos e conservadores. “Tem dias que prefiro homens, tem dias que prefiro mulheres.Tenho que mudar? Eu sou assim, ué. Tenho que ser igual aos outros? Prefiro o que me dá prazer. E prefiro ter a ‘preferência’ que deixa-la nas mãos da natureza… Ou de Deus. Prefiro homens e mulheres que me interesses sexualmente”, defendeu.

O ator contou sobre uma relação que teve com uma bissexual que durou nove anos. “Em 1989 me apaixonei por uma bi. Ficamos juntos e resolvemos ‘tentar’. Seu último namoro tinha sido uma mulher”.

“Eu me relaciono com pessoas, não com rótulos: gay, homossexuais, hétero, sexualidade, sexualismo, opção sexual, estou andando. Se há amor ou tesão, foi. Acho o suprassumo da caretice dividir o mundo entre gays e não gays. Ninguém me ensinou a amar assim. Aprendi a amar na Igreja”, escreveu Abreu.

Zé de Abreu disse que não se importa com a opinião do público sobre esse assunto. ”Estou andando para o que pensam de mim. Sou o que sou, a vida me fez assim. Sem medo de ter medo”.

Fonte: TV FOCO
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SEXUALIDADE: Será que sou frígida?

A falta de desejo sexual pode ter muitas razões, até mesmo orgânicas

Algumas mulheres não chegam a atender, mas bem que tentam chamá-las por apelidos de marcas de geladeira. Mas, brincadeiras à parte, esse rótulo mesmo que politicamente incorreto tem uma justificativa nada engraçada: a falta de interesse sexual, mais conhecida como a discriminada frigidez. Esse transtorno está presente na vida de muitas mulheres que, por vergonha ou desinformação, se conformam com o jejum de prazer e, com o tempo, até de sexo.

O pejorativo termo frigidez foi substituído pelo respeitosamente correto Disfunção do Desejo Sexual, que significa a falta de prazer na hora do “rala e rola”. E não são poucas as vítimas dessa falta de empolgação. Segundo o ginecologista Eduardo Zlotnik, pesquisando pode-se encontrar cerca de 30% de queixas a esse respeito nos consultórios. “Só que o que pode acontecer é o médico muitas vezes não perguntar sobre a existência desse tipo de problema e a paciente, constrangida em falar, deixar de buscar um tratamento adequado e eficaz”, afirma o ginecologista.

No entanto, vale ressaltar que mulheres que acham que o sexo por si só já está valendo, mas que têm uma estatística orgasmo/transa que não é lá nenhuma maravilha, não possuem esse problema. “Frigidez é uma disfunção sexual caracterizada pela diminuição acentuada ou perda total da libido. A moderna classificação psiquiátrica denomina esse estado de Transtorno da Excitação Sexual Feminina, que não deve ser confundida com o Transtorno Orgástico Feminino, que há interesse sexual, prazer, sem orgasmo”, descreve o psiquiatra Geraldo Ballone.

A resposta sexual feminina se caracteriza pelo trinômio desejo, excitação e orgasmo, e o bloqueio psico-fisiológico que caracteriza a disfunção pode se inserir em qualquer uma dessas fases. “Quando surge na fase do desejo, podemos classificar como uma inapetência sexual ou da libido. A alteração, nessa fase, é a mais comprometedora pois inibe todo o processo sexual. Já quando o bloqueio acontece na excitação, o problema se representa pela alteração na lubrificação vaginal. E, se ele se manifesta na fase orgástica, podemos considerar uma anorgasmia feminina”, acrescenta a sexóloga Margareth Labate.

Problemas hormonais, ginecológicos, estresse e depressão também fazem com que a mulher perca a satisfação sexual

Mas o que pode levar uma mulher a perder o interesse por algo que, teoricamente, só traz alegria? A danada da auto-estima – só podia ter o dedo dela nessa história! – quase sempre tem uma grande parcela de culpa. “A mulher até no sexo é mais romântica do que o homem. Então, quando ela é magoada por ele com críticas, falta de carinho, traição, a auto-estima sofre um baque, fazendo com que ela perca o prazer de fazer sexo”, explica a sexóloga Iara Jukemura, acrescentando que outros fatores também podem influenciar essa inapetência sexual. “Problemas hormonais, ginecológicos, estresse e depressão também fazem com que a mulher perca a satisfação sexual. Ninguém pode atingir um orgasmo estando com uma ferida no cólon do útero ou com problemas emocionais”, diz Iara. Geraldo Ballone também levanta uma outra questão: a sensibilidade feminina. “A mulher vincula sua satisfação e interesse sexuais ao conforto emocional global. Isso quer dizer que se um filho está com febre, se há desemprego na família, conflito doméstico ou qualquer outra coisa que mobilize suas emoções, a sexualidade fica seriamente prejudicada”, revela o psiquiatra.

E, como já foi dito, outro fator que também tem culpa no cartório, só para variar, são os hormônios. No climatério, que é o período que antecede a menopausa, o desejo sexual da mulher sofre um abalo por causa de todas as mudanças hormonais que acontecem nessa época. Outra fase em que os hormônios também aprontam com a nossa libido é o pós-parto. Devido à amamentação, ocorre um aumento da prolactina que inibe a serotonina, que é uma substância relacionada aos transtornos afetivos e de humor. No entanto, a pílula anticoncepcional, que quase sempre é co-autora das agruras femininas, desta vez foi praticamente inocentada. “Pode levar a uma diminuição do desejo, sim. Mas a maioria das mulheres não apresenta problema algum com o uso dela”, garante o ginecologista Eduardo Zlotnik. A sexóloga Iara Jukemura também entra em defesa das pílulas: “Hoje, as pílulas anticoncepcionais estão muito avançadas. É quase impossível alguém sofrer esse tipo de problema por causa delas”, diz ela.

Por isso, procurar um ginecologista para investigar as possíveis causas é essencial e, depois de descartada a hipótese de alguma doença, o tratamento deve-se iniciar no divã de um psicólogo ou sexólogo. “Dores ou deformidades que levam às alterações psíquicas podem também estar entre as causas do problema. Em sexologia, os fatores psicológicos e físicos estão sempre presentes”, comenta Eduardo Zlotnik. E esse tratamento deve ser começado o quanto antes, porque a mulher, além de privada de uma das melhores coisas da vida, poderá incluir na sua rotina mais problemas. “Toda mulher que começa a perder o desejo pelo sexo fica amargurada, enciumada, crítica em relação às outras mulheres, se tornando o que chamamos de mal-amada. A terapia sexual é fundamental para ela se redescobrir, trabalhar sua sensibilidade, suas crenças e sua auto-estima”, finaliza Iara Jukemura.

Fonte: Bolsa da Mulher

 

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Publicado por em 1 de Janeiro de 2013 em Sexualidade

 

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Relacionamento: Práticas sexuais que causam conflitos entre homens e mulheres

Texto de: Regina Navarro Lins
Psicanalista, Sexóloga e Escritora
Twitter: @reginanavarro

Sexo oral e anal são os temas da vez, abordados por Regina Navarro Lins

Relato e comento a seguir dois casos ouvidos em meu consultório. Eles dizem respeito a práticas sexuais que podem gerar conflitos entre o casal.

I) Solange, uma publicitária de 28 anos, namora Arthur há alguns meses. A relação ia muito bem, até que um aspecto da vida sexual passou a atormentá-la. “O Arthur é um ótimo amante, mas nosso único problema é o sexo oral. Ele quer que eu faça nele, mas sempre se esquiva e evita me excitar dessa forma. Isso me frustra e chego a pensar que ele tem nojo de mim. Sei que já está prejudicando nossa relação porque passei a evitar transar com ele.”

Apesar de o sexo oral ser a atividade heterossexual mais praticada antes da cópula, na nossa cultura ele sempre foi condenado, assim como todas as modalidades que não levassem à procriação. Pesquisas indicam que 75% dos casais já experimentaram a estimulação oral-genital, sendo que 40% a usam com alguma frequência. Entretanto, muitas pessoas evitam essa prática sexual ou a utilizam apenas para agradar o parceiro, sentindo-se ansiosas e constrangidas.

Além dos preconceitos morais, existe também a ideia de que o sexo oral-genital não seria uma atividade higiênica, o que carece de fundamento quando a pessoa se lava adequadamente. Na conclusão do estudo sobre a opinião dos homens a respeito da cunilíngua, Shere Hite diz no seu relatório: “Será que as mulheres não são asseadas? Um dos temas mais frequentes sobre a vagina e a vulva está relacionado com o asseio da mulher, ou se ela se lavou recentemente. O fato de tantos homens sentirem desejo de enfatizar esse ponto parece refletir a influência das antigas opiniões patriarcais sobre a sexualidade feminina (e sobre as mulheres) como algo sujo, sórdido, ou não muito bonito”.

II) Rui e Suzana estão namorando há oito meses. Apesar de se gostarem e de sentirem prazer na companhia um do outro, a vida sexual não tem sido satisfatória e sim causa de ressentimentos para ambos. “O problema é que o Rui insiste em praticarmos sexo anal, que eu detesto. Ele não desiste e por isso tenho até evitado ir pra cama com ele”.

Em muitas épocas da história da humanidade o sexo anal foi considerado pecado ou crime. Na França, antes da revolução, essa prática era passível de condenação à morte na guilhotina, e na Inglaterra, no século XVII, era considerada crime contra a natureza, com penas de morte e prisão perpétua.

Mas essa variação já foi muito usada na Antiguidade como método anticoncepcional. Na Mesopotâmia era praticada naturalmente, sendo que entre os assírios chegou a ser elemento de cultos religiosos. Na Roma antiga, na noite de núpcias, os homens se abstinham de tirar a virgindade da noiva em consideração à sua timidez, entretanto, praticavam sexo anal com ela.

Os sexólogos americanos Masters e Johnson afirmam que 43% das mulheres casadas já experimentaram o sexo anal, embora a maioria delas não goste muito dessa atividade. Sem dúvida, são os homens os que mais apreciam a prática, embora algumas mulheres relatem alcançar assim o orgasmo. Em suma, qualquer prática sexual só se justifica se for prazerosa para ambos os parceiros e não por obrigação ou para agradar ao outro. Além disso, é importante lembrar que o sexo anal é a forma mais fácil de transmissão do vírus da AIDS, que é absorvido diretamente pela corrente sanguínea através da mucosa anal. O uso da camisinha é, portanto, imprescindível.

 

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Publicado por em 9 de Dezembro de 2012 em Sexualidade

 

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‘Coquetel do dia seguinte’ pode evitar infecção pelo HIV, mas estratégia é pouco difundida no Brasil

Por Paula Laboissière, da Agência Brasil

O Cristo Redentor, no Rio de Janeiro, ganhou iluminação vermelha, em homenagem ao Dia Mundial de Luta contra a AIDS (Foto: Alessandro Buzas/Futura Press)

Um tratamento disponível em serviços de atendimento especializado e em emergências de hospitais públicos de todo o país pode evitar a infecção pelo HIV em pessoas que passaram por algum tipo de situação de risco – como sexo desprotegido ou rompimento do preservativo.

A chamada profilaxia pós-exposição, também conhecida como coquetel do dia seguinte, tem como base uma combinação de três medicamentos antirretrovirais e deve ser iniciada até 72 horas após o evento considerado de risco.

O infectologista do departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde, Ronaldo Hallal, lembra que, até 2010, o tratamento era indicado apenas para casos de acidente entre profissionais de saúde (quando há exposição ao vírus), para vítimas de violência sexual e para casais sorodiscordantes (quando apenas um dos parceiros é soropositivo).

Atualmente, o serviço está disponível para toda a população. Segundo Hallal, é preciso passar por uma avaliação de risco, feita por um profissional de saúde, antes de iniciar o uso do coquetel, que deve ser mantido por um período de quatro semanas. Os efeitos colaterais, apesar de fracos, incluem náusea, vômitos, sensação de fraqueza e cansaço.

“O papel da profilaxia é tentar evitar que a pessoa se infecte com o HIV. Além disso, ela traz alguns outros ganhos, já que acaba atraindo as pessoas aos serviços de saúde, o que permite trabalhar também o diagnóstico, o aconselhamento e as estratégias de prevenção, de redução de risco e de vulnerabilidade”, explica.

O coordenador do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (Unaids) no Brasil, Pedro Chequer, avalia que o coquetel do dia seguinte é uma estratégia pouco difundida no país. “Falta informação. As pessoas não conhecem”, diz. “E, nesses casos, quanto mais rápido começar o tratamento, melhor. O ideal é que seja em menos de 48 horas”, completa.

Chequer alerta, entretanto, que a estratégia não pode se transformar em rotina e que as pessoas não podem abrir mão do preservativo. Trata-se, segundo ele, de uma medida de exceção, uma vez que não há 100% de eficácia no bloqueio ao vírus. “Não é uma vacina”, ressalta.

Dados do Unaids apontam aumento de novas infecções por HIV no Brasil entre jovens gays, bissexuais masculinos, travestis e HSH (Homem que fazem sexo com outro homem), sobretudo com idade entre 15 e 24 anos. Essa faixa etária, de acordo com o coordenador, precisa de uma abordagem de prevenção “continuada, objetiva e sem preconceito”, para que busquem os serviços de saúde quando houver necessidade.

“A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) recomenda que a educação sexual seja iniciada a partir dos 5 anos. No Brasil, isso acontece a partir dos 12 anos. Essa onda conservadora e forte preocupa, já que a necessidade é cada vez maior de abordarmos temas como a diversidade sexual”, destaca.

 

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Publicado por em 8 de Dezembro de 2012 em Sem categoria, Sexualidade

 

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Casais soro discordantes – Contar ou não contar?

Ter sua condição sorológica em sigilo é um direito garantido às pessoas que vivem com o vírus HIV, ou seja, ninguém pode obrigá-las a contar isso. Cabe a elas decidirem se irão contar ou não.

Quando iniciamos um relacionamento, sempre pensamos no tempo que esta relação poderá durar.  Ao longo do tempo, temos a oportunidade de conhecer mais a fundo o novo parceiro, descobrindo seus defeitos e qualidades. Somente assim, saberemos se esta nova relação tem chances de ser duradoura ou não.
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              Graças à evolução da ciência, hoje, a vida de uma pessoa soropositiva é completamente normal. O uso correto da medicação e do preservativo em todas as relações sexuais é crucial para levar uma vida sem maiores problemas, possibilitando ao portador manter uma vida sexual normal, sendo seu parceiro soropositivo ou não.

Entretanto, o estigma e o preconceito existente em torno do HIV, consequências da falta de informação, ainda estão muito presentes em nossa sociedade e são estes fatores que levam o portador a acreditar que teve sua vida pessoal, profissional e, principalmente, sua vida sexual condenada.

O medo de ser rejeitado faz com que grande parte dos soropositivos enfrente um verdadeiro dilema: contar ou não ao parceiro sobre sua condição sorológica?  A resposta para esta pergunta é singular, ou seja, cada caso é um caso. O mais importante é analisar sua situação e pensar bastante antes de tomar qualquer decisão. Porém, algumas dicas podem ajudá-los a chegar a uma conclusão.

Conhecer a fundo seu parceiro ajuda muito na hora de tomar esta decisão. Quanto mais informado ele for, melhor será. A informação é a principal arma contra o pré-conceito, ou seja, se você se relaciona com uma pessoa que tem o hábito de se informar e procura se atualizar, maiores são as chances desta pessoa aceitar sua condição.

Informar o seu parceiro sobre sua sorologia no início do relacionamento pode não ser uma boa ideia. O mesmo pode não aceitar e por um ponto final no relacionamento. Como você não o conhece suficientemente para saber se ele é uma pessoa confiável ou não, você poderá ser alvo de críticas e fofocas.

Por outro lado, existem aqueles que acreditam que, se você demorar muito a contar, seu parceiro poderá ficar chateado, acreditando que você não confia nele para contar um assunto tão íntimo. Porém, tudo é questão de diálogo. Você pode explicar seus sentimentos demonstrando seu medo em relação à aceitação. Evidencie sua preocupação fazendo o possível para impedir a transmissão da doença. Deixe claro que o uso da camisinha sempre foi um hábito e você jamais permitiria uma relação sem o uso da mesma.

Mas você há de convir que dar esta notícia não é uma tarefa fácil. Imagine recebê-la! Por mais informado que seu parceiro seja, é natural que ele fique sem jeito ao receber essa notícia. Cabe a você mostrar que uma relação soro discordante pode ser segura, se as medidas de proteção forem levadas a sério. Ter HIV não quer dizer que você tenha AIDS. Explique sobre seus exames, controle médico e medicamentos. Contar sobre seu estado clínico também é muito válido neste caso.

Infectar alguém intencionalmente, além de desumano, é crime e dá cadeia! Então, se por ventura o preservativo furar e seu parceiro ainda não tiver conhecimento sobre sua sorologia, acredito que o mais inteligente a se fazer seja contar sobre a sua situação e acompanhá-lo até uma unidade de saúde e solicitar a profilaxia pós-exposição que está disponível na rede pública de saúde e é indicada nos casos que há o rompimento do preservativo e um dos parceiros é sabidamente positivo. Assim, ficará claro que você zelou pela saúde de seu parceiro e não terá que se preocupar ou sentir-se culpado, caso ele seja infectado.

Com responsabilidade e alguns cuidados, você pode optar a não contar e estará em seu direito. Mas vale lembrar que, quando estamos em uma relação séria onde há amor e carinho, é normal querer dividir com o parceiro coisas íntimas, então uma hora você terá de contar, pois não dá para viver com alguém escondendo este fato por muito tempo, não é mesmo?

De certa forma, a infecção por HIV, está ligada à vida sexual. Quando uma pessoa conta para outra que está infectada, ela está abrindo sua intimidade e isso gera curiosidades. A pessoa irá querer saber detalhes de como aconteceu à transmissão do vírus, o que acaba sendo uma invasão na privacidade do soropositivo. Por isso, é necessário que o portador sinta-se preparado para falar sobre este assunto. E, quando o fizer, faça sem medo de ser julgado. Seja sincero e passe o máximo de confiança. Procure sempre viver uma relação sadia, respeitando seu parceiro e zelando pela saúde de ambos.

Fonte: SoroPositivo

 

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Publicado por em 22 de Novembro de 2012 em Sexualidade

 

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Prostituição em alta: O que leva os homens a procurar sexo pago até os dias de hoje?

Regina Navarro explica os motivos que levam homens (Heterossexuais) a buscar sexo pago até os dias de hoje

 

Texto de: Regina Navarro Lins
Psicanalista, Sexóloga e Escritora
Twitter: @reginanavarro

 

Gilmar, um advogado de 45 anos, se separou da ex-mulher há oito anos e nunca mais quis saber de casamento. Teve alguns namoros que não duraram mais de três ou quatro meses. Segundo ele, havia muitas obrigações a cumprir que o desagradavam e o saldo acabava sendo aborrecimentos. A partir daí, passou a ter encontros casuais com algumas mulheres quando se sentia atraído, mas era cauteloso para não deixar que se transformasse num namoro.

Às vezes alguém que conhecia no escritório ou no fórum ou apresentada por algum amigo. A nova estratégia também não funcionou; as mulheres com quem saía criavam uma expectativa de continuidade que o deixava constrangido. Tomou uma decisão radical, que considera a mais sensata da sua vida: só transar com garotas de programa.

“Já há algum tempo tive a certeza de não querer me relacionar amorosamente com nenhuma mulher. Gosto de morar sozinho e fazer o que quero da vida. Não quero filhos e não sinto falta nenhuma de alguém do meu lado, mas adoro fazer sexo. Quando ainda saía com uma mulher interessante, na verdade meu objetivo principal era transar sem compromisso. Aí, eu a levava para jantar, depois para ouvir música em algum lugar e às cinco horas da manhã a situação era a seguinte: exausto, já tendo gastado a maior grana, eu ainda não sabia se ela ia querer ou não transar comigo. Resolvi simplificar as coisas. Conheço algumas meninas de programa lindas, de 20 e poucos anos, que vêm quando telefono e por quem tenho carinho, mas não sou cobrado em nada. Dinheiro eu já gastava também quando saía com qualquer outra mulher. Afinal, tudo nesse mundo é pago mesmo. A diferença está na maior ou menor dose de hipocrisia que vem junto com o produto. Agora posso escolher só os melhores momentos. Sempre que penso nesse assunto, vem à minha cabeça o lema de uma empresa carioca: “alugar é melhor”.

É curioso, mas até algumas décadas atrás, quando já se previa maior liberação no comportamento sexual dos jovens, acreditou-se que a prostituição tinha os dias contados e tendia a desaparecer completamente.
Quem ia se dispor a pagar para fazer sexo com qualquer uma, quando cada vez se tornava mais fácil para o homem transar com a namorada, amigas ou colegas de trabalho?

E no casamento também se notavam mudanças: as esposas davam sinais de começar a admitir práticas sexuais até então proibidas para mulheres “respeitáveis”. Mas acontece que a prostituição não acabou — agora são meninas de classe média, universitárias, ninfetas, etc. Pelo contrário, proliferou e se sofisticou. Por quê?

A prostituição sempre existiu. Na Antiguidade foi uma instituição sagrada muito comum, chegando a ser exercida nos templos. Em alguns lugares mulheres casadas iam lá e faziam sexo com o sacerdote ou mesmo com um passante desconhecido, realizando assim um ato de adoração a um deus ou uma deusa. Logo, a prostituição não foi sempre a coisa desprezada em que se tornou. As prostitutas eram tratadas com respeito e os homens lhes rendiam homenagens.

Entretanto, na Idade Média as coisas mudaram. Os templos foram fechados e a prostituição, comercializada. Era uma atividade vista como repulsiva, mas necessária à sociedade e por isso tolerada para evitar algo pior. Acreditavam que usando esses serviços, os jovens ficavam desestimulados a praticar o estupro e afastados da homossexualidade. As prostitutas, obrigadas a usar roupas especiais, eram segregadas em locais conhecidos como “zonas de luz vermelha”.

Na cidade de Avignon, elas eram proibidas por lei de tocar em frutas e pão no mercado para não contaminá-los. E no século 15, também na França, o rei Carlos VII reconheceu a necessidade dos serviços oferecidos pelos bordéis para jovens solteiros e autorizou a presença dos maiores de dezesseis anos. Pelos regulamentos estavam excluídos os sacerdotes, homens casados, judeus e leprosos.

Na realidade, as prostitutas sempre foram as guardiãs da moral hipócrita da sociedade. Apesar de desvalorizadas, eram consideradas úteis e necessárias. Do ponto de vista das famílias, elas contribuíam para preservar a castidade das moças que deveriam chegar virgens ao casamento e, ao mesmo tempo, preservavam a ‘virilidade’ do rapaz para que não chegasse virgem ao casamento. Sua contribuição para o casal era óbvia: permitia a esposa se manter ‘respeitável’, enquanto o marido buscava a satisfação de suas necessidades sexuais, impossíveis de serem satisfeitas no casamento, fora de casa.

Mas voltando a nossa questão inicial: Por que, hoje, quando os homens podem encontrar o prazer sexual que desejam com suas namoradas ou esposas, e não havendo, portanto, mais motivo para a prostituição existir, ela continua existindo? Os homens que procuram prostitutas pagam em dinheiro o que for cobrado e não lhes devem mais nada. Se sentem, assim, livres da angústia de tentar corresponder à expectativa de outro tipo de mulher, a que também busca prazer no sexo. Quando o homem está com a prostituta, não precisa se preocupar com o desempenho e em ser avaliado, não interessa se é ou não bom de cama, se seu pênis é pequeno ou fino, se a ejaculação foi precoce ou se a parceira teve ou não orgasmo. Somente seu prazer individual é buscado. Ele não deve à profissional uma declaração de amor, nem mesmo um telefonema depois. Já está tudo pago.

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Publicado por em 21 de Novembro de 2012 em Discriminação, Sexualidade

 

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