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Arquivos mensais: Setembro 2012

Marco Feliciano, o pastor e deputado do ódio e da mentira


Por Jean Wyllys (Deputado Federal pelo PSOL)
Seu perfil no Twitter é @jeanwyllys_real

 

Mais uma vez, o deputado e pastor Marco Feliciano faz alarde de sua desonestidade intelectual e injuria os homossexuais, alvos permanentes de sua doentia obsessão. Num discurso proferido durante congresso de “Gideões Missionários”, Feliciano se referiu à AIDS como “câncer gay” e responsabilizou os homossexuais pela doença, mostrando o nível de ódio que o discurso dos fundamentalistas religiosos vem atingindo e o perigo que eles podem representar para a nossa democracia se os poderes públicos (executivo, legislativo e judiciário) não tomarem as devidas providências.

Num discurso proferido durante congresso de “Gideões Missionários”, Marco Feliciano se referiu à AIDS como “câncer gay” e responsabilizou os homossexuais pela doença

Como um psicótico em surto, com direito a lágrimas em momentos estratégicos e trilha sonora caótica que evoca urgência e dramaticidade (preciso dizer que esse discurso teatral para plateia ingênua constitui em má-fé?), o discurso de Feliciano seria de apavorar qualquer pessoa que não seja de coragem. Com seu proselitismo hipócrita, ele tem, como única missão — em seu discurso assim como na Câmara dos Deputados — atacar as religiões minoritárias e a cidadania de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais (LGBT). Com um discurso fundamentalista e fascista, que se alimenta (quanta desonestidade!) do analfabetismo e do desamparo dos corações e mentes de pessoas com menos acesso a informações, Marco Feliciano ignora a ciência moderna ao se referir à AIDS, reproduzindo todos os preconceitos e besteiras anticientíficas já usadas no passado, sem se responsabilizar com o retrocesso que isso representa e com os estigmas que isso produz.

Falando como “profeta” (quem foi mesmo que lhe deu os poderes da profecia?), o deputado-pastor contribui também para a possível infecção de pessoas menos instruídas que ouvem um absurdo como esse e se acham imunes a uma doença, que já foi cientificamente provada como sendo possível de atingir todas e todos, independente de sua cor, gênero, credo, religião, orientação sexual, nível social ou educação. Ao dizer que é uma doença de homossexuais, ele empurra milhares de pessoas heterossexuais à falta de cuidados e prevenção, cometendo um grave crime contra a saúde pública!

Vejam a irresponsabilidade do parlamentar ao suprimir informações, como o fato de que, desde o surgimento da AIDS na década de 80, o perfil dos infectados se modificou drasticamente, há muito tempo deixando de ser uma doença restrita aos LGBTs e passando a atingir cada vez mais jovens, mulheres e idosos heterossexuais. As mulheres respondem por 48% das novas infecções e os jovens com idades variando entre 15 e 24 anos, por 42%. Somente entre 2000 e 2010, o percentual de pessoas com mais de 60 anos infectadas, subiu 150%. Estes são dados oficiais divulgados em levantamento do programa da Organização das Nações Unidas para HIV/Aids (UNAIDS) em julho deste ano.

A fala de Feliciano se aproveita do desconhecimento de muitas pessoas sobre esses dados estatísticos. Ele divulga falsidades e mentiras propositadamente, para cumprir seus perversos objetivos políticos: estigmatizar e ofender as pessoas homossexuais, escolhidas como “o inimigo” pela sua prédica de ódio.

Por outro lado, todos nós sabemos que o diagnóstico de soropositividade para o HIV representa, socialmente, muito mais do que a ameaça de uma doença crônica — ele afeta drasticamente a identidade da pessoa doente como consequência do estigma que ainda existe em nossa sociedade. Ter a doença significa lidar com questões sociais complexas que podem trazer mais prejuízos que a própria doença. Portanto, um político (e um líder religioso) deve usar sua fala com responsabilidade, visando ajudar a vencer os preconceitos e assim melhorar a informação e o conhecimento da população e, ao mesmo tempo, a qualidade de vida das pessoas que vivem com HIV. Marco Feliciano faz exatamente o contrário.

 

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Iraque: Homossexuais são alvos de milícias e soldados no pós-Saddam

por BBC

Autoridades do Iraque têm feito uma “caça às bruxas” contra os homossexuais, com perseguição sistemática e mortal a homens e mulheres, revela uma reportagem investigativa da BBC.

Ativistas dizem que centenas de homossexuais foram mortos nos últimos anos, enquanto o governo, que conta com apoio ocidental, tem ignorado o assunto. Para as Nações Unidas, a negligência quanto à violência torna o Estado iraquiano um dos responsáveis pelos crimes.

A investigação da BBC mostra que no Iraque pós-Saddam Hussein ser homossexual – ou mesmo parecer homossexual – pode significar uma sentença de morte no país.

Em alguns casos, homossexuais foram mortos pelos próprios familiares, nas chamadas “mortes pela honra”, ou pela ação de milícias. Mas a perseguição também parece ocorrer sob os mandos de forças de segurança oficiais – ainda que o governo se recuse a admiti-lo.

Dezessete homossexuais entrevistados pela reportagem se disseram perseguidos individualmente, e todos dizem ter amigos ou parceiros mortos.

Ainda que o governo diga que desarticulou milícias que fazem esse tipo de perseguição, um ex-policial, que conversou com a BBC em condição de anonimato, disse ter abandonado a corporação depois de ter recebido ordens diretas para prender dois homossexuais. Um deles foi morto na cidade onde era “procurado”.

“Durante a ocupação americana, estávamos muito ocupados. Agora, com tempo livre, a polícia passou a perseguir gays”, disse o ex-policial.

Abrigo

Homossexuais sofrem perseguição sistemática por parte de milícias e agentes oficiais no Iraque

Com isso, a comunidade gay do Iraque fica cada vez mais escondida e assustada. Uma vez que um homossexual entra na “lista de procurados”, ele ou ela não tem para onde escapar.

Muitos relatam buscas oficiais em suas casas, além de casos de estupro. Outros temem ser identificados nas dezenas de postos de checagem que têm como objetivo garantir a segurança de Bagdá. “Não tenho liberdade. Não posso viver a minha vida”, disse um deles à BBC.

Há apenas um abrigo para homossexuais em Bagdá, com capacidade para três pessoas. Outros abrigos foram alvos de ofensivas e fechados pelo governo.

Segundo um relatório de 2009 da ONG Human Rights Watch, é possível que centenas de homossexuais homens tenham sido mortos desde a invasão americana, em 2003.

Mas o Ministério de Direitos Humanos do Iraque afirma não poder ajudar os homossexuais, porque o grupo não é considerado uma minoria sob os olhos do governo. Alega, porém, que denúncias de morte foram encaminhadas ao Ministério do Interior.

O premiê iraquiano, Nuri al-Maliki, que tem comando direto sobre o Ministério do Interior, não respondeu aos pedidos de entrevista. Seu porta-voz, no entanto, disse à BBC que não existe nenhuma perseguição sistemática a homossexuais e que estes devem “viver suas vidas normalmente”.

Conservadorismo

Batidas policiais em Bagdá muitas vezes servem para prender homossexuais, dizem alguns

Ao mesmo tempo, no distrito de Cidade Sadr, em Bagdá, um clérigo islâmico disse à BBC que o “terceiro sexo” – como o homossexualismo é chamado – é “totalmente rejeitado pelo islã”.

Ainda assim, a cultura religiosa e conservadora do Iraque não explica por si só a perseguição aos gays, dizem analistas.

No Líbano, por exemplo, o grupo radical Hezbollah é razoavelmente tolerante ao homossexualismo. No Irã, onde a prática homossexual é ilegal e comumente punida, a cena “underground” gay também é tolerada. Até na ultraconservadora Arábia Saudita a perseguição não parece chegar nos níveis do Iraque.

Durante o governo de Saddam (1979-2003), homossexuais desfrutaram de algum grau de liberdade e segurança e, após a invasão americana, grupos liberais esperavam que essa liberdade aumentasse.

Mas forças conservadoras islâmicas que ganharam o poder se mostraram resistentes a aceitar valores supostamente ocidentais, incluindo a homossexualidade.

 

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Deputado-Pastor aproveita a saída de Marta Suplicy para derrubar a projeto de lei anti-homofobia

Senador Magno Malta do PR-ES (Foto: Geraldo Magela/Agencia Senando)

O senador evangélico Magno Malta (PR-ES) enviou ontem ofício ao presidente da Comissão de Direitos Humanos do Senado, Paulo Paim (PT-RS), solicitando tornar-se relator do chamado projeto de lei complementar 122 que criminaliza a homofobia.

A relatora era a senadora Marta Suplicy (PT-SP), que acaba de assumir o comando do Ministério da Cultura.

Malta é contrário ao texto, que Marta defende com unhas e dentes. Ao Poder Online, coluna do Portal iG, o senador explica porque reivindica a relatoria:

 

– Primeiro, porque acho que ela caberia ao suplente da Marta, o vereador paulistano Antônio Carlos Rodrigues, que é do PR e evangélico como eu, mas não irá assumir no Senado. Depois, porque o Paulo Paim é pai e sogro de pastores evangélicos e tem o compromisso conosco de não favorecer a aprovação deste projeto.

Fonte: Gay1

 

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Os homens que odeiam as mulheres feministas: de onde vem tanta irritação?

Conviver com a liberdade das mulheres requer personalidades menos controladoras, gente mais segura e confiante, homens dispostos a colaborar em relativa igualdade. Quantos caras você conhece que cabem nessa definição?

No Brasil, o feminismo atravessou diferentes fases e dilemas. Foto: BREscola

Noto que virou moda na imprensa brasileira falar mal das mulheres independentes. Qualquer um que deseje cinco minutos de fama desce o cacete no “feminismo”, entendido como a atitude auto-suficiente das mulheres em relação aos homens. No jornal que eu assino, houve na última semana dois artigos esculhambando mulheres que trabalham e não parecem interessadas em homens.

Além do esforço deliberado para causar indignação – que virou praga no jornalismo brasileiro – acho que existe por trás dessas bobagens um verdadeiro sentimento reacionário.

Muitos homens gostariam de voltar ao período em que todos os empregos e todas as prerrogativas pertenciam a eles. Muitas mulheres estão cansadas – ou assustadas com a perspectiva – de trabalhar duro pelo resto da vida, acumulando funções de mãe, dona de casa e funcionária exemplar. Em meio a eles, milhões estão inseguros sobre o seu ponto de vista ou sua situação social.

Minha impressão é que começamos a viver um tempo de nostalgia, alimentado pela sensação de que a relações entre homens e mulheres nunca mais serão como antes. Tem gente morrendo de medo de ficar obsoleto.

Não é por acaso que os textos de ataque às feministas sempre arrumam um jeito de ironizar as mulheres que “vivem sem homem”. Os autores dizem que a independência afetiva das mulheres não passa de embromação. Sugerem que todas elas gostariam de ter um macho forte e provedor que as levasse pelo braço. “É genético!”, garantem. Na falta de um homem de verdade, cercadas de moleques incapazes de assumir seu lugar histórico, as solitárias inventariam fantasias de auto-suficiência.

Eu, francamente, não sei de onde vem tanta bile. Qual é o problema das mulheres dizerem que são independentes e que vivem na boa sem um cara que conserte a pia? Em muitos casos é a pura verdade. Entre ter um casamento de merda e ir ao cinema sozinhas, escolhem a segunda opção – mas tem gente que se ofende com isso. Os cáusticos talvez achem que a mulherada deveria aguentar qualquer marmanjo. Ou então ficar chorando pelos cantos quando o impiastro fosse embora, em vez de erguer a cabeça e tocar a vida, orgulhosas. As mulheres parecem que discordam. Qual o problema?

Isso significa o fim das relações estáveis entre homem e mulher? Não! Nunca ouvi qualquer mulher heterossexual dizer que não queria mais homens. Algumas não querem casar ou morar junto, mas isso é 100% diferente de recusar uma relação afetiva. Outras dizem preferir ficar sozinhas a estar com homens que não amam. Parece sensato. Há muitas solteiras e divorciadas no mundo em que eu vivo, mas isso pode ser apenas inevitável. Não anda fácil arrumar parceiros estáveis, de qualquer sexo. Enfim, vejo mulheres sozinhas, mas nenhum movimento que dispense ou hostilize a presença masculina.

Por que, então, tantos homens se sentem ameaçados?

Não sei. Mas a minha impressão é que viver nesse mundo de mulheres auto-suficientes está se tornando complicado. Se a mulher não precisa mais do nosso dinheiro para sobreviver, pode ir embora a qualquer momento. Isso é muito inquietante. Dentro de casa, elas passaram a exigir que o sujeito saia do sofá e colabore na hora de fazer comida e de cuidar dos filhos. “Um saco“.

Por trabalhar, as mulheres estão em contato diário com outros homens, potenciais concorrentes. Há que ter nervos para lidar com isso. Antes, uma mulher que trocasse de parceiros depois do casamento era punida com uma bruta censura social, senão com violência pura e simples. Agora, as mulheres fazem a troca sem que os parceiros possam objetar uma vírgula.

Enfim, o nível de controle masculino sobre o que as mulheres vestem, falam ou fazem caiu espetacularmente. Elas estão livres inclusive para repetir nossos comportamentos mais destrutivos e egoístas, e muitas vezes o fazem. Conviver com isso requer personalidades menos controladoras, gente mais segura e confiante, homens dispostos a colaborar em relativa igualdade. Quantos caras você conhece que cabem nessa definição? Poucos – e não adianta procurar entre os que odeiam as feministas…

Fonte: Pragmatismo Político

 

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Publicado por em 16 de Setembro de 2012 em Sexualidade

 

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Especialistas comprovam que homens héterossexuais também tem prazer anal

Uma reportagem publicada nesta quinta (13), no UOL Mulher e já reproduzida por dezenas de outros endereços promete causar polêmica ao tratar de um tabu que, no entanto, os gays sempre desconfiaram: homens héteros também sentem prazer na região do ânus.

A reportagem, assinada pelo jornalista Cléo Francisco, traz aspas do urologista Marcelo Vieira, membro do Instituto H. Ellis; do urologista e sexólogo Celso Marzano, autor do livro O Prazer Secreto, justamente sobre sexo anal; da psicóloga e sexóloga Carla Cecarello; e dos psicólogos Oswaldo Rodrigues Jr. e Elisa Del Rosário Ugarte Verduguez. Todos unânimes em provar, por A + B, que ter prazer “lá” não apenas é possível para homens héteros, como não denota necessariamente tendências homossexuais.

Vieira esclarece que o períneo, região que compreende o ânus e os genitais, tem muito nervos e, por isso, fatalmente se torna uma zona erógena. Segundo Celso Marzano, não existe diferença anatômica entre o ânus masculino e feminino, e a sensibilidade, portanto, é a mesma. O sexólogo ainda diz que é possível a homens e mulheres atingirem o orgasmo via sexo anal e comenta que, dependendo da posição em que for penetrado, o homem terá sua próstata massageada, o que fará com que se sinta mais estimulado.

Já a psicóloga e sexóloga Carla Cecarello diz que é perfeitamente possível um homem transar com a parceira, ser penetrado por um vibrador e não ser gay. “E nem todo homossexual masculino curte penetrar ou ser penetrado na região anal”, completa Oswaldo Rodrigues Jr, do Instituto Paulista de Sexualidade.

Fonte: Mundo Alternativo

 

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Publicado por em 16 de Setembro de 2012 em Sexualidade

 

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ÁFRICA: Igreja Evangélica de Guiné-Bissau apoia mutilação genital feminina

A Igreja Evangélica de Guiné-Bissau apoia a mutilação genital por acreditar que o procedimento evita que as mulheres se tornem impuras (relação sexual antes do casamento) ou prostitutas. A informação é da jornalista Vania Negrão, de Angola.

Guiné-Bissau fica na costa ocidental da África. Tem cerca de 1,4 milhão de habitantes. Desse total, os cristãos correspondem a 11,9% e os muçulmanos a 41,9%. A parcela que segue religiões étnicas é de 44,9%. O país é ex-colônia de Portugal e o seu idioma oficial é o português.

O missionário Freddy Osvando criticou a Igreja Evangélica por não seguir a “verdadeira teologia bíblica”. Ele disse à Junta de Missões Mundiais que a Igreja também tem dado respaldo ao ritual da “Cerimônia de Lavagem” imposto às mulheres consideradas impuras. Disse que, para ser purificada, a mulher é levada para um rio onde é violentada várias vezes diante dos seguidores da religião.

Fatumata Djau Balde, da Organização Nacional para a Infância, disse que desde meados de 2011 a mutilação genital é crime no país, mas a nova lei tem sido desrespeitada por parte da população e pelos pastores da Igreja Evangélica. Há mulheres que morrem em consequência de amputação mal feito do clitóris.

A OMS (Organização Mundial de Saúde) estima que existem em todo mundo mais de 100 milhões de mulheres que foram submetidas a essa barbárie.

Fonte: Paulopes
Com informações de Informação Acessível

 

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Publicado por em 10 de Setembro de 2012 em Religião, Sexualidade

 

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“Se eu não posso ter você, ninguém pode” – por Regina Navarro

Texto de: Regina Navarro Lins
Psicanalista e Sexóloga
Twitter: @reginanavarro

O crime passional costuma ser uma reação daquele que se sente possuidor da vítima

Medeia era filha de Aetes, rei da Cólquida, que possuía o velocino de ouro – lã de ouro do carneiro alado Crisómalo. Jasão e os argonautas – tripulantes da nau Argo – buscavam o velocino para que ele retomasse o trono de Iolco, mas Aetes o mantinha guardado por um dragão. Medeia apaixonou-se por Jasão e se opôs ao pai para ajudá-lo, salvando a vida do herói grego. Fugiu com ele da Cólquida em seu navio rumo à Grécia.

Após alguns anos juntos, Jasão a abandonou, para se casar com a filha de Creonte, rei de Corinto, e permitiu que este a exilasse junto aos filhos. Injustiçada e furiosa Medeia não poupa esforços para se vingar de Jasão: envia um presente de casamento à noiva de Jasão – um vestido envenenado que ao ser usado rompe em chamas e queima até a morte a princesa de Corinto e o rei. Mas não é o fim. Ela mata os dois filhos que tivera com Jasão.

O poeta grego Eurípedes escreveu Medeia, no século V a.C,. Usando o exemplo dela mostrou a situação das mulheres da sua época, pouco diferente da condição de escravas. Medeia renuncia a tudo para seguir Jasão. O sentido de sua vida é amá-lo, e isso ainda representa a situação de muitas mulheres. O “grande amor” é para elas o centro da existência e absorve grande parte de suas energias.

A história de Medeia retrata o efeito destrutivo que a fixação no “grande amor” pode ter. “Uma mulher que vê, no seu relacionamento amoroso com o homem, um sentido exclusivo e um conteúdo da sua vida, acaba de mãos vazias quando o seu homem se dedica a uma outra ou se ela acredita não estar mais correspondendo aos ideais masculinos relativos à beleza e à atração sexual. Tendo investido todas as suas energias no relacionamento, ela agora se sente lograda”, diz Olga Rinne, que escreveu um livro sobre Medeia.

Após terem se passado 2500 anos dos assassinatos múltiplos promovidos por Medeia, uma chinesa que queria vingar-se do marido, por ele ter pedido o divórcio, em março de 2006, explodiu o edifício em que ele morava, informou a polícia de Leye (sul da China). Segundo um oficial, a mulher de 37 anos comprou o explosivo por US$ 23 e, com a ajuda de três cúmplices, detonou a carga no edifício residencial de três andares, deixando um saldo de nove mortos e quatro feridos.
Mas os homens suportam menos ainda o abandono. A procuradora de justiça de São Paulo, Luiza Nagib Eluf, afirma que as mulheres são menos afeitas à violência física. “A história da humanidade registra poucos casos de esposas ou amantes que mataram por se sentirem traídas ou desprezadas. Essa conduta é tipicamente masculina. O crime passional costuma ser uma reação daquele que se sente ‘possuidor’ da vítima. O sentimento de posse, por sua vez, decorre não apenas do relacionamento sexual, mas também do fator econômico. O homem, em geral, sustenta a mulher, o que lhe dá a sensação de tê-la ‘comprado’. Por isso, quando se vê contrariado, repelido ou traído acha-se no direito de matar”. Na vida real há inúmeros casos de mulheres assassinadas por terem desejado o término da relação.

Para a escritora uruguaia Carmen Posadas o ato do amante passional que mata o ser amado que o abandona ou prefere outra pessoa é a consequência da frustração de seu desejo de posse. A pessoa não suporta mais seus sofrimentos e sente que sua única possibilidade de salvação é cortar o problema pela raiz. Entretanto, a dinâmica da violência vingativa é outra. O amante quer resolver uma questão que considera pendente; não quer evitar o mal que o ameaça, mas “anular magicamente” aquilo que na realidade já aconteceu. Delicia-se imaginando mil vezes o castigo que infligirá ao ser amado ou ao rival que o roubou, inventando roteiros de terror que não para de aperfeiçoar. O que move a vingança é o ódio, fruto da rejeição. O amante rejeitado acredita que ninguém o amará, nunca mais. Odeia a si mesmo e à pessoa que nele provocou esses sentimentos. Como o ódio não tem o poder de refazer o passado, ele confia à vingança futura.

Para o psicólogo americano David Buss, um refrão comum aos matadores emitido para suas vítimas ainda vivas é: “Se eu não posso ter você, ninguém pode”. As mulheres estão sob um risco maior de serem assassinadas quando realmente abandonaram a relação, ou quando declararam inequivocamente que estão partindo de vez. Buss aponta dados importantes. Um estudo de 1333 assassinatos de parceiras no Canadá mostra que mulheres separadas têm de cinco a sete vezes mais possibilidades de serem assassinadas por parceiros do que mulheres que ainda estão vivendo com os maridos. O tempo de separação parece ser crucial.

As mulheres correm o maior risco nos primeiros dois meses depois da separação, com 47% das mulheres vítimas de homicídio sendo mortas durante esse intervalo, e 91% dentro do primeiro ano depois da separação. Os primeiros meses depois da separação são especialmente perigosos, e precauções devem ser tomadas por pelo menos um ano.

Os homens nem sempre emitem ameaças de matar as mulheres que os rejeitam, claro, mas tais ameaças devem sempre ser levadas a sério. Eles ameaçam as esposas com o objetivo de controlá-las e impedir sua partida. A fim de que tal ameaça seja acreditada, violência real tem que ser levada a cabo. Os homens às vezes usam ameaças e violência para conseguir controle e impedir o abandono.

De qualquer forma, é fundamental que homens e mulheres, se quiserem viver de forma mais satisfatória, reflitam sobre como se vive o amor na nossa cultura, principalmente no que diz respeito à dependência amorosa e possessividade. “Talvez uma mulher reaja com raiva e sede de vingança contra o homem, contra a sociedade que a impeliu para esse papel; mas como a expressão de raiva, da ira e dos sentimentos de vingança é considerada ‘nada feminina’, é provável que ela volte sua agressão para o interior e caia numa depressão autodestrutiva”, diz Olga Rinne.

Depois do crime, o criminoso passional não costuma fugir. Alguns se suicidam, morrendo na certeza de que o ser amado não pertencerá a mais ninguém. O medo de que ninguém nos possa proteger e a suspeita de ser abandonado e rejeitado são os pesadelos da infância, mas também os fantasmas da maturidade.

 

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Publicado por em 9 de Setembro de 2012 em Sexualidade

 

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